“A Igreja sempre vai defender a vida”, diz novo bispo diocesano

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Posse de Dom Liro Vendelino Meurer, 59 anos, será amanhã, às 17h

Dom Liro Vendelino Meurer completa no dia 3 de julho seus 59 anos. Neste domingo (15), às 17h, ele será empossado como novo bispo da Diocese de Santo Ângelo.

O novo chefe da Igreja Católica na região nasceu em 1954, na Linha Júlio de Castilhos, pertencente a Montenegro. É de uma família religiosa de seis irmãos. Os pais eram agricultores. Antes de ingressar para a vida religiosa trabalhou na roça. Aos poucos foi se manifestando a vocação de ser padre. Em 1967, aos 12 anos de idade, ingressou no Seminário São João Maria Vianney, de Bom Princípio. Concluiu o ginasial e o ensino médio no Seminário São José, em Gravataí. Os estudos de filosofia e teologia foram feitos no Seminário Maior de Viamão. Foi ordenado padre no dia 12 de dezembro de 1971, por Dom Cláudio Kolling. Exerceu o Ministério Sacerdotal em Estrela, Gravataí, Porto Alegre, Bom Princípio e Camaquã. Foi ordenado bispo auxiliar da Arquidiocese de Passo Fundo no dia 22 de março de 2009 e foi apresentado para tal função no dia 5 de abril de 2009. Em entrevista ao JM, ele falou do papel do bispo e os objetivos do seu trabalho.

JM – Qual é a função de um bispo diocesano?

Dom Liro – O bispo preside toda a Diocese de Santo Ângelo. Tem como a principal função pregar o Evangelho, celebrar e servir a função sacerdotal. Está à frente da Diocese para dirigir todos os trabalhos de evangelização.

JM – Quais serão os seus desafios e objetivos frente a Diocese?

DOM LIRO – Antes de mais nada preciso conhecer a Diocese, as paróquias, as pessoas, os padres. Temos 40 paróquias, 85 padres e mais de mil comunidades católicas, espalhadas em 47 municípios da região. Temos muitos desafios, mas de qualquer maneira a Igreja vai se organizando no que é mais urgente no momento. O 17º Plano Pastoral de Santo Ângelo prevê para este ano, como sendo o Ano da Juventude, junto com a Igreja, que está celebrando a fé, a participação na Jornada Mundial da Juventude, que será de 23 a 28 de julho, no Rio de Janeiro, mas antes disso será realizado o evento Bote Fé e a Semana Missionária, de 16 a 20 de julho. Ainda temos outras prioridades previstas para 2014, 2015 e 2016, no caso a Iniciação Cristã e a Família – a Igreja a serviço da vida. Os desafios não são unicamente de uma Diocese, mas em conjunto com a Igreja. Precisamos hoje, antes de tudo, termos um encontro com Jesus Cristo, seguir a experiência do Pai com entusiasmo. Se nós formos realmente pregar o Evangelho, transmitir esta mensagem de Jesus Cristo, vamos ver que o resto será dado por acréscimo. Procurar em primeiro lugar o Reino de Deus e o resto será dado como complemento.

Temos neste contexto de mudança, muitos desafios, no sentido que hoje estamos diante de um relativismo muito grande, ou seja, aquilo de uma vez já tínhamos como certo hoje já não é mais.

JM – A Igreja perdeu muitos fiéis nos últimos anos, talvez pelo surgimento de outras religiões. Que medidas devem ser adotadas para reverter esta mudança?

