Acordo Ortográfico só passa a valer em definitivo no ano de 2016

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Governo Federal decidiu prorrogar o prazo de implantação para 1º de janeiro de 2016

O Governo Federal adiou por mais três anos a implantação definitiva do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa. Sendo assim, o acordo só passa a funcionar em definitivo no dia 1º de janeiro de 2016.

Quando o país adotar definitivamente as normas, concursos públicos e as provas escolares deverão cobrar o uso correto da nova ortografia. Publicações e documentos também deverão circular adaptados às novas regras. Já os livros didáticos começaram a se adequar em 2009, quando o acordo entrou em vigor.

O pedido de adiamento do prazo partiu de uma decisão conjunta dos ministérios das Relações Exteriores, da Cultura e da Casa Civil. Técnicos e subchefes dos três ministérios ressaltam a importância de ajustar o prazo brasileiro com o de Portugal, que tem mais três anos para aplicar o Acordo no país. Com o novo decreto, os brasileiros poderão utilizar as duas normas ortográficas.

O professor de literatura, escritor e membro da Academia Santo-angelense de Letras Mário Simon observa que as regras não mudam radicalmente a ortografia do Português. “Boa parcela da população não deu crédito e deixou de lado o esforço para tomar conhecimento das novas regras. Não acredito que aprender estas novas regras, as mudanças propriamente ditas na ortografia, fosse assim tão difícil que tanta gente não tivesse tempo para familiarizar-se e escrever dentro dos novos padrões. A mudança é muito pequena em relação ao que era estabelecido. O problema, creio, está no fato de que as regras anteriores também eram desconhecidas para a maioria, o que dificultou ainda mais entender as novas”.

Ainda de acordo com ele, quem melhor se adaptou às regras foram aqueles que trabalham com a escrita. “Mas mesmo entre estes, incluindo professores e escritores, ainda há reservas quanto ao uso completo das regras da ortografia nova. Há mesmo pessoas neste grupo que simplesmente se negam a adaptar sua escrita às novas normas”, conclui.

Já o professor de Português Artur Hamerski salienta que apenas 0,5% das palavras foram afetadas para os brasileiros. “Essa reforma traz alguns benefícios, como na questão dos hífens. Porém, na questão da acentuação, complica de uma forma desnecessária. Acho que cada país deve conservar a sua própria língua, porque ela é o elemento criador de identidade de uma nação e isso é uma coisa muito difícil de mudar”, observa.

HISTÓRIA DO ACORDO

Em vigor no Brasil desde 1º de janeiro de 2009, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa foi proposto inicialmente em 1990, quando foi assinado em Lisboa, Portugal. Por meio dele, busca-se a unificação do idioma na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), formada por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste, que foi o último país a aderir.

No Brasil, o acordo foi aprovado em 1995, pelo Decreto Legislativo nº 54. Apesar de ter sido proposto há mais de uma década, só entrou em vigor recentemente porque aguardava a ratificação de Portugal, o que ocorreu em 2008. Embora a grafia passe a ser unificada, a pronúncia e o vocabulário não mudarão.

Novas regras

Confira a seguir algumas regras do Acordo Orotográfico de Língua Portuguesa:

Acentuação: ditongos “ei” e “oi”: os ditongos abertos “ei” e “oi” não serão mais acentuados em palavras paroxítonas. Ex: assembleia, plateia, ideia, colmeia, boleia, Coreia, boia, paranoia, jiboia, apoio, heroico, paranoico.

Obs: Nos ditongos abertos de palavras oxítonas terminadas em éi, éu e ói e monossílabas o acento continua: herói, constrói, dói, anéis, papéis, troféu, céu, chapéu.

Trema: Não existirá mais o trema na língua portuguesa. Será mantido apenas em casos de nomes estrangeiros. Exemplo: Müller, mülleriano.

Hiato: Os hiatos “oo” e “ee” não serão mais acentuados. Ex: enjoo, voo, perdoo.