39ª Romaria da Terra reconta história missioneira

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Terça-feira (9) foi a data com ápice de homenagens a Sepé Tiarajú

Na terça-feira (9), milhares de pessoas encontraram-se em São Gabriel, durante a 39ª Romaria da Terra, no local do martírio de Sepé Tiarajú, para homenagear os 260 anos de sua morte. A data foi o ápice das homenagens. O local vinha recebendo desde a sexta-feira (5) a chegada de índios guaranis e caingangues, bicicleteiros vindos de Porto Alegre, além da juventude católica gaúcha, cada um dos grupos tinha reuniões e eventos específicos sobre seus temas. No domingo (7), dia da martirização de Sepé, foi realizado grande evento. Durante a Romaria da Terra, milhares de pessoas participaram com a reunião de diversas comunidades do Estado. A saída da procissão ocorre às 9h da Sanga da Bica, local da morte de Sepé Tiaraju.
O pesquisador José Roberto de Oliveira ficou responsável pela parte histórica da procissão, especialmente para demonstrar os novos documentos que estão sendo encontrados internacionalmente sobre a Saga Guaranítica e os relatórios de Guerra. Desses documentos o base para as novas revelações foi o “Diário Histórico de la Rebelion y Guerra de Los Pueblos Guaranis, situados em la costa oriental del Rio Uruguay, del año de 1754”, escrito pelo pároco de São Lourenço. O documento é a versão em espanhol escrita em latim pelo Padre Tadeo Xavier Henis, editada em 1836 por Pedro de Angelis.
Sepé Tiarajú liderou a revolta dos indígenas, que acabaram sendo massacrados pelo exército luso-espanhol de Gomes Freire de Andrade, hoje patrono da arma de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro. São Sepé, herói da resistência indígena, continua vivo no imaginário popular rio-grandense.
Sepé é oficialmente reconhecido como herói do Estado do Rio Grande do Sul pela lei 5516 de 2005 e herói da pátria brasileira pela Lei Federal 12.032 de 21.9.2009.
No dia 10 de novembro de 2015 com apoio de importantes lideranças da América Latina, a Igreja recebeu o pedido de canonização do herói nativo. Atualmente se aguarda que as autoridades eclesiais remetam ao Vaticano a postulação de reconhecimento de santidade de Sepé Tiarajú, com o título de “Servo de Deus”, para que sigam os ritos oficiais “e possamos ter o mais breve possível nas mãos do povo pobre do Brasil e países vizinhos o ‘São Sepé’ – a bem da verdade já canonizado pelo povo e agora a caminho do reconhecimento pela Igreja, como diz o principal líder da canonização, o Irmão Antônio Cechin”, explica o pesquisador José Roberto de Oliveira.