Arnaldo Dutra: “Reestabelecemos a confiança na Companhia”

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O presidente da Corsan, Arnaldo Dutra, concedeu rápida entrevista ao Jornal das Missões na manhã desta sexta-feira. Na ocasião, enfatizou a qualificação da gestão da Companhia, bem como a recuperação de sua confiança por parte dos prefeitos. Confira abaixo trechos da entrevista:

JM – De três a quatro anos para cá, diversos municípios do Estado buscaram a privatização da distribuição da água e do tratamento do esgoto. Recentemente, muitas dessas decisões foram revertidas, inclusive em São Borja, onde já foi assinado o contrato com a Corsan, e em São Luiz Gonzaga, onde ainda há uma batalha judicial. Pode se dizer que a onda de privatizações acabou?

ARNALDO DUTRA – Conseguimos um processo de equilíbrio e de reestabelecimento da confiança da Companhia. Sempre respeitei muito a decisão dos prefeitos quando cobravam ações de saneamento. É um direito e um dever do prefeito fazer essa cobrança. Dizíamos que essas ações podiam ser feitas pela Corsan, e não havia a necessidade de buscar alternativas no setor privado, até porque dizíamos do risco que é transformar a água numa mercadoria.

Na medida em que qualificamos a gestão, buscamos investimentos e apontamos caminhos, esses prefeitos reavaliaram a perceberam que a Corsan podia dar a resposta que a população cobra no dia a dia dos prefeitos. Esse foi o processo que fez com que revertêssemos não só o quadro na região das Missões, mas em outras regiões do Estado que estavam buscando essas alternativas e por vezes viam no setor privado essa possibilidade.

Sempre reforçamos a tese de que a água é um bem público, é um direito das pessoas. Quando você transforma isso numa mercadoria, é um risco muito grande que exclua do processo pessoas, principalmente as com menor poder aquisitivo. Felizmente conseguimos equilibrar um pouco a Companhia, e os prefeitos recuaram em sua tese e voltaram a apostar na Corsan, que é uma empresa pública, estadual, que tem uma história de 46 anos, de que pegou um Estado que tinha menos de 50% de água nas torneiras das casas dos cidadãos e que hoje tem 98%. É um crédito, e esse crédito precisa ser reconhecido.

 

JM – No século passado, o grande desafio da Corsan foi levar água tratada para a população. Atualmente, o desafio é ampliar o tratamento de esgoto, e isso já está sendo colocado nos novos contratos. A Corsan terá condições de cumprir com esse desafio?

ARNALDO DUTRA – Temos uma realidade nova no Rio Grande do Sul e no Brasil, que coloca o saneamento como prioridade nas políticas de governo. Quando falamos em saneamento, não estamos falando apenas de abastecimento de água e esgotamento sanitário, mas de drenagem urbana e resíduos sólidos, que também são deficiências importantes em nosso país.

Existe essa realidade nova, que tem perspectiva de recursos para investir. É uma situação inédita, que em oito anos serão investidos R$ 85 bilhões no saneamento, e não é pouca coisa. É um número aquém das necessidades, mas que aponta a priorização do saneamento como política pública. Em cima dessa situação, a Corsan fez seus contratos de priorizar as questões do esgotamento sanitário.

Temos hoje um plano de investimentos consagrado, de R$ 2,8 bilhões até 2015. E nesses R$ 2,8 bilhões, 80% é esgotamento sanitário. Entendemos que esse é o desafio que está colocado para a Corsan. Vencemos uma etapa, a do abastecimento de água, e agora entramos no novo desafio, que é o do esgotamento sanitário.