Quando um paciente é considerado curado de Covid-19?

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Vando recebeu alta no dia 6 de maio

A confirmação do primeiro caso de Covid-19 em Santo Ângelo foi em 28 de abril. Desde então, o município já registrou 30 resultados positivos para o vírus, dois óbitos (incluindo o primeiro caso na cidade) e 67 casos descartados. Além disso, cinco casos suspeitos aguardam confirmação do Lacen. Ainda, outro número importante, 11 pessoas são consideradas recuperadas da doença em Santo Ângelo.

Entre os pacientes recuperados está o ex-vereador e ex-secretário de Esportes, Osvaldir Ribeiro de Souza, que deixou o HSA no dia 6 de maio depois de mais de uma semana internado.

Apesar da alta, Vando conta que segue em contato com o médico e recebe orientações do Ministério da Saúde, “que liga todos os dias”, diz. Nos primeiros dias fora do Hospital, lembra que estava abatido e com dificuldade na alimentação em função dos efeitos da medicação e da própria doença. A recuperação tem sido, além do acompanhamento médico, com apoio de fisioterapeuta: “Fizemos uma rotina de exercícios que o fisioterapeuta passou para melhorar a respiração e resistência”, reforça.

O período de isolamento domiciliar encerra hoje. “Vou ficar uns dois meses até voltar sem dificuldade. Depois que você passa por uma experiência dessas, vou ter um pouco mais de cautela. Ninguém tem certeza do momento que isto vai acabar. É verdade que as principais atividades não vão parar e as pessoas precisam tocar suas vidas e, principalmente trabalhar, só uma parcela muito pequena da sociedade tem condições econômicas de ficar em casa”, avalia.

Quando paciente é considerado recuperado?

A OMS considera, no caso dos doentes confirmados por critério laboratorial, que estão recuperados aqueles que tiveram dois resultados negativos para SARS-CoV-2 com, pelo menos, um dia de intervalo. Já nos casos leves de covid-19, a OMS estima que o tempo entre o início da infecção e a recuperação dure até 14 dias.

Para compreender quando um paciente é considerado curado da doença, o Jornal das Missões conversou com a médica pneumologista da Unimed Missões Luciana Cassol Bortolini.

Conforme explica Luciana, o tempo que o paciente com a Covid-19 permanece infectado é incerto.“Estudos que se basearam na presença do RNA viral nas vias aéreas de pacientes já tratados, concluíram que resultado positivo não significa presença de vírus infectante. O que se sabe é que a carga viral se torna negativa próximo ao 14º dia da doença na maioria dos casos não graves”, detalha.

Médica pneumologista
Luciana Cassol Bortolini. Foto: Arquivo pessoal

JM: Quais os sintomas pós-alta?

Luciana Cassol Bortolini: Depende. Geralmente, o paciente que necessitou ser internado é porque desenvolveu forma moderada ou grave da doença. Esse paciente, mesmo que não tenha sido internado em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), pode levar até 2 meses para se recuperar totalmente. Os principais sintomas relatados são fraqueza, falta de ar e tosse.

JM: Há sequelas entre aquelas pessoas que tiveram de ficar na UTI e pessoas que não necessitaram de auxílio médico/hospitalar?

Luciana: Aquelas pessoas que não necessitaram de auxílio médico/hospitalar é porque tiveram sintomas leves e, portanto, dificilmente desenvolverão sequelas da doença. Já aqueles que precisaram de internação em UTI e suporte ventilatório podem desenvolver diversas formas de sequelas, que vão desde a traumas psicológicos até danos pulmonares definitivos como fibrose pulmonar.

JM: Quais cuidados deve ter após a alta (no retorno as atividades de rotina anterior a doença)?

Luciana: Bom, isso o próprio corpo dirá. Assim que o médico liberar o paciente para retornar as suas atividades, é importante que o mesmo observe e respeite seus próprios limites. Uma alimentação saudável e atividade física orientada são sempre bem-vindos.

JM: Uma vez infectado pelo vírus e curado, a mesma pessoa pode ser contaminada novamente?

Luciana: Os dados sobre imunidade após a Covid-19 ainda são obscuros. Algumas evidências sugerem que os anticorpos induzidos pela doença são protetores, mas não se sabe se todos os pacientes infectados produzem essa resposta imune e nem por quanto tempo ela durará.

 

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