Oito anos depois, marca da estiagem volta a aparecer no rio Ijuí

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Oscar Renna, Diomar Formenton (secretário de Agricultura em 2012) e o Darci Donadel voltaram ao ponto onde a pedra apareceu. Fotos: Oda Kotowski/JM

A estiagem volta a preocupar agricultores de Santo Ângelo, oito anos depois do último registro do fenômeno no município. Uma das provas de que os níveis dos rios baixaram por causa da escassez de chuva está na Linha Sabiá, comunidade distante 30 quilômetros do centro de Santo Ângelo, onde uma pedra com a marca da última estiagem no município voltou a aparecer, no leito do Rio Ijuí, na divisa com o município de Vitória das Missões.

No dia 5 de abril de 2012, o marceneiro e agricultor aposentado Darci Donadel, 67 anos (à época com 59 anos), gravou na pedra a triste lembrança de um período de sete meses de seca, usando uma furadeira e afixando com concreto sob uma taipa, supostamente construída para a travessia dos índios e padres jesuítas.

“Eu escolhi este local, porque meu pai sempre falava que aqui os índios construíram um passo para fazer a travessia entre Santo Ângelo e Vitória das Missões. Pensei que depois daquele ano seria difícil ver novamente a pedra aparecer. Hoje estou triste em enxergar esta pedra novamente em tão pouco tempo”, conta Donadel lembrando que a última vez em que a taipa apareceu foi por volta de 1940.

O agricultor Oscar Renna conta que no ponto onde a pedra com a marca da estiagem apareceu, o rio Ijuí possui cerca de 6 metros de profundidade. “E agora, está mais ou menos 2 metros mais baixo”, diz.

Marca em pedra foi gravada no dia 5 de abril de 2012.

Em 2012, Diomar Formenton era secretário de Agricultura de Santo Ângelo e nessa semana, voltou até o ponto onde a marca foi colocada. “A gente fica triste por ver novamente esta situação. Se a pedra está aparecendo é porque temos uma nova estiagem e mais dificuldades para os nossos agricultores”, lamenta.

Naquele ano, foram abertos pela Prefeitura de Santo Ângelo mais de 500 bebedouros no município para os animais. “Agora em 2020, só na Linha Sabiá temos o pedido para abertura de 12 a 15 bebedouros e nossas máquinas estão tendo dificuldades para encontrar água”, conta Formenton, relatando que só nesse ano já foram abertos 60 e há uma lista de espera com outros 80 bebedouros.

Neste momento a única esperança dos agricultores é que de que a chuva não tarda a ocorrer.

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