Cadeia do leite: Atual cenário faz agricultores desistirem da produção

0
106

Preço em decadência e suspensão no recolhimento desmotivam produtores a dar continuidade

O atual cenário em que se encontram os produtores de leite de todo o Estado é preocupante. Já são mais de 20 mil deixando a produção, pelos problemas enfrentados. De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Santo Ângelo, Oswaldino Lucca, até o momento, os produtores da região não receberam das empresas que decretaram falência. “Não bastasse isso, o recolhimento está suspenso para quem produz menos de 100 litros de leite. Isso pela Perdigão. Outras empresas, como a Santa Mônica, por exemplo, já suspenderam qualquer recolhimento da região do Rincão dos Mendes”, relata.

Preocupado, o presidente e produtor comenta ainda que o valor do produto pago ao produtor “despencou”, atingindo números que nem sequer conseguem pagar o custo de produção. “Em alguns lugares, o preço caiu para R$ 0,70; em outros, tem produtores recebendo R$ 0,52 o litro, enquanto o valor para a produção do litro é de R$ 0,70 a R$ 0,80, dependendo da tecnologia utilizada. Isso é alarmante, pois, somado a todos os outros problemas enfrentados pelos produtores, veremos muita gente abandonando a produção”, diz.

Não bastassem todos os problemas enfrentados pela classe, há ainda uma guerra diária pela recuperação da imagem do leite gaúcho, após a deflagração das edições da Operação Leite Compen$ado. “O processo sobre as adulterações no leite colocou todos os produtores de leite no mesmo saco, o que prejudicou nossa imagem. Hoje o governo importa leite, quando sabemos que o leite gaúcho é um dos que têm maior qualidade no País. Precisamos que a importação do produto cesse e a nossa imagem seja recuperada”, frisa.

PAUTA DE LUTA
Por todos os problemas apresentados na manutenção da produção de leite, manifestações têm sido realizadas pelos produtores na tentativa de conscientizar o governo da importância da cadeia do leite e da importância das condições de trabalho para os produtores. A última manifestação ocorreu em Santa Rosa, na terça-feira (10), quando uma comitiva de cerca de 20 produtores santo-angelenses esteve unida às mais de 2 mil pessoas que participaram do protesto.

Com o lema estampado na faixa principal “Leite gaúcho é de qualidade, beba com tranquilidade”, os produtores reafirmaram a importância da cadeia do leite para o Estado. Nos 45 municípios de abrangência da Emater/RS-Ascar na região administrativa de Santa Rosa, é produzido em torno de 1,7 milhão de litros de leite/dia, chegando a movimentar R$ 43,8 milhões por mês.

No manifesto, estiveram agricultores de mais de 60 municípios da região, convocados pela Fetag, com apoio de Sindicatos dos Trabalhadores Rurais, administrações municipais, cooperativas e Emater/RS-Ascar, entre outras entidades representativas. Ao longo do trajeto, foram entregues documentos com a pauta reivindicatória a representantes do Poder Executivo e Legislativo, bem como da Previdência Social, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Banrisul.

Segundo levantamento realizado pela Emater/RS-Ascar, os produtores maiores tiveram, em média, uma redução de 15% na produção, e os agricultores familiares, de 30% nos preços pagos. A pauta de reivindicações contempla também questões como a busca de subvenção de 50% nos tributos federais e estaduais no óleo diesel para a agricultura familiar, automação dos sistemas de carregamento de leite para dar mais transparência na relação produtor, transportador e indústria, suspensão temporária das importações de 90 a 120 dias até equilibrar a oferta interna de leite no País e agilidade do governo federal na compra de leite em pó do RS, bem como manutenção de aquisições contínuas como forma de escoar o produto gaúcho, evitando uma superoferta local.