Quebra na soja chega a 50% e Emater aponta prejuízo de R$ 84 milhões

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Falta de chuva e calor intenso causam perdas nas lavouras de soja plantadas em Santo Ângelo. Foto: Oda Kotowski/JM

Uma reunião entre setores do Poder Público Municipal e entidades ligadas ao setor primário, na tarde de terça-feira (10), definiu a formação de uma força-tarefa para socorrer o meio rural assolado pela escassez de água e com extremas dificuldades para a dessedentação dos animais, com reflexos em perdas substanciais na produção leiteira e na suinocultura, além da produção de grãos já bastante afetada pela falta de chuvas.

Nas ações desencadeadas para mitigar os efeitos da estiagem no meio rural, o Governo Municipal disponibilizará o maquinário das secretarias da Agricultura, dos Transportes e do Meio Ambiente para trabalhar emergencialmente na limpeza e abertura de bebedouros nas propriedades. A partir da decisão, a força-tarefa irá avaliar as localidades mais atingidas para encaminhar o atendimento.
Segundo a Secretaria dos Transportes, muitos agricultores já estão sendo atendidos pelo município, no entanto, o estio prolongado tem aumentado a demanda diariamente.

AUXÍLIO
Os sindicatos, patronal e dos trabalhadores, irão auxiliar seus associados no preenchimento do registro on-line de desastres, disponível no site www.santoangelo.rs.gov.br.
A reunião foi provocada pelo Governo Municipal, por meio da Defesa Civil, atendendo a uma solicitação do prefeito Jacques Barbosa, e contou com a participação do presidente do Sindicato Rural, Laurindo Nikititz; do presidente Daniel Casarin e do vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Oswaldino Lucca; do chefe do Escritório local da Emater, Álvaro Uggeri Rodrigues; do secretário do Meio Ambiente, Francisco da Silva Medeiros; do chefe de Gabinete do Executivo, Airton Peruzzi; e dos coordenadores Diomar Formenton (Agricultura), Délcio Cargnelutti (Transportes) e Adelar Cavalheiro (Defesa Civil).

Emater/RS-Ascar divulga atualização
da estimativa de quebra no Estado

Em caráter excepcional, por solicitação da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), a Emater/RS-Ascar divulgou, nesta quarta-feira (11), uma atualização da estimativa de perdas na produtividade, em relação à estimativa inicial divulgada em agosto do ano passado, das culturas de soja (-32,3%) e milho (-26,3%) da safra 2019/2020.

RETRATO DA SITUAÇÃO
Esses dados são referentes ao retrato da situação até a última segunda-feira (9), e não a uma projeção para o resultado após a safra.
“A estiagem persiste e esses números podem aumentar”, anunciou o diretor técnico Alencar Ruger. Ele destaca ainda que o levantamento apresenta perdas de até 75% em alguns municípios, mas o dado refere-se a uma média estadual.
O presidente da Instituição, Geraldo Sandri, ressalta que o monitoramento das lavouras é acompanhado periodicamente não há previsão de uma nova divulgação de dados antes da conclusão da colheita.

Soja
Estimativa produtividade média (kg/ha)
Inicial – 3.315
Atual – 2.245
Variação – -32,3%
Estimativa produção (ton)
Inicial – 19,7 milhões
Atual – 13,3 milhões
Variação – -32,2%

Milho
Estimativa produtividade média (kg/ha)
Inicial – 7.710
Atual – 5.679
Variação – -26,3%
Estimativa produção (ton)
Inicial – 5,9 milhões
Atual – 4,4 milhões
Variação – -25,2%

Perdas irreversíveis e
prejuízo de R$ 84 milhões

Na avaliação do grupo, as perdas no setor primário com a estiagem são irreversíveis e os percentuais tendem a aumentar, caso não haja um bom volume de chuva nos próximos dias.
A estimativa inicial é de que a quebra na cultura da soja em Santo Ângelo alcance 50% da produção, o que representa um prejuízo avaliado preliminarmente em R$ 84 milhões, segundo a Emater. “Os números são diferentes a cada dia e, sem chuvas, o indicativo é de mais perdas”, disse Álvaro.

O Poder Público Municipal e as entidades estão concluindo um relatório do setor primário com os reflexos da estiagem na produtividade e na economia e não está descartada a decretação de situação de emergência em Santo Ângelo.

Os números serão apresentados nesta quinta-feira, 12, às 9 horas, em reunião da Comissão Municipal de Estatística Agropecuária (Comea), no plenário da Câmara de Vereadores, quando será decidido pelo decreto de emergência ou não.

Segundo o coordenador da Defesa Civil, Adelar Cavalheiro, há uma legislação a ser observada pelo município e o relatório a ser apresentado na reunião será decisivo para confirmação da situação de emergência em Santo Ângelo.

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