Depois de 62 anos, Cine Cisne encerra atividades

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Depois de dez meses com atividades suspensas, Cisne fecha as portas definitivamente

A placa indicando que o Cinema Cisne está fechado, suspensa pelo indicador do personagem Deadpool na vitrine do cine, permanecerá lá. Agora, mais que um fechamento temporário, ela indica o fim de uma longa era, que encerrou na sexta-feira (18).

Pela página do Facebook do Cisne, que antes orientava os cinéfilos sobre horários das sessões, no fim desta semana, trouxe uma notícia ruim: a decisão do proprietário Flávio Pansehagen de fechar definitivamente as atividades.

“The end”. Fim. Foi assim que começou o relato que demonstra o cansaço e tristeza de Flávio em tomar tal decisão – depois de dez meses com as atividades suspensas devido a pandemia de covid-19. “Foi em 18 de março que ligamos pela última vez os projetores. São 10 longos meses, período esse de muita reflexão”, diz o texto de Flávio.

O cinema, que aniversariava junto do município de Santo Ângelo (22 de março), nunca havia fechado ao longo dos 62 anos de história. Porém, agora, conforme relato, Flávio diz que é hora de parar, encerrar o ciclo.

“Vivi de tudo um pouco nesse que sempre foi considerado o baluarte da cultura santo-angelense. Sofri muito e muitos dias de glórias tive no Cisne. Algumas mil horas de filmes, muitas filas, em outras épocas nem tanto, mas isso sempre foi parte do negócio, assim como na tela existem as comédias e os dramas, na vida a frente das telas (no passado era uma só e gigantesca) nunca foi diferente. Por diversas vezes quase fechamos, mas sempre surgia uma luz no fim do túnel ou seria no projetor, e seguíamos nossa história.”

Flávio encerra agradecendo o apoio da esposa Andressa Tesche e do amigo Carlos Dutra. Rememora os pais Hélio e Wilma Panzenhagen. Por fim, pede desculpas à comunidade: “chegou a hora de separar a emoção da razão, o corpo e a mente cansaram, o mundo é competitivo como sempre foi e sempre será, então chegou a hora de parar, o futuro do Cisne como cinema a Deus pertence.”

‘Cine Cisne: Fecham-se as cortinas!’

Alceu Mioso, que herdou parte do Cisne do pai Marcelo Mioso, parte esta adquirida por Flávio mais tarde, lembra com carinho do cinema: “quando comecei a ir no cinema tinha 5 anos de idade (ano que vem vou fazer 70). Naquela época ia com meu pai (Marcelo Mioso) na construção do Cisne, quando inaugurou, tinha sete anos. De lá pra cá, minha vida nunca saiu de perto do Cisne. Claro, vendi minha parte, mas não conseguia ficar longe do cinema. Era uma paixão”, diz Alceu.

Dos tempos áureos do Cisne, Mioso lembra que este era o cartão de visitas da cidade. Era o ponto de encontro dos jovens. Santo Ângelo chegou a ter cinco cinemas, o Vogue, Cisne, Municipal, Belvedere e Avenida. “Agora ficamos com nenhum”, pondera Mioso.

Paulo Prado, vice-presidente da Academia Santo-angelense de Letras (Asle) e idealizador do Museu Municipal do Cinema Vivaldino Prado, demonstrou-se surpreso com a notícia, porém, afirma que “o timoneiro do Cisne, o Flávio, como comandante de seu navio, só sucumbiria quando as águas o pegassem na ponta do mais alto do mastro”, destaca. “Ruem não apenas os sonhos da família Panzenhagem, ruem o meu sonho, o seu sonho. O sonho dos santo-angelenses e demais conhecedores desta saga que foi a história do Cine Cisne. Ficará na memória de gerações, esta casa de espetáculo que nos encantou com sua programação sexagenária”, diz.

Ainda, Prado diz que apesar de desconhecer os motivos, sabe do empenho de Flávio para manter o cinema aberto. “ele sempre achou uma maneira de dar a volta e continuar oferecendo aos seus concidadãos, o espetáculo televisivo”, observa. “Buscou recursos e apoios onde outros sequer imaginariam, e por 60 anos nos oferecia semanalmente as portas abertas deste cinema que é um caso de amor com os santo-angelenses.”

História

Cine Cisne (1958) – O Cine Cisne foi inaugurado em março de 1958, com o lme Viva Las Vegas, pelos então sócios Marcelo Mioso, Fiorindo Fantinelli, Carlos Conrado Panzenhagen Filho e Domingos Boldrini. Hoje o Cisne ainda se mantém sob a propriedade de Flávio Panzenhagem. O nome do cinema foi escolhido através de concurso com a participação de toda a população. Possui a maior tela de cinema do Estado. Nos anos 70, os ns de semana geravam las que dobravam o quarteirão, tamanha era a movimentação.

Mini Cisne (2009) – O Minicisne foi inaugurado em 22 de março de 2009, na data de aniversário do município e no dia em que o Cinema Cisne completou 51 anos. Fica no mezanino do Cisne, com capacidade para 145 pessoas. possui tela de 3 metros de altura por 7 de comprimento. Nova sala foi chamada de Hélio Carlos Panzenhagen, o pai de Flávio, que em 1972 idealizou o projeto. No último ano, o Cine Cisne ganhou novas duas salas identicadas como “Belvedere” e “Teatro Municipal”, nomes dos outros dois cinemas da empresa Cine Missioneira Ltda.

*informações retiradas do livro 100 anos de Cinema em Santo Ângelo, de Paulo Prado

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