Andressinha: “acredito que posso mostrar para as meninas e meninos, que tem esse sonho, de que podem chegar, sim, muito longe, basta acreditar e se dedicar”

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Andressinha já pode se considerar experiente no futebol. Na base, disputou duas vezes os Mundiais Sub-17 e Sub-20, além dos Jogos Olímpicos em 2016. A gaúcha ainda é bicampeã da Copa América com a Seleção Brasileira e duas participações em Copas do Mundo (2015 e 2019). foto: Reprodução/FIFA

De volta ao futebol brasileiro, dessa vez defendendo a equipe do Corinthians, a meio-campista Andressinha Cavalari Machry – jogadora que sido destaque nas atuações pela Seleção Brasileira – falou com o Jornal das Missões sobre o trabalho que tem pela frente durante o ano (no clube paulista), futebol feminino e Olimpíadas. Acompanhe a conversa com a jogadora:

Jornal das Missões: Andressinha, teu contrato com o Corinthians é de um ano, né? Qual a expectativa que tem para 2020 no clube?

Andressinha: Sim, fiz contrato de um ano. Vi como um momento de voltar para o Brasil. Não tive muitas oportunidades nos Estados Unidos (isso influenciou muito na minha decisão) e eu sabia que o Corinthians teve um destaque muito grande em 2019, sabia que é uma equipe muito bem estruturadas, com pessoas qualificadas e, então, quando surgiu a proposta, optei por permanecer e representar o Corinthians. Então a expectativa é a melhor possível. Elas fizeram um ano (2019) muito bom, sabemos que é bem difícil repetir isso, mas espero que seja um ano (2020) de muitas vitórias e conquistas, porque temos uma equipe para isso.

JM: Quando você fala em não ter muitas oportunidades, há uma diferença muito grande do futebol feminino estadunidense e do brasileiro?

Andressinha: Acho que, talvez, estrutural. Nem todos os times no Brasil tem uma estrutura que todos nos Estados Unidos tem. É uma Liga super competitiva, com equipes bem qualificadas e niveladas, mas vejo que esse ano o Campeonato Brasileiro vai estar bem melhor.

JM: Você se vê, ou acredita, que pode ser a sucessora da Marta?

Andressinha: Ah…essa comparação já ouvi outras vezes, mas acho que ela tem a história dela e eu estou escrevendo a minha. Ela é uma jogadora, que acredito que alguém jamais vai repetir os feitos. O que quero é representar meu país e minha equipe da melhor maneira possível, sendo a Andressinha. Fico muito feliz por todo esse carinho das pessoas comigo.

JM: Como você vê a preparação do Futebol feminino para as Olimpíada deste ano?

Andressinha: Acredito que é um ano muito importante. Claro que ano passado também, porque teve a Copa do Mundo, penso que as Olimpíadas são tão importantes quanto o Mundial. Penso que agora, com uma nova treinadora, uma nova filosofia. Então, o que falo, a gente tem de fazer um bom trabalho no nosso dia a dia que as coisas vão acontecer naturalmente, que as melhores estejam lá representando o nosso país. A gente está buscando muito essa medalha de ouro – que ainda não temos – a expectativa é a melhor possível. Em consequência de todas essas mudanças, a equipe vem bem embalada e retomando a confiança.

JM: Acredita que tua história pode ser inspiração para outras crianças?

Andressinha: Acredito que sim. Eu vim de um lugar bem distante da Capital, aí parece que o sonho acaba sendo mais distante, mas acredito que sirvo de inspiração. Até em Santa Rosa, minha madrinha conduz um projeto com meninas. Acho isso super importante até para estreitar algum caminho de conseguir uma oportunidade em algum time. Então, acredito que posso mostrar para as meninas e meninos, que tem esse sonho, de que podem chegar, sim, muito longe, basta acreditar e se dedicar.

JM: Qual o futuro do futebol feminino?

Andressinha: Vejo que é muito promissor. Acho que esse ano promete muito, até em função das Olimpíadas acaba dando um up na modalidade. Acredito que a visibilidade aumente, o que acaba sendo bom para atrair mais investimentos.

JM: Quando criança você se imaginava nessa posição de hoje, sendo procurada para entrevistas, sendo inspiração e falando sobre futebol feminino?

Andressinha: Acho que era uma coisa bem distante. Não pensava que as coisas aconteceriam tão rápido assim, mas fico muito feliz pelo desenvolvimento e evolução da modalidade e tantas emissoras, rádio, jornal procurando e colhendo informações sobre futebol feminino. A gente fica feliz porque era isso que queríamos, essa visibilidade e que as pessoas olhassem com bons olhos para a gente.

Trajetória – Andressinha é natural de Roque Gonzales, município aqui próximo. Quando crianças, jogava futebol com os meninos, mais tarde, na adolescência, incentivada pelo pai Elizeu Machry, passou por uma peneira e foi jogar em Pelotas, depois em Santa Catarina, no Kinderman. Passou pelo Houston Dash, clube da cidade de Houston, Texas, nos Estados Unidos; Tiradentes, no Piauí; Ferroviário de Araraquara, São Paulo; Iranduba, no Amazonas; e seu último contrato foi com Portland Thorns F.C., de Portland, Oregon, EUA. Em 2020 retorna ao Brasil.

Seleção Brasileira – Foi convocada pela primeira vez para a Seleção Brasileira Sub-17, em 2009, aos 14 anos. Disputou as edições de 2010 e 2012 do Sul-Americano Sub-17 Feminino e da Copa do Mundo Sub-17 Feminina. Disputou as edições de 2012 e 2014 do Sul-Americano Sub-20 Feminino. Em 19 de dezembro de 2012, Andressinha estreou pela seleção principal, em jogo contra a Dinamarca na final do Torneio Internacional de Futebol Feminino. Na Copa do Mundo de 2015, atuou como titular em todos os jogos da Seleção Brasileira. No mesmo ano, defendeu a amarelinha nos Jogos Pan-Americanos. Em 2016, foi convocada para os Jogos Olímpicos. Em 2019 participou da sua segunda Copa do Mundo.

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