Coronavírus: perguntas e respostas

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O mundo está em alerta com o avanço do novo coronavírus, que surgiu em dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, na China. A doença que causa a atual pandemia foi batizada pela Organização Mundial da Saúde como Covid-19.

Rodrigo Kilian
é infectologista do Exército Brasileiro
e esclarece dúvidas sobre o coronavírus. foto: Arquivo pessoal

Para esclarecer dúvidas sobre a doença, o Jornal das Missões conversou com o médico infectologista do Exército Brasileiro, Rodrigo Kilian. Abaixo, confira as principais perguntas e respostas sobre sintomas, transmissão, cuidados e possível cura.

O que é o Sars-coV 2?

O nome Sars-coV2 é uma abreviação de síndrome respiratória aguda (Sars) devido ao coronavírus (co) tipo 2 (V2). O coronavírus pertence a um grupo vírus da mesma família que compartem a mesma estrutura, contendo RNA em seu núcleo, uma proteína conhecida como transcriptase reversa e envolta por uma capa lipoproteica com característica de coroa, por isso seu nome.

Por que o coronavírus é considerado pandemia?

Em primeiro lugar temos que entender algumas definições básicas como surto epidêmico, epidemia e logo pandemia. Surto epidêmico nos referimos ao aumento brusco do número de casos de uma doença em um determinado local, delimitado, como uma instituição, colégio, etc. Epidemia ao contrário do surto a abrangência dos casos é maior, como cidade, estado, nação até mesmo um continente inteiro. O termo pandemia serve para referir uma epidemia que cruza os continentes podendo ser global.

Qual a letalidade deste vírus?

A letalidade da doença dependerá de alguns fatores (fatores de risco), idade do paciente, se possuir alguma doença como diabete melitus, hipertensão arterial, obesidade, doenças pulmonares crônicas, fumantes, doenças que debilitem a imunidade do paciente exemplo a leucemia, doenças autoimunes que precisem utilizar de medicações que baixem sua imunidade e neoplasias. No Brasil possuímos uma letalidade de aproximadamente de 4,2% diferente de outros países que chegaram a 12,3% como o caso da Itália, mas pode aumentar entre 15 e 20 % neste grupo de risco que me referi anteriormente.

Qual a importância do isolamento social?

O isolamento social é a base do luta e controle da pandemia, ou seja não existe medicação eficaz comprovada, somente em vitro. Pois como o vírus depende da aproximação entre pessoas para que seja eliminada e adquirida por via respiratórias, em lugares fechados e pequenos, e aglomerados de pessoas, faz que com que o vírus multiplique, transmita e se propague de forma mais rápida, como consequência disso teremos muito mais casos da doença e consequentemente o aumento dos casos letais. O distanciamento (isolamento) provisório tem como objetivo evitar exatamente esta situação.

Apenas as pessoas do grupo de risco precisam ficar isoladas?

Não, todos têm a responsabilidade cuidar de sua saúde como a dos demais. É imperativo o isolamento do grupo de risco mas se as pessoas que convivam com este grupo não praticarem o mesmo de pouco adiantará.

Familiares que moram próximos uns dos outros, avós que são vizinhos de filhos e netos, podem conviver ou o ideal é manter distância neste momento?

Próximo não é junto, eis aqui a diferença do isolamento social a nível familiar.

O ideal é manter distanciamento social total, momentaneamente, pois caso contrário a tentativa de isolamento se frustrará. Darei um exemplo: quando uma criança na escola adquire uma virose é certo de que os outros membros da família apresentarão um quadro parecido mais cedo ou mais tarde, consequentemente pros demais familiares que não realizarem o cuidado de isolar-se.

A temperatura (verão/ inverno) influência na transmissão do coronavírus?

Sim. No inverno teremos maior aglomeração em ambientes fechados o que pode aumentar o índice de proliferação e contaminação. O verão também contribui para a proliferação desde que a umidade do ar esteja aumentada, pois é deste microambiente (calor, umidade e vetores) que o vírus consegue se manter no verão. Lembrando que todos os seres vivos expostos a extrema seca sofrem e morrem.

Há vacina ou medicamento que cure o vírus?

Quanto a vacina, não a possuímos ainda, no entanto há várias linhas de pesquisa com esse objetivo.

Quanto a medicação até o momento não existem substâncias estudadas de forma eficaz para garantir um tratamento de cura que não traga efeitos colaterais e ou até que possa piorar o quadro do paciente. Oque existem são substâncias que foram utilizadas por algumas pessoas, mas que não mostra um número significante para utilizá-lo mesmo frente a seus contra efeitos. Sito algumas: hidroxicloroquina, azitromicina, lopinavir, ritonavir e ivermectina

Como é o tratamento?

