‘Tendência que La Niña dure até o fim do verão’

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As influências do La Niña podem atingir uma das principais culturas do estado, a soja, isso porque o fenômeno causa redução de chuvas no sul do país . Foto: reprodução

Fenômeno que provoca o resfriamento anormal das águas do Oceano Pacífico equatorial, o La Niña caracteriza-se por manter a chuva abaixo da média. Situação que já pode ser percebida na região. De acordo o doutor em Meteorologia e professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS/campus Cerro Largo), Anderson Spohr Nedel, o pico deve acontecer em meados de janeiro, segundo modelos climáticos.

Anderson Spohr Nedel, doutor em Meteorologia e professor da UFFS

Em áreas com irregularidades de chuva o tempo mais seco proporcionará temperaturas mais elevadas durante o dia, ainda, os impactos da diminuição da precipitação pode trazer impactos em uma das principais culturas do estado: soja.

“Com o La Niña, a vinda de umidade para a região é menor, portanto há menos possibilidade de formação de sistemas de alta pressão de ar frio”, detalha. Este ar frio, segundo Nedel, passa ao sul, não consegue acessar o estado e se formar devido ao fato de ter pouca umidade.

Estiagem

Ainda, conforme explica o professor, os modelos meteorológicos apontam que as chuvas abaixo da média podem seguir até o final do verão. “Estes modelos mostram que a temperatura da superfície do mar pode manter-se acima de -0,5°C, até abril ou maio”, pondera. “A tendência do La Niña é durar a primavera e o verão todo, com o pico, segunod nos mostram os modelos, em janeiro”, projeta.

Com esta distribuição de chuvas irregular, há possibilidade de estiagem.

Porém, estas características não são regra, uma vez que houve anos que, mesmo sob influência do La Niña, as chuvas foram normais e até El Niño que houve seca (este segundo fenômeno provoca o aquecimento das águas do Pacífico Equatorial).

“Mesmo tendo um fenômeno de La Niña ou um El Niño, não acontecem as coisas que deveriam acontecer, porque o Oceano Atlântico está com um papel mais importante naquele momento”, avalia.

Por que é tão quente na região?

Segundo Nedel, algumas características podem ser consideradas para explicar a temperatura mais alta na região: a altitude, a continentalidade, cobertura do solo, urbanização e maritimidade. “Esses fatores locais fazem que as temperaturas sejam maiores que a região leste, por exemplo”, reforça.

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