Artigo “Lixo televisivo”, por Silvano Saragoso

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O lixo é um dos grandes problemas enfrentados pela humanidade. Temos o lixo atômico, espacial, hospitalar, tóxico, doméstico, industrial, sólido, orgânico e tantos outros. Porém, tenho a convicção de que nenhum é mais nefasto e destruidor do que o lixo cultural, moral, e ético. 

A Rede Globo de Televisão, a mesma que, dizem, sustentou a ditadura militar por quase 30 anos, período em que mataram, torturaram e censuram de plantão as artes de todos as matizes. Época dantesca, em que ter ideologia (ideias) e filosofia (valores) era ser subversivo e perigoso para com a moral e os bons costumes. Motivos assim levaram Caetano Veloso, Raul Seixas e tantos outros ao exílio, expulsão da pátria.

Livros, discos, filmes, peças de teatro foram queimadas, rasgadas, proibidas. Pois a defensora dos “bons costumes” dos anos de chumbo no Brasil, hoje, promove deslavadamente, escancaradamente, o maior lixo televisivo da história da República.

O programa Big Brother incita o que há de pior no ser humano: alcovitice, formação de grupos para derrubar semelhantes, sensualismo exagerado e provocativo de sentimentos baixos, beberagem, intrigas, palavrões, xingamentos, exibicionismos. Só o Big Lixo número 10 teve 400 denúncias de tipos delituosos, entre homofobia, incitação à violência, apelo sexual, violação da dignidade da pessoa humana e mais 396 denúncias das mais variadas.

É notório que a produção do nefasto programa promove farras, bebedeiras, o que leva a cenas degradantes e aos delitos já denunciados.
Agora, está apresentando de brinde um estupro, para superar-se e bater todos os recordes de audiência.

A CNBB, o Ministério Público Federal e outras inúmeras entidades representativas do que há de melhor nesta nação, já perderam a conta dos alertas, denúncias, documentos de todos os tipos enviados à Rede Globo de Televisão. É unânime a convicção de que este programa e outros do tipo, prestam um grande desserviço, destroem os valores éticos da pessoa, da família e da sociedade. É uma chaga, um mal social daninho.

É claro que o programa não encomendou o estupro, pelo contrário, está tentando abafar tudo, dizendo que não houve nada, tudo normal. Assim como que o telespectador seja cego e idiota. Mas é também cristalino, que a ocasião faz o ladrão. Este delito estava anunciado, o cenário do crime sempre esteve montado, seres humanos confinados, pressionados, bebidas à vontade, músicas provocantes, mulheres dançando exuberando sensualidade, vestimentas mal cobrindo os corpos, acesso livre aos aposentos, sem regras ou limites. Todas as circunstâncias indicavam o que mais cedo ou mais tarde iria acontecer.

E agora? O Poder Judiciário deste Brasil amado vai tomar alguma medida em defesa da Nação? O Congresso Nacional tem o direito de permanecer calado? Não me venham com a balela da liberdade de expressão. A legítima liberdade de expressão não assegura a ninguém o direito de agredir impunemente os valores morais que sustentam a sociedade.

O Big Brother não pratica liberdade de expressão, e sim, libertinagem explícita. Pelo menos é o que está circulando na internet, pelo mundo inteiro.

Mudar de horário, recomendar somente para determinadas faixas etárias, não vai resolver o problema do lixão. Tem é que banir este lixo televisivo. E não é somente este, a televisão brasileira está farta de programas da mais baixa qualidade, ajudando a corroer os princípios mais sagrados, nobres e importantes da Nação. Abraço Missioneiro.