Covid-19: Saiba quais são os cuidados para quem é cardiopata

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Márcio Siqueira é especialista em cardiologia pela Sociedade Brasielira de Cardiologia (SBC) e em Hemodinamica e Cardiologia intervendionista pela SBHCI. Atua em consultório próprio e no Hospital Unimed Missões. Foto: arquivo pessoal

Pessoas acima de 60 anos ou que tenham doenças respiratórias, cardiovasculares ou diabetes estão mais propensas a contrair a doença. Segundo a OMS, para esta população, a instituição aconselha maior cuidado em evitar aglomerações ou locais com pessoas doentes.

Como explica o cardiologista pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) Márcio Siqueira, especialista em Hemodinâmica e cardiologia intervencionista pela SBHCI, pessoas com doenças cardíacas como hipertensão e insuficiência cardíaca estão em risco maior de infeção pelo coronavírus e devem se manter afastadas das situações de risco de contaminação.

“No caso de cardiopatias, quem já tem coração debilitado, mas ainda se mantém relativamente bem no dia a dia, ao ter uma infecção qualquer, incluindo a Covid-19, pode facilmente descompensar a doença cardíaca e ter sintomas”, detalha.

O Covid-19 é transmitido pelo ar e pelo contato próximo com as pessoas infectadas, pode ter sintomas semelhantes ao resfriado, evoluindo para casos graves de insuficiência respiratória aguda.

Uso de medicamentos

O cardiologista diz que medicamentos, como cloroquina e azitromicina, podem causar alterações no eletrocardiograma e, consequentemente, pode levar a arritmias cardíacas graves. “Vale lembrar que ambos isoladamente são usados comumente para tratar infeções respiratórias, no caso da azitromicina, e malária ou doenças reumáticas, no caso da hidroxicloroquina e cloroquina, como segurança documentada há anos e risco baixo de eventos”, explica.

Porém, quando usados conjuntamente o risco de alterações no eletrocardiograma se torna maior e deve ser monitorado. “Por isso se recomenda que seja usado para pacientes internados e que fazer eletrocardiograma diariamente”, alerta.

Márcio explica, ainda, que o aumento considerável de arritmias está ligado a dose. “No estudo que mostrou aumento considerável de arritmias a dose usada de hidroxicloroquina foi cinco vezes maior que a recomendada para tratamento de malária, de forma que o uso na dose correta não tem sido associada a incidência importante de eventos e, portanto, não proíbe seu uso”.

Ele ressalta, ainda, que há estudos conflitantes neste tópico, alguns tendenciosos, mas nenhum com resposta definitiva acerca do assunto. “Nesta linha temos apenas a opinião de médicos que estão na linha de frente, que também são conflitantes, mas há vários relatos pelo Brasil afora: primeiro de segurança no uso na dose correta e especialmente da mudança de prognostico nos pacientes que usaram de forma precoce (primeiros dias de sintomas) comparados a quem não usou”, pondera.

Cuidados

Além dos relacionados as doenças específicas, Márcio diz que é importante pessoa com alguma cardiopatia usar os medicamentos que o médico orienta, ter dieta saudável, praticar exercícios físicos conforme indicado para cada caso, reduzir a ingestão de sal em casos como hipertensão e insuficiência cardíaca. Ainda, “evitar locais de maior risco de exposição como supermercados, evitar aglomerações, usar máscara (cuidado para a máscara não ser a fonte contaminante, evitar ficar mexendo nela)”, reforça.

Quanto ao isolamento radical de familiares, Márcio acredita que pode acarretar em outros problemas como ansiedade e até depressão, “de forma que acredito que não deva ser muito extremo.”

O cardiologista alerta que as pessoas não podem menosprezar problemas crônicos de saúde e se descuidar, “não fazer os exames e consultas de rotina conforme fariam em outra situação, especialmente se pioram dos sintomas das doenças de base”, afirma. “Nestes casos a procura pelo seu médico ou hospital deve ser feita.”

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