Centro Missioneiro de Equoterapia corre o risco de não reiniciar atividades em março

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Curso reconhecido pela Ande ainda não foi viabilizado pela Prefeitura à fisioterapeuta do Centro

Das 32 crianças atualmente atendidas pelo Centro Missioneiro de Equoterapia Santo Ângelo Custódio (CMESAC) no Parque de Exposições Siegfried Ritter, 15 – cujo foco no trabalho é no desenvolvimento da parte física – terminaram o ano sem atendimento. Segundo a coordenadora técnica do CMESAC, a psicóloga Mariliane Adriana Monteiro, a situação se estende desde agosto.

Neste ano, o Centro Missioneiro passou por uma mudança de fisioterapeuta, profissional que, pela lei municipal nº 3.077, de junho de 2007, que criou o Centro, é de responsabilidade da Prefeitura – um dos três parceiros fundadores da entidade, que ainda tem na sua composição a URI e o Núcleo Missioneiro de Criadores de Cavalos Crioulos. E corre o risco de não reiniciar suas atividades em março, o mês previsto.

CURSO ESPECÍFICO
No Centro Missioneiro, o profissional de fisioterapia, para atuar no atendimento às crianças, precisa ter um curso específico reconhecido pela Associação Nacional de Equoterapia (Ande), o que a atual profissional da área que atende no Centro ainda não tem. Houve um curso reconhecido pela Ande realizado recentemente em Uruguaiana, de 24 a 28 de novembro, mas o qual a profissional de fisioterapia não fez, uma vez que os custos de participação eram de responsabilidade da Prefeitura e os recursos não foram liberados. O valor da inscrição era de R$ 900, e ainda haveria despesas de deslocamento, hospedagem e alimentação, entre outros.

“Nós utilizamos o cavalo como um mediador, um instrumento terapêutico com o qual tem-se um resultado maior do que com a terapia tradicional. E desde agosto temos 15 crianças sem atendimento com nosso instrumento terapêutico, que é o cavalo. A equoterapia é formada por três profissionais básicos: um fisioterapeuta, um psicólogo e um equitador. E há crianças que, a partir da avaliação e da sua necessidade, são encaminhadas para um atendimento de fisioterapia”, contou Mariliane na manhã de terça (9), durante visita, ao Centro, dos vereadores Jacques Barbosa, Jacqueline Possebom, Lauri Juliani e Nader Hassan Awad, todos do PDT, para verificar o atual quadro do CMESAC.

“Não é simplesmente colocar uma criança em cima do cavalo e sair com o cavalo andando. As crianças com deficiência precisam de uma avaliação e, a partir dessa avaliação, com o entendimento dinâmico do que é o processo de andar a cavalo, se iniciam os movimentos. Para a criança ir para o dorso do cavalo, o profissional tem de saber a frequência de andadura, a intensidade, o diâmetro, porque tudo isso vai interferir neurologicamente na criança. Temos uma profissional muito bem qualificada, porém ainda não na qualificação básica da equoterapia”, complementou a coordenadora. O Centro entrou em recesso e a retomada dos trabalhos está prevista, pelo menos na teoria, para o começo de março. “Corremos o risco de o mês de março chegar e termos de dizer que o Centro não vai abrir as portas. Nós não vamos colocar nossas crianças em risco”, enfatiza.

POSIÇÃO DOS VEREADORES
Os vereadores, ao conversar com integrantes da equipe de atendimento para conhecer a realidade atual do CMESAC, se comprometeram a, em sendo necessário, captar os valores necessários para a viabilização do curso para a profissional.

“Vamos solicitar ao poder público municipal que dê a capacitação para a fisioterapeuta e, principalmente, que olhe mais de perto o Centro. Diante de toda essa estrutura que a entidade tem, e do serviço prestado apesar de todas as dificuldades, é lamentável que essas crianças e essas famílias fiquem sem atendimento. E, caso os valores para o curso não sejam viabilizados pela Prefeitura, vamos procurar outros meios de reunir o valor, com a ajuda dos nossos amigos, da comunidade. Vamos dar um jeito”, destacou Jacques. Ainda será agendada uma audiência do Legislativo com pais de alunos do Centro.

OUTRO LADO
A secretária municipal de Saúde, Claudete Cruz, argumenta que não houve tempo hábil, diante da data do ofício enviado pelo Centro e do início do curso, para a liberação dos recursos pela Prefeitura. “Em nenhum momento nos negamos a pagar o curso para a profissional, que é cedida pela Secretaria de Saúde. Isso nunca foi dito por nós. Sabemos que no serviço público há uma série de trâmites para a liberação de recursos, e o que ocorreu foi que o tempo ficou muito em cima e não houve tempo para a liberação. Recebemos o ofício do Centro no dia 19 de novembro, e o curso começaria no dia 24. Precisaríamos de no mínimo dez dias para poder liberar os valores. Estamos pesquisando para ver onde haverá um novo curso o quanto antes, e a participação será viabilizada normalmente pela Secretaria de Saúde”, expõe a secretária.