Centro Missioneiro de Equoterapia planeja atender cem crianças com deficiência em projeto de hipismo adaptado

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Para isso, entidade conta com a contribuição da comunidade na obtenção dos recursos

Com a presença do secretário estadual do Esporte e do Lazer, Ricardo Petersen, e do presidente da Fundação de Esporte e Lazer do Rio Grande do Sul (Fundergs), Cláudio Augusto Silva Gutierrez, a Associação dos Amigos do Centro Missioneiro de Equoterapia Santo Ângelo Custódio (CMESAC) lançou no final da tarde de quarta-feira (16) a proposta paraequestre do centro. O lançamento foi feito na sede do CMESAC, no pavilhão 7 do Parque de Exposições Siegfried Ritter.

Também estiveram presentes o bicampeão mundial de judô João Derly, hoje vereador em Porto Alegre pelo PCdoB, e a atleta Luiza Oliano, campeã mundial juvenil de judô para cegos, além da presidente da Associação dos Amigos do CMESAC, Vera Lúcia Linck, da coordenadora técnica do CMESAC, a psicóloga Mariliane Adriana Monteiro, e do diretor-geral da URI Santo Ângelo, parceira do centro, Gilberto Pacheco. A modalidade paraequestre é um hipismo adaptado, ou seja, uma prática esportiva voltada a pessoas com deficiência ou que tenham necessidades específicas.

META É ATENDER CEM CRIANÇAS
Um dos objetivos do lançamento foi o de dar início a uma mobilização na cidade para reunir os recursos necessários para colocar o projeto em prática. Mariliane disse que, no momento, o Centro Missioneiro de Equoterapia se prepara para no segundo semestre começar com um projeto piloto, atendendo cinco crianças, para depois, quando os recursos necessários tiverem sido angariados, dar início ao projeto mais amplo, cuja meta é atender cem crianças.

“Nós temos a estrutura necessária, mas, para aumentarmos o projeto, são necessários equipamentos, materiais e uma equipe técnica, por isso precisamos de parceiros para sustentar essa prática”, afirmou. Exemplos de equipamentos e materiais são barras, paraflancos, capacetes e cones, e a equipe técnica seria formada por um equitador – formado pela Associação Nacional de Equoterapia –, psicólogo, guia, fisioterapeuta e um profissional de educação física. A modalidade será desenvolvida dentro das normas da Federação Equestre Internacional.

CONVÊNIO PARA FESTIVAL PARAEQUESTRE
Na solenidade de lançamento, também foi assinado um convênio no valor de R$ 11.165 com a Fundergs, para repasse imediato. A Associação dos Amigos foi uma das classificadas no edital nº 3/2014 da fundação, voltado ao apoio financeiro do órgão para eventos esportivos e de lazer no Estado. “Isso nos impulsiona a prosseguir em nosso trabalho voluntário e acreditar que a solidariedade é o melhor investimento que podemos fazer em vida”, manifestou-se a presidente Vera Lúcia Linck. O evento inscrito pela associação foi um festival paraequestre que será realizado em novembro. A associação também fez a inscrição em outro edital da Fundergs, para aquisição de equipamentos, e o resultado deverá sair nos próximos dias.

COMUNIDADE PODE CONTRIBUIR COM O CENTRO DE EQUOTERAPIA
Para a implantação, posteriormente, do projeto mais amplo da modalidade paraequestre, de atendimento a cem crianças, Mariliane diz que serão necessários R$ 100 mil. Pretende-se reunir os recursos por meio de parceiros na comunidade, do programa Pró-Esporte/RS, do Nota Fiscal Gaúcha e de incentivo fiscal. “Hoje, são 370 crianças em Santo Ângelo que têm alguma deficiência ou uma necessidade específica, e que não praticam esportes, não têm atividades de lazer. É por isso que estamos nos desafiando a iniciar essa modalidade. Com o valor deste convênio, já estamos dando um primeiro passo, mas precisamos de parceiros e colaboradores para que a modalidade seja efetivamente implantada”, frisou a coordenadora técnica.

Para entrar em contato com o Centro Missioneiro de Equoterapia, o telefone é (55) 3313-8479. Os e-mails são [email protected] e [email protected]

MANIFESTAÇÕES
João Derly disse que “o esporte, quando inserido na vida de pessoas com deficiência, faz com que elas tenham maior qualidade de vida e o desejo de aprender, melhorar e obter conquistas”. Também elogiando a iniciativa, Cláudio Gutierrez ressaltou que o sonho de todos é construir um mundo mais inclusivo e no qual todas as pessoas sejam socialmente iguais. “De nada adiantam projetos se, na ponta, não houver pessoas que acreditem e se sintam vocacionadas para construir este mundo”, destacou o presidente da Fundergs.

Já o secretário estadual do Esporte e do Lazer analisou que, muitas vezes, quando pessoas com deficiência não se sentem estimuladas a praticar atividades, o prejuízo não é só físico, mas também psicológico. Com isso, ele lembrou a importância de iniciativas como o projeto. “Muitas pessoas com deficiência pensam que não conseguem desenvolver nada, e, quando surgem oportunidades assim, elas vão lá, encaram e conhecem outra vida. É fundamental que elas se sintam capazes e muito mais felizes por meio do esporte”, avaliou Ricardo Petersen.