Lavouras de soja estão em fase de recuperação

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Em Santo Ângelo foram plantados 35 mil hectares com soja.

A escassez de chuva registrada da segunda quinzena de dezembro até a semana passada acabou causando prejuízos nas lavouras. Esses danos só não são piores porque com as precipitações da semana passada e desta semana as lavouras de soja e as pastagens estão em processo de recuperação.

Essa é a avaliação de Álvaro Uggeri Rodrigues, agrônomo chefe do escritório local da Emater. Segundo ele, a chuva que alcançou média de 53 milímetros na semana passada e mais a precipitação registrada na noite desta terça e nesta quarta provocam um novo cenário. “Passada a situação de estresse hídrico, o que está sendo vivenciado agora é um processo de recuperação, principalmente da soja”, avalia.

Álvaro comenta que as lavouras de soja foram atingidas quando estavam em estágio de desenvolvimento vegetativo, mas a recuperação tem sido bem significativa, dando um novo ânimo aos agricultores. “A soja está apresentando um bom potencial produtivo e, caso as condições climáticas permaneçam colaborando até o fim do ciclo, a colheita será boa”.

De acordo com o agrônomo, a maior parte das lavouras de soja do município está nas fases de florescimento e formação de grãos, que são considerados estágios críticos se voltar a ser registrado déficit hídrico.

Sobre os prejuízos causados pela falta de chuva, Rodrigues ressalta que levantamentos apontam uma quebra de 15% nas lavouras de soja.

Diante disso, a projeção inicial de produtividade média era de 60 sacas por hectare mas deve cair para algo em torno de 51 sacas por hectare. “Ainda é uma colheita considerada de razoável a boa. Agora é torcer para o clima auxiliar, especialmente nos meses de fevereiro a março”.

Produção leiteira deve diminuir entre oito e 12 mil litros por dia

A bovinocultura de leite é outro setor afetado. Além dos prejuízos com a pastagem diretamente pela falta de chuva e alta temperatura, outra situação é que a reprodução pode ser afetada. A exposição às altas temperaturas e à radiação solar intensa, que podem afetar a fertilidade das fêmeas.

Nas pastagens sem sombra, é necessário que o produtor perceba que os bovinos estressados por causa do calor se expressam fisicamente por meio da movimentação excessiva, agrupamento nos extremos do piquete, ingestão frequente de água e descanso na posição deitada.

Conforme Álvaro Uggeri Rodrigues, o estresse térmico tem impacto negativo na performance de vacas em lactação. Os animais perdem calor corporal por radiação, condução, convecção e evaporação.

A produção média diária de leite em Santo Ângelo alcança 60 mil litros. Entretanto, com os déficits hídrico e térmico, deve cair para algo em torno de 48 a 52 mil litros/dia. “Mas vale ressaltar que estamos num período de recuperação”, acentua o agrônomo da Emater.

Milho teve quebra de 20%

Com relação as lavouras de milho, Álvaro Uggeri Rodrigues, a incidência da falta de chuva ocorreu nas proximidades do período de colheita. A maioria dos 4,3 mil hectares cultivados com milho no município já estão colhidos e a quebra atinge 20%.

A projeção apresentada pelos membros da Comissão Municipal de Estatísticas Agropecuárias (Comea) do IBGE era de uma produtividade média de 140 sacas por hectare. Entretanto, deve ficar entre 110 e 120 sacas por hectare, o que segundo Rodrigues, ainda é razoável.

A colheita do milho deve ser encerrada nos próximos dias.

Produção de hortaliças também registrou prejuízos

Além da soja e milho, outras culturas apresentaram prejuízos com a escassez de chuvas. No caso das hortaliças a situação se agrava pelas altas temperaturas. A exposição ao sol e o calor intenso provocam uma série de danos às plantações, sobretudo nas de verduras.

“As folhosas, como a alface, são as mais afetadas”, lembra Rodrigues. O agrônomo da Emater afirma que mesmo a produção irrigada acaba sofrendo, pois o sol acaba queimando as folhas verdes, além da temperatura ressecar e desidratar essas folhas.

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