Alimentação escolar gera qualidade de vida no campo e na escola

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61% dos alimentos consumidos nas escolas municipais de Santo Ângelo vêm da agricultura familiar

Toda segunda-feira, nove associações da agricultura familiar de Santo Ângelo entregam a sua produção na Secretaria Municipal de Educação, através do Programa Alimentação Escolar. Com isso, cerca de 90 famílias do meio rural têm a garantia de renda mensal. Na outra ponta, os estudantes de 44 escolas municipais têm a garantia de uma boa alimentação na escola.

Por semana, são consumidos na rede municipal de ensino, cerca de 4 mil kg de alimentos. Desses, mais de 1,5 mil quilos vêm exclusivamente da agricultura familiar. De acordo com a Lei Federal 11.947/2009, 30% dos alimentos consumidos nas escolas devem ser adquiridos da agricultura familiar. Em Santo Ângelo, esse número chega a 61% dos alimentos consumidos em ambiente escolar municipal. “O valor fica aqui na cidade, valoriza a produção local, além do que, oferecemos uma alimentação de qualidade nas escolas, porque os alimentos entregues pelas associações, cooperativas e agroindústrias da agricultura familiar vêm sempre fresquinhos, com qualidade”, avalia o secretário municipal de Educação, Delcio Freitas.

O resultado disso é uma melhora no aprendizado. “Sabendo da qualidade da merenda, diminui-se a evasão escolar. Os pais tem a certeza de que seus filhos vão estar bem alimentados na escola. Hoje, não temos nenhum caso de desnutrição na nossa rede de ensino”, complementa o secretário.

VALORES NUTRICIONAIS

De acordo com a Resolução nº 38, de 16 de julho de 2009, os produtos adquiridos deverão ser previamente submetidos ao controle de qualidade, através do Conselho Municipal de Alimentação Escolar. O cardápio, elaborado por profissionais de nutrição, deve obedecer a uma série de critérios. Esta Resolução recomenda que, em média, a alimentação escolar tenha, no máximo: a) 10% da energia total proveniente de açúcar simples adicionado; b) 15 a 30% da energia total proveniente de gorduras totais; c) 10% da energia total proveniente de gordura saturada; d) 1% da energia total proveniente de gordura trans; e) 1g de sal. “Colocamos, ao menos, duas frutas por semana, três vezes na semana a comida deve ser salgada, sempre colocamos legumes e verduras”, salienta a nutricionista da Secretaria Municipal de Educação, Eliane M. Tiecher.

MAIS RENDA

Até o último ano, o máximo que um produtor ganhava entregando parte de sua produção ao Programa Alimentação Escolar era de R$ 9 mil ao ano. Desde julho deste ano, esse teto aumentou para R$ 20 mil. “A tendência é aumentar o número de produtores beneficiados no próximo ano. Já temos um cadastro com uma lista de espera. Programamos com as associações um ano, para eles organizarem a sua produção”, observa Fábio Gonzatto, técnico da Secretaria Municipal de Agricultura.

Alimentação de qualidade em 44 escolas

Uma das 44 escolas da rede municipal de ensino que é beneficiada com os produtos da agricultura familiar, a Escola Municipal de Ensino Fundamental Professora Mathilde Ribas Martins, que atende a 303 alunos, do 1º ao 9º ano, em tempo integral, oferece três refeições ao dia. “Temos, na escola, café da manhã, almoço e lanche da tarde. Todos os alunos passam por essas refeições”, observa o diretor, Geraldo Onésio Fonseca.

De acordo com o diretor, a alimentação de qualidade traz benefícios, também, para a sala de aula e as atividades de oficinas, que são realizadas no turno inverso. “A criança bem alimentada é ativa, atenta a toda a prática escolar. Ainda mais em nossa instituição, que temos oficinas de matemática, informática, artes do lar, educação artísticas, laboratório de ciências, esporte e recreação, além do currículo normal. Assim, as crianças e adolescentes deixam de estar na rua, sujeitas ao descaminho e expostas a situações de risco. Temos colhido bons resultados nesses últimos anos”, complementa.

Garantia de renda e de produção no campo

O alimento que chega à escola também gera renda e motiva os produtores rurais a seguir na sua luta diária no campo. Eloi Schunke, do Distrito de Buriti, entrega milho verde e laranjas no programa Alimentação Escolar. “Não tem nem comparação. Antes disso, não tinha onde a gente colocar as frutas. Cerca de 80% da produção acabava indo fora. Com esse programa, já sei a quantia certa que devo entregar, assim consigo me organizar melhor, porque vender na cidade, de porta em porta, não vale a pena”, relata.

O produtor, que é presidente da Aprofruta, espera que 2013 seja um ano melhor. “A seca deste ano castigou. Podia ter sido um ano melhor, mas acabei perdendo 200 pés de laranja. A nossa associação está aguardando a liberação de uma verba de R$ 100 mil, para a gente construir a nossa fábrica, já tem o projeto aprovado e o maquinário já está adquirido”, projeta.

Quando a fábrica estiver pronta, as escolas deverão receber, além da fruta in natura, a polpa. “Vamos poder transformar a fruta em polpa e fabricar schmier e entregar na alimentação escolar”.

Além da melhoria econômica, os produtores são motivados por outro elemento: proporcionar alimentos de qualidade às escolas de Santo Ângelo. “A gente faz isso com prazer. Também tenho filho no colégio que come essa merenda. É um estímulo pra gente diversificar os nosso produtos, porque a agricultura tem que ter mais opções. Se o produtor não diversificar, fica cada vez mais difícil. A monocultura está acabada”, completa.

Incentivo para a produção

Para o prefeito Eduardo Loureiro, o programa da Alimentação Escolar gera benefícios tanto para a agricultura quanto para a alimentação. “Ao mesmo tempo em que qualifica a merenda escolar, este programa gera renda no interior do município para nossos agricultores”, disse ele, ao lembrar que o Programa de Aquisição de Alimentos, outra política de valorização da agricultura, em parceria com o Governo Federal, está em vigor em Santo Ângelo.