Mais de um século de história e as incertezas do futuro do cinema em Santo Ângelo

0
404
Paulo mostra uma das peças do Museu: um PATHE VOX 9,5 mm de 1917, origem francesa. Fotos: Daniele Angnes/JM

A crianção do cinema, propriamente dito, passa por algumas etapas, desde a criação do cinetoscópio, de William Dickson, assistente do cientista e inventor americano Thomas Edison, até 1895, quando os irmãos Lumiére patentearam o cinematógrafo (equipamento que projeta a luz das imagens-movimento em tela, em quadros por segundo). A partir daí passaram a fazer produções de pequena capacidade e a exibi-las em sessões especiais.

No ano seguinte esta história desembarca no Brasil, e anos mais tarde chega ao interior do Rio Grande do Sul, com os cinemas itinerantes.

Paulo Prado, idealizador do Museu do Cinema Vivaldino Prado, lembra que o avô (Vivaldino) era um destes pioneiros da exibições cinematográficas. “O Vô, todo fim de semana passava filmes, ou na cidade (em Redendota) ou em outras próximas”, lembra. Até a adolescência Paulo acompanhou Vivaldino nas andanças pelos municípios vizinhos.

Na mudança de cidade, Vivaldino parou de exibir os filmes, mas deixou em Paulo uma semente: o amor pelo cinema. Mais tarde, ele começou a colecionar e catalogar peças que contam esta história mundial e santo-angelense.

O cinema e Santo Ângelo

Sendo uma das cidades com mais relação com a sétima arte, Santo Ângelo chegou a ter nove Cinemas (O Cine Ideal; Coliseu; Apollo; Avenida; Municipal; Cisne; Belvedere; Vogue e o novo Cisne). “Tudo começou em 1911, na frente da Praça Pinheiro Machado (quase em diagonal com o Clube Gaúcho) foi criado o Cine Ideal – era um antigo clube, que se transformou em cinema”, conta ele, que no livro “100 anos do Cinema em Santo Ângelo” relatou toda esta trajetória. “Depois foram criados outros. Então, acredito que a comunidade de Santo Ângelo, 15 anos depois da criação do cinema, já tinha sessões aqui. Desde aí, até hoje, sempre tivemos cinema. Vejo que a cidade sempre esteve envolvida com esta arte”, acrescenta.

Cine Cisne

Remanescente dos tempos áureos, o Cine Cisne foi inaugurado em 22 de março de 1958 (e reinaugurado em março de 2009, quando recebeu novas salas). É único que segue funcionado na cidade, porém, em meio a pandemia teve de suspender as atividades. Flávio Panzenhagen, proprietário, afirma que a história, tanto do Cisne, quanto do cinema na cidade, tem uma relação “de amor e carinho, que passou por muitas dificuldades”.

Ainda, segundo Flávio, com seis meses de portas fechadas o futuro é incerto. “Muita coisa está mudando, as produtoras lançam filmes diretamente nas plataformas de streaming, situação financeira das pessoas, a pandemia, que vai exigir muitos protocolos de segurança (na reabertura). Sinceramente, é uma incógnita”, avalia.

Vivaldino Prado, que empresta o nome ao Museu Municipal, é avô de Paulo Prado. Vivaldino fazia sessões de cinema em cidades do interior e passou o amor pelo cinema ao neto. As peças foram adquiridas e catalogadas por Paulo Prado e se tornaram de domínio público após doação do acervo e intervenção do Ministério Público Federal, através do Procurador da República, Dr. Osmar Veronese.
Tetty Frey, homenageada com seu nome na sala de projeção, que fica junto do museu, foi uma mulher a frente do seu tempo, independente, artista e administradora do cinema Cinema Avenida.

 

Visita virtual

Com a pandemia de Covid-19, o Museu do Cinema está fechado para a visitação do público, mas, quem quiser conhecer o local, pode fazer uma visita virtual (veja aqui).

“Desde que foi decretada a pandemia, museu trabalha de portas fechadas, em turno único e atendimento telefônico.

Mas quem quiser visitar o museu, pode fazer um tour virtual”, destaca Zolândia Ferreira da Silva, responsável pelo local.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here