“Sempre respeitamos os demais. É uma questão ética, de decência”

0
204
Montalverne : “Não sou vingativo, penso que levaram uma boa lição. Numa próxima vão pensar melhor antes de agir”. Foto: Hogue Dorneles/JM

Assim manifestou-se o presidente do PSDB santo-angelense, reconduzido ao cargo nesta semana por uma decisão judicial que considerou a intervenção na sigla uma “manobra do grupo dissidente e vencido na convenção do PP”

O PSDB de Santo Ângelo sofreu uma intervenção da direção estadual no início da semana, mas o presidente Montalverne Beltrão conseguiu reverter a situação na Justiça e retomou o cargo. A decisão é liminar.

Dizendo-se magoado e taxando o fato como uma agressão e deslealde, Montalverne afirma que não é vingativo e pensa que os autores da manobra política vão aprender com o episódio. “Sempre respeitamos os dirigentes de outros partidos. É uma questão de ética, de lealdade, de decência. Não sou vingativo, penso que levaram uma boa lição. Se acharam muito inteligentes e subestimaram o PSDB de Santo Ângelo. Numa próxima vão pensar melhor antes de agir assim”.

Manobra

Segundo Montalverne a manobra da intervenção começou a ser montada a partir do momento que os membros do PSDB local, após analisar o quadro político, decidiram pelo apoio à coligação liderada pelo PDT e que busca a reeleição do prefeito Jacques Barbosa. Ocorreu uma tentativa de fazer com que o PSDB apoiasse a coligação formada por PL, Republicanos e PL, que na época tinha anunciado o apoio do PP para as candidaturas de Bruno Hesse e Lucas Lima.

“Somou-se a isso o resultado da convenção do PP, quando ficou decidido que o partido lançaria chapa própria. Com a derrota estrondosa na convenção do PP, um grupo dissidente se viu acuado e procurou uma nova sigla, mas agiram de forma errada. Temos longa vida na militância política e jamais faríamos isso. Convivemos num município pequeno, foi um fato que desabona a conduta deles”.

Decisão judicial 

Montalverne comentou ainda a decisão da juíza Marta Martins Moreira, que em seu despacho declarou que “se trata de uma manobra do grupo dissidente e vencido na convenção do PP”. “Fizeram um acordo com a direção estadual do PSDB. Nosso partido também tem suas alas. Eu apoio o grupo da ex-governadora Yeda Crusius, da deputada Zilá Breitenbach e o outro é formado pelo prefeito de Porto Alegre (Nelson Marchezan Junior) e pelo presidente da direção estadual Mateus Wesp. Eles aproveitaram dessa situação e fizeram um acordo para dissolver a nossa comissão provisória e apoiar o candidato do PL”.

Logo na sequência da intervenção, foi nomeada uma nova comissão provisória, formada por dissidentes do PP, sendo presidida por Alini Winges Boeno, cujos membros em sua maioria sequer eram filiados ao PSDB. “Eles se filiaram depois da intervenção. O estatuto do nosso partido é claro, só pode votar e ser votado na convenção quem possuir no mínimo seis meses de filiação. Em caso de dissolução, a filiação deve ser de no mínimo 30 dias de antecedência”.

Inscrições em autorização 

O presidente tucano afirma ainda que na comissão provisória nomeada pela intervenção foi inscrito o nome de um membro do partido sem sua autorização. “Ele reclamou e afirmou que não autorizou a colocação do seu nome e que vai tomar providências contra essa grupo”.

A justificativa para a intervenção de que existia uma resolução nacional que impede a coligação do PSDB com o PDT também foi refutada. Conforme Montalverne, o próprio Mateus Wesp, presidente estadual da sigla, chegou a afirmar que via com “bons olhos” a coligação dom o PDT. “Ele me disse isso. Porém, depois devido as divergências internas do nosso partido e à manobra orquestrada em Santo Ângelo, decidiu pela intervenção”.

Promessa de auxílio financeiro aos candidatos se coligação fosse com o PL

O PSDB local decidiu não lançar candidatos a vereador. Montalverne Beltrão afirma que essa decisão foi motivada pela falta de apoio financeiro da Executiva estadual. “Não recebemos apoio da direção estadual naquilo que pleiteávamos”.

Entretanto, segundo ele, teria sido feita uma promessa de ajuda financeira caso a posição do PSDB local na eleição fosse outra. “Haveria apoio, até financeiro, se estivéssemos aliados com o candidato do PL. Passaria dos cem mil reais”, ressaltou.

Futuro político e agradecimentos

Montalverne que já foi vice-prefeito entre 2000 e 2004 e presidente da Fenamilho Internacional, afirma que não possui maiores pretensões políticas. Se define como um empresário do agronegócio e diz que vai cuidar de seus negócios e da família.

Sobre o episódio da intervenção, acentua que sua honra esteve em jogo e que tentaram manchar a sua história. “Usando o microfone de uma emissora de rádio tentaram denegrir o caráter de uma pessoa que sempre agiu de forma transparente”.

Em entrevista ao radialista Luiz Roque Kern, da Super Rádio Santo Ângelo, o presidente do PSDB fez questão de citar algumas pessoas que lhe prestaram apoio, a começar pela esposa Marlene. Também citou o advogado João Luzardo Beck Aquino, seu padrinho de filiação ao PSDB, os companheiros de partido Carlos Lunardi e Vitor Hugo Piccoli, os amigos Hasadias Amaral da Silva e Leonesildo Bertê, a ex-governadora Yeda Crusius e a deputada Zilá Beitenbach, o advogado Itaguaci Meirelles Corrêa, João Baptista Santos da Silva, Nara Damião e Preta Belinazo, do MDB, e o deputado estadual Eduardo Loureiro.

“O deputado Eduardo Loureiro é extraordinário. Nunca o vi agredir adversário, trata sempre a política em alto nível, por isso tem o sucesso merecido. Aprendeu com seu pai, saudoso Adroaldo e com sua mãe, Neiva, nossa amiga de infância”.

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here