Aviador Flach dará nome à rodovia que conduz ao Aeroporto Regional

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Placa com o nome do piloto, que atuou cinco décadas como instrutor, será descerrada amanhã

O aviador Egydio Pedro Flach, um dos pioneiros e responsáveis pela consolidação da aviação civil no Estado, que transformou o Aeroclube de Santo Ângelo em exemplo de escola de formação de pilotos, será homenageado nesta quarta-feira (23) pela comunidade santo-angelense.

Às 16h, o prefeito Valdir Andres descerra placa denominando a estrada a partir da ERS-218 ao Aeroporto Sepé Tiaraju de Rodovia Comandante Egydio Pedro Flach.

Proposta encaminhada pela vereadora Zilá Andres, a denominação foi aprovada pela Câmara de Vereadores de Santo Ângelo em abril de 2011, um mês após o falecimento do aviador, aos 93 anos de idade. Logo depois de receber apoio unânime no parlamento municipal, o projeto foi sancionado pelo prefeito da época, Eduardo Loureiro.

A data de 23 de outubro foi escolhida para o descerramento da placa porque é o Dia do Aviador. Também estarão presentes na homenagem autoridades municipais, vereadores e a esposa, Zenita, e os seus três filhos: o piloto de linha aérea Marcantônio, o jornalista Marcelo e o administrador Marconi.

Egydio Pedro Flach foi presidente do Aeroclube de Santo Ângelo em duas gestões. Atuou durante cinco décadas como instrutor, somando milhares de horas de voo e formando centenas de pilotos, profissionais que estão à frente de grandes jatos de companhias aéreas no Brasil e no exterior.

Pelo trabalho realizado na aviação, Flach recebeu a Medalha Mérito Santos Dumont, a mais importante condecoração da Aeronáutica brasileira. O reconhecimento foi uma homenagem por qualificar o Aeroclube de Santo Ângelo.

Durante os 14 anos que presidiu a escola de aviação, o aeroclube foi um dos poucos no Estado a conquistar a Categoria “A” concedida pelo Departamento de Aviação Civil (DAC) a aeroclubes com administração profissionalizada e qualidade na formação de pilotos.

Durante suas gestões, Flach também comprou três aviões para a escola, dois modelos Cessna importados dos Estados Unidos e um fabricado pela Embraer, em São Paulo, além de garantir três aeronaves de treinamento cedidas pelo DAC.

Ainda no período de sua presidência, construiu o hangar metálico, transferindo o aeroclube para área ao lado do Aeroporto Sepé Tiaraju, que agora terá como endereço Rodovia Comandante Egydio Pedro Flach. Também na sua gestão foi construída a sede do aeroclube, na Rua Marechal Floriano, em terreno doado pelo município de Santo Ângelo. Nas festividades de 49 anos do aeroclube, em retribuição ao apoio da comunidade, garantiu a apresentação da Esquadrilha da Fumaça. Os pilotos da Força Aérea Brasileira fizeram um show inesquecível para os moradores da cidade. Ao se despedir do aeroclube, foi nomeado checador de pilotos do Ministério da Aeronáutica, verificando a qualidade dos pilotos formados em escolas em todo o Estado.

Nascido em Cerro Largo, o comandante Flach tornou-se Cidadão Honorário de Santo Ângelo em setembro de 1986, em razão do trabalho realizado na formação de pilotos – o que consagrou o município, na época, como um polo nesse segmento.

Em 2005, já morando em Porto Alegre, foi homenageado pela Câmara de Vereadores da capital gaúcha com o Troféu Honra ao Mérito – em outro reconhecimento pela atividade desenvolvida para engrandecer a aviação civil gaúcha.

Flach teve as primeiras aulas de voo no Aeroclube de São Luiz Gonzaga, completando a formação no Rio de Janeiro. Em seguida, começou a carreira como piloto da Campanha Nacional da Aviação, levando aviões de treinamento para os aeroclubes mais distantes em todo o país.

AVENTURAS DA AVIAÇÃO

Entre as muitas aventuras vividas na aviação, o comandante sempre recordava que, no Natal de 1955, o Papai Noel em Santo Ângelo veio do céu, mas para isso contou com a ajuda do piloto Flach, que trouxe o bom velhinho a bordo de um avião. Para ficar perto da população, pousou na Avenida Venâncio Aires.

Sua agilidade e destreza também ajudaram a salvar vidas. Na década de 1950, Santo Ângelo precisava com urgência de vacina contra raiva. Para trazer o medicamento a tempo, o comandante Flach cruzou os céus do Estado, desviando do mau tempo e chegou a passar uma madrugada dentro do avião, no meio do campo, esperando o amanhecer para seguir viagem. O esforço valeu. As crianças atacadas por um cão raivoso foram vacinadas.