Dezesseis anos sem Brizola

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Leonel de Moura Brizola morreu em 21 de junho de 2004. Seu sepultamento parou São Borja. O “berço do trabalhismo” recebeu mais de 25 mil pessoas, segundo estimativas oficiais, para se despedir do único político brasileiro eleito para governar dois estados.

Brizola morreu na noite da segunda-feira, 21 de junho de 2004, no Rio de Janeiro, aos 82 anos. Depois de homenagens no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, o trabalhista histórico foi sepultado em São Borja, na tarde da quarta-feira, 23 de junho, no mesmo cemitério dos túmulos de Getúlio Vargas e João Goulart, além da mulher de Brizola, Neusa.

Getúlio, Jango e Brizola foram os principais líderes do do antigo PTB (1945-1965), partido de linha nacionalista com forte presença nos sindicatos -que, na época, eram subordinados ao Ministério do Trabalho. Getúlio presidiu o país de 1951 a 1954. Jango foi vice-presidente de 1956 a 1961, e presidente até ser deposto, em 1964.

A Brigada Militar calculou que 25 mil pessoas participaram das homenagens a Brizola em São Borja. Estivemos lá, eu e o colega Fernando Gomes, que fez os registros fotográficos do momento histórico e que agora, nos 16 anos da morte do grande líder trabalhista, irá realizar uma exposição do material em sua página no Facebook. Existe ainda o convite para que exponha as fotos na Assembleia Legislativa gaúcha.

São Borja parou. Em todos os lugares pessoas se posicionavam com fotos, cartazes e faixas lembrando Brizola. Depois de 20 anos de exílio, Brizola retornou ao Brasil em 1979, chegou em Foz do Iguaçu e de lá para São Borja. “São Borja é como entrar pela porta da frente da nossa própria casa”. E esse carinho era recíproco, ficando claro na multidão que se formou para acompanhar o cortejo fúnebre. Diversas das principais autoridades e lideranças políticas do país estiveram lá. Mas era do povo, do trabalhador, do gaúcho simples da fronteira que vinham as manifestações mais expressivas e apaixonadas.

De botas, bombachas e lenços vermelhos, a pé pelas calçadas ou a cavalo, acenando fotos e cartazes do líder, deixavam claro a importância da linhagem trabalhista, lembrando a todo momento de Vargas e Jango.

A “Terra dos Presidentes” rendeu-se para um outro caudilho, que não chegou ao Planalto, mas com uma trajetória política marcante e elogiável e uma visão muito ampla, antecipando muita coisa que ocorreu e ainda ocorre, quem sabe, pela falta que faz hoje na política nacional alguém com a estirpe de Leonel Brizola.

 

Fotos: Fernando Gomes/ Texto: Hogue Doneles

 

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