Piquete Cavaleiros da Índia leva a cultura e tradição gaúcha as escolas de Santo Ângelo

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A empregada doméstica e cuidadora de cavalos Silmaia da Silva, 53 anos, conhecida como Índia, é uma legítima guardiã da tradição riograndense. Mulher humilde e com

alegria contagiante preserva a história e o amor pelo Rio Grande do Sul durante o ano inteiro, mas é na Semana Farroupilha que ela demonstra ainda mais a sua essência de prenda, levando a cultura às escolas de Santo Ângelo, através do Piquete Cavaleiros da Índia, no qual é patroa. O lema é: Reponto o Rio Grande nas patas do meu cavalo e a madrinha é Eva Porciúncula.

Silmaia da Silva, conhecida como Índia, preserva a essência gaúcha durante todo o ano. Foto: Daniele Angnes/JM

Há cinco anos, Índia abriu na Rua Santa Inês, no Bairro Haller, as porteiras do piquete, um antigo sonho do pai Dorcino Hipólito da Silva (falecido há quatro anos). No início, mais de 40 cavalarianos desfilavam na Marechal Floriano, em homenagem ao Dia do Gaúcho. Na próxima sexta-feira (20), o piquete entrará na “avenida” com cerca de 15. “Mas o importante aqui é o orgulho às tradições do Rio Grande do Sul. Conosco irá desfilar uma gurizada que ao invés de andar à toa pelas ruas e praças está comigo e com seus cavalos, preservando a cultura do povo gaúcho”, destaca a patroa.

E é essa mocidade que na Semana Farroupilha tem acompanhado Silmaia em visitas a escolas do município, que convidam o piquete para apresentar seus cavalos e indumentárias. Ontem (16), o grupo acordou por volta das 6h, tomou café, e tipicamente vestidos com bombachas e vestidos, encilhou seus animais e partiu para encantar os olhos de crianças e professores em três educandários. Em cada lugar, uma nova emoção. Olhares curiosos e até com medo, mas aos poucos a criançada foi se aproximando e criando uma intimidade, tendo a oportunidade de dar uma volta à cavalo. Pela manhã, a comunidade que faz parte de uma escola no Bairro Rogowski recebeu a visita do piquete. À tarde, as visitas foram em escolas do Bairro Haller e Kurtz. O trajeto foi de mais de 20 quilômetros. Ao meio-dia, o cardápio dos cavaleiros foi um carreteiro, servido na casa de uma amiga de Silmaia. “Os nossos cavalos são bem cuidados e como todo o animal sadio tem muita resistência física. Antigamente, o cavalo era o meio de transporte do gaúcho. Ele chega a ficar até três dias sem se alimentar. Só não pode faltar água”, comenta Índia, como uma curiosidade.

Ontem, além de crianças e jovens cavaleiros, Silmaia teve a companhia do filho Argeu, 16 anos, e da neta Emily, 5 anos (montada no cavalo Faísca). Após o almoço, a patroa convidou a reportagem para conhecer o piquete. É um lar pela natureza, cheio de simbolismos, com estátuas de cavaleiros. Nas paredes da residência onde ela mora, estão fixados quadros com a história da família e a sua relação com a tradição gaúcha. “Muitos valores fundamentais que estão se perdendo na sociedade, buscamos preservar em nosso piquete, que está de portas abertas a todos”, enfatiza.

Silmaia já foi ginete, domadora de potros e joquei em cancha reta de chão batido. “Isso foi numa época em que se pagava muito dinheiro como premiação aos vencedores e eu tive a oportunidade de me destacar em ínumeras provas, mas além disso, aprender muito”, lembra.

Sem perder a esperança que faz de Silmaia uma apaixonada pela cultura gaúcha, a “Índia de Santo Ângelo” conta com as futuras gerações para continuar o legado.

Alunos de escolas, como a Armindo Utzig, no Bairro Haller, receberam a visita dos cavalarianos. Foto: Daniele Angnes/JM

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