Músicos e produtores lamentam pandemia e cancelamentos de eventos

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Emerson, Policena e Janílson relatam as enormes dificuldades enfrentadas por quem vive da realização de eventos. Foto: Hogue Dorneles/JM

Eventos foram cancelados e outros ainda estão sem data para realização. A pandemia do Coronavírus silenciou os músicos e a falta de eventos afeta diretamente a vida de quem depende da renda das promoções.

Os cancelamentos e adiamentos de eventos culturais por conta da pandemia do Coronavírus causam prejuízo à músicos e produtores culturais.

Uma das primeiras medidas de enfrentamento ao vírus foi o cancelamento dos eventos que possam causar aglomerações, algumas casas de shows e bares privados também decidiram por restringir suas promoções.

O músico Emerson Cipolato, que se apresenta sozinho e ainda integra o Quarteto de Ouro, teve vários eventos cancelados e sofre com as dificuldade e incertezas do momento. “Estamos sem poder trabalhar, sofrendo com as dificuldades e com uma incerteza muito grande sobre o que irá acontecer, o que nos deixa de mãos amarradas”, lamenta.

Com 14 eventos cancelados desde o mês de março e sem as apresentações que fazia em bares, Emerson busca o Auxílio Emergencial do Governo Federal para se manter. Entretanto, aí também a dificuldade é muito grande. “Desde que abriram as inscrições estou esperando e o pedido segue em análise. E assim como vários outros músicos estão tentando essa ajuda”.

BUSCA DE APOIO GOVERNAMENTAL

Luiz Policena, produtor de eventos, especialmente voltados para a segunda e terceira idade, também lamenta as dificuldades. “A falta de eventos representa a perda do ganha pão para músicos e produtores. O que temos no momento é uma falta de perspectiva para quem atua nessa área. A pergunta que fica é: como vão sobreviver a essa situação. Se não apresentam não ganham e infelizmente a gente não tem uma medida que saneie isso”.

Policena conta que já foram mantidos contatos via deputados estaduais, incluindo o parlamentar santo-angelense Eduardo Loureiro, para a conquista de auxílio a profissionais que atuam na área. “Esperamos uma ajuda do Governo do Estado, com medidas assistenciais e até mesmo a destinação de cestas básicas a cada 15 dias até o fim do ano para nos nossos músicos”.Quanto ao Governo Federal, ele diz que foi aventada a possibilidade de auxílio via BRDE, mas que isso é muito difícil de ser obtido pelas bandas e trios que atuam na região devido às exigências burocráticas.

Já em relação ao Município, alguns representantes da classe estiveram reunidos na quinta-feira (14) com o prefeito Jacques Barbosa tratando de medidas e ações que estão sendo realizadas e outras que podem ser desenvolvidas.

TERCEIRA IDADE

O produtor conta que o último evento marcado antes da parada foi no dia 15 de março e apenas um casal compareceu. “Nosso público alvo são pessoas das chamadas segunda e terceira idade, justamente dos considerados grupos de risco. Isso quer dizer que, mesmo depois que a pandemia passar, vão levar em torno de 30 a 60 dias para as coisas voltarem ao normal”.

DEMISSÕES

Janílson Martins, da Àudio Sistemas, conta que já devolveu o dinheiro recebido como adiantamento, além de ter algumas remarcações, que são os casos dos casamentos. “Quem vai casar, está remarcando a festas. Quanto aos outros eventos, todos são cancelados”.

Diante das dificuldades, Janilson já demitiu seis funcionários. “Não há outra maneira. Antes, mesmo não tendo uma renda fixa, tínhamos uma noção mínima do valor que iríamos ganhar mensalmente. Agora é zero”.

 

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