Quando um sino é tocado, algo de importante está acontecendo, acontece ou vai acontecer

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Selma Diel e Plínio Mundstock, moradores do Distrito União que por vezes batem o sino

O sino bate às 6h. É hora de levantar, tomar café e ir para ao trabalho no campo. 12h, ao longe na lavoura se ouve a batida novamente. Hora de almoçar, descansar um pouco e voltar à lida. 18h, mais uma vez. Chega o momento de parar e voltar para casa. Era assim, anos atrás, nas comunidades do interior. Por meio do sino que os colonos se orientavam. Hoje essa cultura, aos poucos se perde.

No Distrito União, o alto de uma torre abriga um pequeno sino, que ainda tilinta (som que sino faz ao ser agitado). Mas não como antes. Agora avisa os fiéis a hora de começar a missa ou o culto, ou quando algum integrante da comunidade falece. Ação se reproduz em outras comunidades do interior. Na cidade, a Catedral ainda bate o sino e a Igreja do Relógio (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil).

Selma Diel e Plínio Mundstock, integrantes do Conselho Administrativo da Comunidade, que muitas vezes são responsáveis por bater o sino, contam que é uma tradição no interior. “É uma cultura, quando batem o sino todos já sabem o que significa”, diz Selma. Isso porque cada mensagem tem um movimento diferente.

Quando é de começar a missa, o som é normal. O badalo bate nas duas laterais da cúpula. Quando um integrante da comunidade falece, há uma outra corda, presa da haste central (que é o badalo), aí esta é puxada para bater somente em uma das laterias. conforme a idade da pessoa, seguem as batidas.

O professor da PUC Porto Alegre e coordenador do Grupo de Pesquisa em Arte Sacra Jesuítico-Guarani e Luso-brasileira, Edison Hüttner explica que os sinos fazem parte das características do povo. “É o objeto sacro que une a beleza e o som. Os toques dos sinos representam a linguagem do sinal. Três toques para anunciar falecimentos. Os toques organizam a mensagem que precisa ser dada. E cada capela pode também criar seus padrões. Mas o importante é ouvir o tim, tim…tum, tum”, afirma. Ainda, para ele, quando um sino é tocado, algo de importante está acontecendo, acontece ou vai acontecer. “Faz parte da identidade dos sinos avisar a comunidade”.

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