Caso Kiss: Sete anos depois, réus ainda não foram julgados

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242 jovens morreram em decorrência do incêndio na boate em 27 de janeiro de 2013

Representante do Núcleo Missões da Associação dos Famílias e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, Jorge Malheiros defende que não são somente quatro réus que devem ser responsabilizados. Mauro Hoffmann, Marcelo Santos, Luciano Bonilha e Elisandro Spohr serão julgados em março

Depois de sete anos os familiares das vítimas do incêndio da boate Kiss, de Santa Maria, ainda não viram a justiça ser feita. Quatro réus devem ser julgados em março. Em Santa Maria serão três: Mauro Hoffmann, empresário e sócio da boate, Marcelo Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira, e Luciano Bonilha, ajudante do grupo. A defesa de Hoffmann, no entanto, ainda na quinta-feira (23), ingressou com um pedido de que seja julgado fora da cidade. Benefício que foi concedido pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul ao quarto réu, Elisandro Spohr (Kiko), empresário e sócio da boate – deste pedido, no entanto, Ministério Público recorreu.

Jorge Malheiros

Jorge Malheiros, pai de Fernando de Lima Malheiros (que morreu no incêndio) e representante do Núcleo Missões da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria diz que o sentimento que fica da situação que o julgamento se encontra é de “total decepção e descrença da Justiça Gaúcha”. Ele ainda diz que o julgamento teve início quando o inquérito da polícia foi entregue ao Ministério Público. “Este juri já vem acontecendo desde a entrega do inquérito da Polícia, quando o Ministério Público começou a desmanchar situações com a clara intenção corporativista de blindar algumas responsabilidades em tudo isso”, argumenta.

Malheiros defende que a culpa pelo incêndio não se resume apenas aos quatro réus. “Isso está posto no inquérito da Polícia Civil, entregue ao Ministério Público. Isso está posto também nos desdobramentos da fase de instruções feita pelo juiz Ulysses (Fonseca Louzada), durante as audiências, quando foram ouvidos centenas de sobreviventes. Neste momento ficou provada a negligência dos entes públicos, que foi fundamental para que a tragédia acontecesse”, afirma.

Para o representante, a percepção que se tem agora, das defesas dos réus, é a tentativa de colocá-los como vítimas “da negligência e omissão dos poderes públicos em Santa Maria”, diz. “Pelo que acompanhei e vi, posso dizer que eles não são vítimas, sim cúmplices”, reforça. “Caso Kiss não vai satisfazer única e exclusivamente ao desejo dos pais. A sociedade foi atingida por tudo isso. Minha filha estava lá e poderia estar lá o filho de qualquer outra pessoa.”

Malheiros critica, ainda, a tentativa de criar a imagem de que os pais e familiares buscam vingança. “Isso é uma estratégia mórbida das defesas, respaldada por alguns desembargadores que acreditam nesta conversa”, diz.

A tragédia
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada do dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.

Ao todo, 242 pessoas morreram (naquela madrugada e dias depois) Outros 600 ficaram feridas. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

A tragédia, que teve repercussão internacional, é considera a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.

Cinco jovens de Santo Ângelo e um de Entre-Ijuís morreram naquela madrugada. Lauriani Salapata; Benhur Retzlaff Rodrigues; Fernando Michel Devagarins Parcianello; Vinivius Marconato Uggeri e Matheus Engers Rebolho.

De Ijuí sete jovens morreram: Fernanda de Lima Malheiros; Allana Willers; Linccon Turcato Carabadgialle; Thiago Amaro Cechinatto; Marcos Rigoli; Robson Van Der Ham e Helena Poletto Dambros.

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