A menos de um mês para o início da colheita, preço do trigo causa preocupação a produtores

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Atual cotação da saca diminuiu muito em relação à safra passada – quase pela metade

Com o início da colheita do trigo previsto para a segunda quinzena de outubro, o baixo valor médio cotado atualmente para a saca da cultura preocupa os produtores rurais do município. Em Santo Ângelo, a área cultivada aumentou de 16.300 hectares em 2013 para 17.500 em 2014. Segundo o chefe do escritório municipal da Emater, Álvaro Uggeri Rodrigues, a estimativa de produtividade deste ano é menor do que a safra registrada em 2013.

O plantio do trigo no município começou em maio e se estendeu até 30 de junho. Segundo a Emater, a previsão de início da colheita é para a segunda quinzena do mês de outubro e o processo deve se estender até a primeira quinzena de novembro. “Estimamos que o pico da colheita seja na primeira quinzena de novembro”, informou Álvaro.

CONDIÇÕES CLIMÁTICAS
Álvaro lembrou que no ano passado o município registrou uma safra altamente produtiva, devido às condições climáticas favoráveis e à tecnologia empregada pelos produtores rurais. Neste ano, a estimativa é de colher 45 sacas por hectare.

“No ano passado tivemos a maior safra da história do município em produtividade, com média de 61 sacas por hectare. Nunca tínhamos colhido tanto trigo. O motivo foi a tecnologia empregada e as condições climáticas favoráveis. Neste ano, está um pouco diferente por causa do clima. A tecnologia foi empregada pelos produtores, porém o clima não está tão favorável. O mês de junho prejudicou o processo pelo excesso de chuva. Se o clima fosse favorável durante todo o ciclo da cultura, poderíamos almejar a mesma produtividade do ano passado, mas não deverá ocorrer. Não chega a ser uma colheita ruim 45 sacas por hectare, mas, tendo em vista o potencial que temos no município, poderia ser melhor”, avaliou o chefe do escritório municipal da Emater.

De acordo com Álvaro, a planta está na fase de floração e formação de grãos. Para este período, o engenheiro agrônomo esclarece que o clima ideal para o bom desenvolvimento do trigo seria com temperaturas amenas, bastante luminosidade e clima mais seco. Álvaro também explica o motivo da diminuição da produtividade em relação ao ano passado.

“O clima, em junho, foi prejudicial por causa do excesso de chuva. Tivemos, em média, 400 milímetros de chuva no mês. É muita chuva. Prejudicou o desenvolvimento da cultura. Julho e agosto já foram favoráveis, permitiram uma recuperação de parte dos prejuízos causados pelo clima em junho. Favorável porque não houve excesso de chuva e umidade. O clima mais seco, com mais luminosidade, permitiu essa recuperação”, esclareceu.

BAIXA COTAÇÃO PREOCUPA
O reflexo das supersafras passadas, somado ao aumento dos custos da produção e às condições climáticas não tão favoráveis como no ano anterior, é indício de que a safra do trigo em 2014 terá uma redução de rentabilidade ao produtor. No ano passado, no mesmo período, o preço da saca de trigo estava cotado, em média, ao preço de R$ 40. Atualmente, segundo o acompanhamento de preços recebidos pelos produtores do Rio Grande do Sul, divulgado nesta semana pela Emater, o preço médio é de R$ 25. Álvaro mencionou a preocupação dos produtores rurais.

“Na questão do preço, os agricultores têm manifestado bastante preocupação, pois não há uma definição de preço da produção e também há temores, por parte dos agricultores, de que na época da colheita possa não haver nem preço para comercialização, o que seria extremamente negativo para a economia da região. Uma lavoura de trigo tem seus custos de produção altos”, frisa.

O produtor rural Edson Forgiarini, que cultiva 70 hectares de trigo no distrito de Rincão do Sossego, interior de Santo Ângelo, também espera colher 45 sacas por hectare. A previsão de Forgiarini é de iniciar a colheita no dia 20 de outubro. O agricultor demonstrou preocupação com a baixa cotação do trigo.

“O preço caiu demais, esse é o maior receio. No ano passado o preço esteve bom, mas neste ano não. Esse ano teve muita incidência de doenças, devido ao clima com chuvas e calor excessivo. O clima não está contribuindo como no ano anterior. No ano passado o preço estava em R$ 40, e hoje o mercado está girando em torno de R$ 25”, argumentou o produtor, que disse esperar, ao menos, cobrir os custos de produção da cultura do trigo.

MILHO
O agricultor, que também cultiva 20 hectares de milho, disse que já terminou a fase de plantio da semente em sua propriedade e que as plantas estão com aproximadamente 30 dias. Forgiarini acredita que poderá colher aproximadamente 100 sacas por hectare. “Essa estimativa também depende do clima; o milho é uma cultura de alto risco”, salienta.

O chefe do escritório municipal da Emater conta que o plantio do milho se iniciou no mês de agosto e a área estimada abrange 4.250 hectares. De acordo com Álvaro, 75% da área já foi plantada no município e o clima está favorável para o desenvolvimento da planta.

“O clima está favorável para a cultura do milho. Ele encontra-se em fase de desenvolvimento vegetativo. As temperaturas amenas, intensa luminosidade e chuvas intercaladas com períodos de sol são propícias para o desenvolvimento, porque é uma cultura de verão e precisa de um pouco mais de chuva do que o trigo, por exemplo”, ressalta.

De acordo com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, elaborado pelo Ministério da Agricultura, o melhor período na região para o plantio do milho é entre 20 de julho e 20 de janeiro. Álvaro disse, ainda, que a estimativa de produtividade do milho é a mesma do ano anterior. “No momento, estamos pensando em 80 sacas por hectare. No ano passado foi a mesma estimativa, porém, tivemos uma colheita muito boa. Foi atingida uma média de 110 sacas por hectare”, lembrou.