Darci Lopes Galvão: um guardião de sementes crioulas, em Santo Ângelo

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Darci Lopes Galvão (na foto ao lado da esposa Nancí) recebeu o certificado da Emater, no dia 18 de agosto de 2016. Foto: Oda Kotowski/JM

Uma herança dos povos indígenas da América Latina – as sementes crioulas – até hoje é mantida por agricultores como Darci Lopes Gavão, 62 anos, morador na localidade de Rincão dos Roratos, que fica a 15 quilômetros de Centro de Santo Ângelo. Assim como os índios, Darci cuida e melhora das variedades crioulas há mais de 30 anos.

Essa dedicação lhe rendeu em agosto de 2016, o certificado de “Guardião das Sementes Crioulas”, concedido pela Emater/RS-Ascar. “A semente crioula é selecionada do próprio alimento durante a sua colheita; normalmente são produzidas em menor escala e com adubo da propriedade, sem o uso de agrotóxicos. Da colheita, são reservadas algumas sementes extraídas dos frutos-fêmea e guardados para o próximo plantio”, explica.

Darci tem mais de 30 tipos diferentes de sementes de abóbora, bergamota, laranja, xim xim, algodão, pepino, melão, arroz, feijão, milho, pipoca, esponja, phisalis verduras e temperos, melancia, sem ramas de mandioca, batata doce, cana de açúcar, entre outras. “A cada ano a gente vai trocando as sementes com outros agricultores durante os jogos rurais Sol a Sol. É preciso ter o cuidado de guardar a semente seca de um ano para o outro. Este é um tipo de semente que não se encontra em agropecuárias. Para combater o ataque de insetos ou fungos produzimos uma mistura natural com folha de mamoma”, explica.

A esposa Nancí Teresinha Luz de Almeida Galvão ajuda Galvão na seleção das sementes e no plantio. “Não é todo mundo que gosta de guardar as sementes. A minha esposa me auxilia nesta tarefa. Os alimentos produzidos com as sementes crioulas são de excelente qualidade”, afirma.

Em Santo Ângelo, segundo o Escritório Municipal da Emater/RS – Ascar, além de Darci Galvão, a agricultora Hilda Copetti também possui o certificado de guardiã de sementes crioulas.

Para Darci, o agricultor representa um herói do campo. “Muitas vezes não somos valorizados, mas temos uma força imensa que eu faço a comparação a um boi manso que puxa um peso com tanta tranquilidade que nem sente. Quando o agricultor parar de produzir, termina tudo na cidade”, acredita.

O QUE SÃO SEMENTES CRIOULAS

As sementes crioulas são variedades tradicionais melhoradas pelas comunidades camponesas do mundo inteiro, não possuindo restrições para sua multiplicação.

Elas representam sementes e mudas de todas as plantas utilizadas; seja como alimento; uso medicinal ou ritual; alimentação animal; ou produção de fibra (têxtil). Geralmente estão sob cuidado dos agricultores e guardiões de sementes.

TIPOS DE SEMENTES

Segundo a extensionista rural da Emater/RS-Ascar de Santo Ângelo, o certificado de guardião é um reconhecimento dado aqueles que contribuem para a manutenção do material genético para a agricultura familiar camponesa e para a preservação da biodiversidade missioneira. As sementes podem ser dos tipos: convencionais são produzidas em escala e com insumos químicos – normalmente as crioulas são produzidas em menor escala e com adubação orgânica; as transgênicas que tem modificação nas células com introdução de genes de animais e as híbridas são as que são cruzadas ente sim e normalmente não dão origem a outras sementes férteis.

PORQUE PRESERVAR A CULTURA

É importante produzir mudas e sementes crioulas pela autonomia e soberania alimentar dos povos; para dispor de sementes e mudas adaptadas às condições locais e da agricultura familiar; para preservar e incrementar a diversidade e conhecimentos herdadas dos nossos antepassados; para construir sistemas de produção completamente agroecológicos – da semente ao alimento – e também atender às exigências legais da produção orgânica; para fortalecer as trocas coletivas e as feiras de sementes crioulas da agricultura familiar e das comunidades tradicionais.

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