Artigo – Muito topete, pouco jogo, por Silvano Saragoso

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Confira o artigo do advogado Silvano Saragoso

 O jogo de futebol entre Santos e Barcelona, disputando qual é a melhor equipe do mundo no momento, marcou, claramente, o fim de uma era nas práticas futebolísticas.

O futebol nunca mais será o mesmo depois desta partida fantástica. De um lado, o moderno, uma equipe empresa, com filosofia de trabalho bem definida. No Barcelona, tudo funciona com planejamento estratégico. Os resultados obtidos nos últimos anos são fruto de 30 anos de metodologia, qualidade total, preparo em todos os sentidos, desde a estrutura financeira, as metas de curto, médio e longo prazo, até o cuidado extremo com o plantel, que é apenas uma parte do empreendimento, talvez a mais importante, mas que só chegou ao espetáculo exibido no domingo, dia 18 de dezembro de 2011, graças à visão do todo, coisa de empreendedores sérios, competentes e certamente éticos no que fazem.

Os atributos acima referidos são compatíveis com o nosso futebol brasileiro? Não, claro que não. Você viu como joga o Barça? “Um por todos, todos por um.” Aqui, a ideia é todos jogarem para um craque. Seja ele Neymar, Adriano, Damião, Fred, enfim, a estrela do time. Já jogou-se para os Ronaldos, Zico, Pelé e tantos outros. Então, há de se deduzir que a filosofia do nosso futebol é bem ao contrário da do Barcelona. É “Todos para um, e este um que se vire.” Quando a estrela não brilha, acontece o tal de apagão em campo.

Diferença marcante foi observada no jogo histórico. O Nós estava acima do Eu. No plantel do Barça, não havia nenhum topetudo, ou folclorista escalado. O vedetismo foi substituído pela solidariedade e trabalho em grupo.

A bola é para todos, todos jogam para a equipe, as posições são ocupadas conforme as circunstâncias dentro da jogada, e o gol é o resultado de algo planejado, treinado e que pode acontecer a qualquer instante, obra do conjunto e finalização de um dos onze craques. Onze? Sim, neste time, até o goleiro não está impedido de fazer gol. Aliás, o goleiro do Barcelona, além de defender a goleira, joga muito bem com os pés, não dá um balão, e acerta quase todos os passes. Portanto, não raras vezes, a conclusão da jogada em gol teve a participação ativa deste jogador.

É nítido que o Messi é um artista da bola. Mas também é cristalino que o Barcelona é maior do que ele. E o Santos, por exemplo, é maior do que Neymar e ou Paulo Ganso? Sem estes atletas, o que é o Santos Futebol Clube? Quando estes não jogam bem, o que sobra?
O Barcelona é a demonstração definitiva de que o futebol também se orienta por ideias e valores. O ideário e a filosofia, lá aplicados, são o caminho, não só para o futebol, mas para a economia, a política, a vida em sociedade: solidariedade, fraternidade, empreendedorismo, qualidade. Tudo com amor e alegria.