O tratamento será inteiramente de suporte desde o alívio sintomático de um estado gripal leve até estados mais graves dependendo do nível de disfunção orgânica causada ao paciente, como, por exemplo, suporte ventilatório, que inclui máscaras de ventilação não invasiva contendo O2 até mesmo ventilação mecânica invasiva para evitar a exaustão dos músculos ventilatórios necessários para sua própria recuperação da insuficiência respiratória

O vírus deixa alguma sequela na pessoa que teve a doença?

Sim. Sequelas pulmonares como fibrose do parênquima pulmonar e também brônquicas que levam a uma diminuição 20 a 30 % da capacidade pulmonar, sequelas como traqueostomia definitiva ou lesão das cordas vocais por traqueostomias de urgência, lesões cardiovasculares e lesões cerebrais isquêmicas e hipóxicas devido a possíveis paradas cardiorrespiratórias no transcurso de níveis graves da doença.

Pessoa que teve Covid-19 fica imune a doença?

Sim. Desde que uma próxima infeção o vírus seja o mesmo, quero dizer que este vírus possui um potencial de mutação genética que pode driblar nosso sistema imune e até provocar nova epidemia.

Em nossa história já tivemos outras epidemias por coronavírus. Epidemia por Sars-coV1, Epidemia do Meio Oriente e está agora. E se está estudando a possibilidade que nesta pandemia o vírus possa mutar em diversos lugares

Quais são os sintomas apresentados por uma pessoa que foi infectada?

Os principais são febre em 80% dos casos, tosse seca, congestão nasal, dor de garganta, cefaleia, falta de ar, cansaço e dores no corpo.

Como é feito o diagnóstico?

De duas formas que se complementam:

Paciente que possua febre, sintomas respiratórios e possua algum vínculo epidemiológico com pessoas que estavam sob suspeita de portar Covid-19, viagem a lugares onde haja a proliferação do mesmo com positivação de um dos meios diagnósticos laboratoriais, teste rápido que busque em nosso sangue imunoglobulina IgM ou IgG e também (RT-PCR) reação em cadeia de polimerase, onde será procurado o material genético do vírus. Vários testes imunocromatograficos estão sendo pesquisados.

Animais domésticos podem ser infectados com o novo coronavírus?

Essa doença não pode deixar de ser considerada uma zoonose, já que a teoria mais aceita é que tenhamos adquirido o vírus já mutante de algum animal mais exótico que era servido no oriente como refeição (vários animais exóticos). Quanto aos domésticos apenas houve contaminação até o momento em gatos mas os mesmos não transmitiram para seus donos. Segue em investigações tais casos.

Antibióticos são eficazes na prevenção ou tratamento do Covid-19?

Não. Nenhuma substância considerada antibiótica é eficaz na prevenção. No entanto, a substância conhecida como Azitromicina considerado um antibiótico, também possui atividade anti-inflamatória nas vias aéreas e é com este objetivo que ele pode ser usado (anti-inflamatório).

A pessoa pode transmitir o coronavírus mesmo sem apresentar sintomas?

Sim. A maioria dos pacientes são portadores assintomáticos. Eles representam a classe que realmente transmitem o vírus em escala epidêmica, então, neste contexto que ressalto que o isolamento é a melhor forma de prevenção.

A vacina contra influenza ajuda a evitar o coronavírus?

Sim. Ajuda porque, as doenças tanto por influenza quanto por Covid-19 são muito parecidas pois aparecem como Síndromes Gripais. Quando se é vacinado contra influenza, podemos dirigir com mais tranquilidade o caso, pois das duas doenças a mais letal é a influenza com 15 a 20 % de letalidade. Porém não evita o Coronavírus.

Quanto tempo o coronavírus sobrevive em superfícies?

Desde horas a dias, tudo depende da superfície, pois quando expelimos o vírus, ele sai em um envoltório de líquido que são gotículas de nossa saliva, isso faz com que ele possa sobreviver um certo tempo tanto no ar como na superfície de objetos, corrimãos, escadarias, cadeiras, prateleiras, em objetos que utilizamos como apoio. Por isso a importância de lavar as mãos, etilizar álcool gel, e limpar constantemente superfícies

Como diferenciar uma crise alérgica dos sintomas do coronavírus?

Basicamente buscar sintomas relacionados a febre, aumento da temperatura, mialgia, artralgia, dor de garganta. Algum sintoma vem aparecendo com maior frequência como diarreia e rash cutâneo muito semelhante a uma alergia, mas com poucos sintomas pruriginosos (coceira). Outro ponto é que uma crise alérgica com pruridos e crise de broncoespasmos inicia de forma muito rápida, imediatamente ao agente causador, já um Sars-coV2 mesmo grave vai mostrando lentamente seu desenvolvimento.

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