Cargo de profissionais de apoio deverá ser criado para atender rede municipal de educação

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Após denúncia dos pais de alunos com deficiência, audiência pública foi realizada

Uma audiência pública foi realizada na terça-feira (25), na Câmara de Vereadores de Santo Ângelo. A atividade teve como objetivo discutir as demandas existentes na rede de ensino municipal com relação ao atendimento aos alunos com deficiência.

O encontro contou com a participação de autoridades, vereadores, entidades, ONG’s e familiares das crianças com deficiência que necessitam de monitores.

A reunião foi proposta pela vereadora Jacqueline Possebom (PDT), juntamente com a Comissão de Educação do Legislativo Municipal, a qual integram também os vereadores Lauri Juliani (PDT) e Diomar Formentom (PT). Na ocasião, familiares e representantes das escolas explanaram sobre as necessidades e dificuldades encontradas no cotidiano educacional. Na audiência ficou claro que, tanto para os familiares quanto para professores e diretores, é indispensável a presença de monitores para o auxílio necessário do exercício das atividades propostas em sala de aula, para que sejam efetuadas de forma plena.

De acordo com diretor do Centro de Atendimento Integral à Criança – CAIC, Geraldo Fonseca, a maior dificuldade encontrada é a falta de recursos humanos. “Temos hoje 12 crianças com necessidades especiais. Buscamos fazer o possível para atendê-los da melhor forma e encontrar uma solução”, comenta Geraldo. Ele ainda relatou que muitas vezes professores ou até mesmo a direção têm que realizar o papel de monitor e ajudar os alunos.

Relato dos pais

Segundo o pai de uma criança com deficiência, Itamar Dallepiane, o prazo foi longo. “O prazo para resolver o problema foi grande, mas se resolver já está bom. Estamos confiantes de que será solucionado e que em breve meu filho terá uma monitora para auxiliá-lo novamente”, afirma Dallepiane.

Ao ouvir os relatos dos presentes, a secretária municipal de Educação, Rosa Maria de Souza, iniciou sua explanação dizendo que compreende a necessidade do município dispor de mais profissionais e que, por conta disso, a Secretaria está elaborando um programa, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, que permita o encaminhamento de técnicos de Enfermagem para o trabalho, em um prazo de 45 dias. Rosa de Souza também se comprometeu a discutir com o Executivo Municipal a criação de cargos de profissionais de apoio, sanando o problema para os próximos anos letivos.

Para a promotora de Justiça, Rosângela Correa da Rosa, é necessário que o Executivo encaminhe o projeto de lei de criação dos cargos permanentes e a realização de concurso público. “Esta seria uma forma de evitar o desgaste que vem ocorrendo todos os anos, quando os pais precisam solicitar e comprovar que seu filho necessita de um profissional de apoio”, comenta Rosângela. 

COMISSÃO DE EDUCAÇÃO DA CÂMARA DE VEREADORES

O vereador Lauri Juliani também esteve presente na reunião. Ao se pronunciar ressaltou a labuta diária de um portador de deficiência. Destacou, ainda, a necessidade do trabalho em conjunto a fim de conquistar melhores condições de acessibilidade e inclusão às pessoas com necessidades especiais. O vereador colocou-se à disposição para a realização dos encaminhamentos necessários. Da mesma forma, o vereador Diomar Formentom mostrou-se engajado na causa.

De acordo com a vereadora Jacqueline Possebom, nos próximos dias serão elaborados e encaminhados os documentos necessários para que sejam atendidas, o mais breve possível, as solicitações dos pais e professores. Além disso, conforme a vereadora, será elaborado um projeto com base na proposta apresentada pela promotora, no qual será criado um cargo permanente para o atendimento aos alunos com deficiência.

 

“RELATOS DOS PAIS SENSIBILIZARAM OS PRESENTES NA AUDIÊNCIA”, COMENTA A PROMOTORA ROSÂNGELA DA ROSA

Presente na audiência pública para a melhoria no atendimento da educação pública municipal a crianças com deficiência, a promotora de Justiça Rosângela Corrêa da Rosa comentou que os relatos dos pais chamaram a atenção dos presentes. “Sem dúvida, sensibilizou a todos, pois nos mostrou o quanto é difícil estar sempre retomando o pedido para a disponibilização desse serviço”, fala Rosângela.

Para ela, embora com opiniões divergentes, a reunião aconteceu com respeito e diálogo. “Acredito que é exatamente esta a conduta que a população deve ter. Unir forças para solucionar os problemas nos mostra que é o caminho e que ele é eficaz”, salienta.

Ela informou ainda que a Secretaria de Educação e a Secretaria de Saúde irão atuar conjuntamente para suprir as necessidades dos alunos. “A secretária de Educação, Rosa Maria de Souza, se comprometeu a contratar técnicos de Enfermagem para sanar temporariamente este problema”, afirma a promotora.

O prazo de 45 dias foi anunciado pela secretária Rosa de Souza.

A promotora Rosângela parabenizou a atuação da Comissão de Educação da Câmara de Vereadores, que segundo ela foi reativada neste ano. “A Comissão assumiu este compromisso e afirmou que irá acompanhar permanentemente as questões que dizem respeito à educação, não só esta situação”, comenta.