DOM LIRO – A Igreja sempre esteve atenta a este ponto e está tomando medidas de tal maneira que ela não cresce por proseletismo (intento), mas por atração que significa seguir Jesus Cristo de forma contente. Esta ideia de que muitos mudaram de religião está dentro da realidade, do contexto do relativismo que vivemos hoje. Então, muitas vezes a religião é vista no sentido de ir aderindo aquilo que me serve no momento. Hoje não é muito mais importante uma instituição, uma autoridade, mas a pessoa é o centro de tudo. Em 2007 quando o Papa Bento XVI veio ao Brasil, em Aparecida/SP, para a 5ª Conferência de Aparecida, foram traçados alguns pontos muito relevantes. Foi quando ele disse “vamos todos fazer missão”. Na verdade, pelo batismo, somos todos missionários, então onde nós estamos temos que espalhar as coisas boas e estar cada vez mais se descobrindo. Está se dando uma importância muito grande ao conhecimento da palavra de Deus e descobrir mais sobre como fazer para que a iniciação cristã tenha um itinerário por toda a vida, por que normalmente a pessoa procura a catequese só para a 1ª eucaristia, para a crisma e para o casamento, contudo na verdade somos discípulos sempre e justo a isto a Igreja sempre se preocupou com muitas questões como o cuidado com a vida.

JM – Qual é sua opinião sobre o uso de métodos contraceptivos?

DOM LIRO – Este é um assunto que não é mais novidade, entretanto a Igreja defende a vida, procurando incentivar que tudo que se faz sempre tem que pensar na vida. O casamento serve para a pessoa estar aberta para a vida e o sexo tem o sentido unitivo e procriativo, e que aconteça sempre dentro da sua finalidade. Quando não está dentro desta ideia perde a sua finalidade. Orientamos neste sentido e respeitamos aqueles que pensam diferente, mas a cultura de hoje é voltada para a morte. Jesus disse: – Quem quiser me seguir tome a sua cruz e siga-me.

JM – Como você acompanha a Lei do Nascituro, que proíbe o aborto em qualquer situação?

DOM LIRO – Volto a dizer que a Igreja defende a vida e entende que ela existe desde a sua concepção, por isso deve se preservar.

JM – Recentemente foi aprovado no Brasil uma lei que permite o registro civil do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O que a Igreja Católica tem a dizer sobre isso?

DOM LIRO – A igreja defende o casamento entre o homem e a mulher, porém a aprovação do casamento homoafetivo é respeitada pela Igreja. Evidentemente que temos que entender porque existe o casamento e qual é o seu sentido, a própria constituição da família que é a base da sociedade. Esta é uma realidade bastante nova ou nem tão nova assim porque não se tem muita clareza, mas eu sempre respeitarei as pessoas, não podemos discriminá-las. Esta é uma decisão que a sociedade precisava tomar, mesmo que nós não concordemos com isto, mas para o presente ou para o futuro, se há um casamento é preciso regulamentar. 

OS ANTECESSORES DE DOM LIRO

A Concelebração Eucarística que marcará o início do Ministério Episcopal do 4º Bispo da Diocese de Santo Ângelo, Dom Liro Vendelino Meurer, acontece neste domingo (15), às 17h, na Catedral Angelopolitana.

Após a liturgia, haverá jantar de confraternização no Salão Paroquial da Catedral, a partir das 19h30min. Os cartões estão sendo vendidos na Secretaria da Paróquia Anjo da Guarda ao preço de R$ 15,00. O cardápio será galeto, salsichão, massas, maionese, arroz e saladas.

A Diocese de Santo Ângelo já teve outros três chefes da Igreja Católica na região. O 1º Bispo foi Dom Aloísio Lorscheider (1962-1973); o 2º Bispo foi Dom Estanislau Amadeu Kreutz (1973-2004) e o 3º Bispo foi Dom José Clemente Weber (2004-2013).

Dom Estanislau e Dom Clemente, permanecem como bispos eméritos da Diocese Angelopolitana, que foi criada pelo Papa João XXIII em 1961 e instalada em 12 de junho de 1962.
A solenidade religiosa contará com a presença dos bispos eméritos, numa cerimônia que reunirá fiéis da Igreja Católica das 40 paróquias, mais de mil comunidades, padres e bispos de outras Dioceses.