Volta às aulas: Cronograma do Estado é criticado

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Proposta apresentada pelo governador em reunião com os prefeitos prevê a primeira etapa do retorno para o dia 31 deste mês.

A partir da divulgação de um cronograma do Governo do Estado para a volta às aulas presenciais no Rio Grande do Sul abriu-se a polêmica em torno da proposta. Autoridades, sindicalistas e pais tem manifestado contrariedade ao plano do governo.

O plano foi apresentado pelo governador Eduardo Leite numa reunião virtual com a Famurs na terça-feira (11). O calendário mostra que a ideia é que a Educação Infantil seja a primeira etapa a voltar, no dia 31 de agosto. O Ensino Superior retornaria em 14 de setembro, o Médio e Técnico em 21 de setembro, os anos finais do Ensino Fundamental em 28 de setembro e os anos iniciais em 8 de outubro.

Além disso, o Estado estabelece que o retorno só ocorrerá quando as cidades estiverem na bandeira laranja ou amarela e cada município poderá definir se permite ou não o funcionamento das escolas. Os pais terão de autorizar a frequências às aulas e a ocupação máxima por turma será de 50%.

O que se tem notado é uma baixa aceitação do cronograma. Entre as alegações estão dúvidas quanto o funcionamento, transporte escolar e a manifestação de muitos pais alegando que não irão enviar seus filhos para as aulas.

 

Cirilo Dalla Costa, representante regional do Sindicado dos Professores do Ensino Privado do RS (Sinpro) se disse surpreso com o calendário divulgado pelo Governo do Estado. “Entendemos que não é o momento de retornar. Toda e qualquer aglomeração vai causar problemas. Em outros países em que as aulas retornaram, o número de infecções fez com que regredissem e voltassem a cancelar as aulas presenciais”.

Ele ainda afirma que muitos pais não vão enviar seus filhos e isso impedirá uma atuação homogeneizada em sala de aula. “As aulas on-line tiveram dificuldades no início, mas agora estão engrenando e os especialistas dizem que a situação da Covid-19 no RS ainda vai levar dois meses para regredir. É muito difícil no momento de transmissão alta reiniciar as aulas”.

O sindicalista ainda cita que é preciso levar em conta a situação estrutural das escolas públicas, o transporte escolar e os professores que estão no grupo de risco.
Segundo ele, são 18 escolas privadas em Santo Ângelo, incluindo as de educação infantil. Na regional do Sinpro estão 1,2 mil professores.

 

A direção do 9º Núcleo do Cpers emitiu uma nota sobre o assunto. A diretora, Maria Celeste Paiva, se disse contrária ao retorno presencial das aulas. Ela justifica afirmando que está sendo notada ascensão da Covid-19 no Estado e estudos provam que o isolamento social é a melhor forma de controle da pandemia.

A direção do núcleo do Cpers observa ainda que é difícil fazer um controle com distanciamento na educação infantil e que muitos desses alunos residem com seus avós, ou seja, o risco de proliferação do vírus aumentará.

 

A secretária municipal de Educação, Eliane Carpes, também acredita não ser o momento propício para o retorno das aulas presenciais. Ela argumenta citando várias situações, a começar pelo fato de que cerca de 70% do quadro de professores e funcionários da rede municipal está no grupo de risco pela questão da idade ou apresenta comorbidades. “Sendo assim, teríamos que contratar o dobro de pessoal para que o retorno presencial ocorresse”.

Eliane também cita a educação infantil como a situação mais delicada. “Entendemos a importância para os pais, entretanto, no caso da educação infantil é impossível manter o distanciamento, já que os profissionais precisam ter contato com as crianças, pegar no colo, trocar fraldas, é muito complicado”. Acrescenta que no caso de séries mais avançadas, as turmas podem ser divididas, mas na educação infantil isso é mais complicado. “Além disso, temos questões que envolvem o transporte escolar, que também teria que ser adequado com redução no número de passageiros, etc”.

A secretária salienta que a SMEd desde o início da pandemia orientou os diretores e professores do ensino fundamental a utilizarem o modelo remoto, oferecendo suporte pedagógico. Os professores dos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental mantém plantão pelas manhãs para atendimento dos pais e repasse do material impresso com as atividades para os alunos que não possuem acesso a internet.

 

A coordenadora regional de Educação, Rosa Maria de Souza, destaca que não foi tomada uma definição de retorno das aulas presenciais no Rio Grande do Sul. Segundo ela, o Governo do Estado e a Famurs iniciaram um diálogo para debater sugestões de datas e possibilidades .”É o princípio de uma conversa com a sociedade, não havendo imposição do governo”.

Rosa acrescenta que “se o quadro do contágio por coronavírus não apresentar um achatamento da curva, não haverá condições de retorno. Este é o princípio básico”.

 

O presidente da Associação dos Municípios das Missões, Mico Gonzatto, afirma que a quase totalidade de prefeitos missioneiros entende que não é o momento das aulas presenciais serem retomadas. “A situação ainda é muito preocupante. O governador joga essa responsabilidade para os prefeitos. A gente pensa na vida das pessoas. Temos que ter esse cuidado”, afirma.

Ele diz ainda que existe uma preocupação muito grande dos pais. “É difícil manter o distanciamento, podendo os alunos levar o vírus para dentro de casa, onde muitas pessoas estão no grupo de risco”.

 

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