Chuvas nos próximos dias serão fundamentais

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Para manter potencial produtivo, cultura do milho no município necessita que ocorram chuvas generali

Com 80% da área já plantada em Santo Ângelo, é imprescindível para a cultura do milho a incidência de chuvas nos próximos dias. A análise é do chefe do escritório municipal da Emater, Álvaro Uggeri Rodrigues, esclarecendo que no município serão cultivados 4.250 hectares. O engenheiro agrônomo ressaltou que este período é a fase crítica da cultura e que as precipitações são fundamentais para manter o potencial produtivo dos grãos.

“Analisando desde o início o clima vem sendo favorável para o desenvolvimento da cultura. Porém, neste momento que a maior parte está em fase de floração é imprescindível que ocorram chuvas generalizadas nesses próximos dias. A cultura está precisando. É uma fase crítica. Caso passe dias e não ocorram, poderemos ter prejuízos. Os produtores estão aguardando que venham chuvas generalizadas para manter esse potencial produtivo”, disse.

O engenheiro agrônomo informou que da área plantada, 80% encontra-se em fase de floração e 20% no período de desenvolvimento vegetativo. Neste ano houve uma diminuição de 12% na área cultivada, em relação ao ano passado. A estimativa da Comissão Municipal de Estatística Agropecuária (Comea) é de que a produtividade seja de 90 sacas por hectare.

ESPERANDO A CHUVA
O agricultor Edson Forgiarini, que neste ano plantou 20 hectares de milho em sua propriedade na localidade de Rincão do Sossego, no interior do município, é um dos produtores que estão na expectativa pela chuva.

“Precisa de uma chuva que está prometendo de hoje para amanhã. O milho está em uma fase bem crítica, o meu está no enchimento de grãos, então tem que chover até o final de semana, senão vai começar a dar quebra”, avaliou o produtor, que espera uma produtividade média de 100 sacas por hectare em sua propriedade.

SOJA
O chefe do escritório municipal da Emater informou ainda que 45% da área cultivada com soja já foi plantada em Santo Ângelo. Neste ano serão 37.200 hectares cultivados com a planta, superando os 36.800 do ano passado. A expectativa é de produtividade de 42 sacas por hectare. Na safra passada, foram colhidas no município 40 sacas por hectare.

Álvaro explicou que na área plantada a soja encontra-se na fase de germinação e desenvolvimento vegetativo. O engenheiro agrônomo disse que, assim como para a cultura do milho, a incidência de chuvas seria benéfica.

“Não tão imprescindível como para o milho, seria muito bom a incidência de chuvas. Entre 40 e 50 milímetros seria o considerado ideal. A chuva beneficiaria a planta que está germinando, daria uniformidade”, avaliou o agrônomo, explicando que, segundo o zoneamento agrícola, este é o período recomendado para o plantio na região.

CHUVAS ESPARSAS
No final da tarde de ontem (21), ocorreram esparsas pancadas de chuva em algumas localidades do município, deixando os agricultores na expectativa de que se generalize e venha em bom volume. “Parece muito esparsa, em que pegar um bom volume já ajuda bastante. Mas acredito que ainda não seja generalizada. Na segunda teremos os dados precisos do volume de chuvas, a princípio parece insuficiente, mas talvez em alguma localidade tenha chovido bem”, disse o chefe do escritório municipal da Emater. Até o fechamento desta edição não haviam sido divulgados dados do volume das precipitações em Santo Ângelo.

Trigo tem quebra estimada em 68,8%
Conforme o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira (20) pela Emater/RS-Ascar, 79% da área cultivada com o trigo no Estado já foi colhida. Em Santo Ângelo, de acordo com o chefe do escritório municipal da Emater, Álvaro Uggeri Rodrigues, a colheita já foi encerrada. No Rio Grande do Sul, o levantamento indica produtividade média de apenas 1.576 quilos por hectare, queda de 50,2% em relação ao rendimento médio de 2013 (3.164 quilos por hectare) e de 42,3% ante a estimativa inicial.

No município, de acordo com a última avaliação da Comissão Municipal de Estatística Agropecuária (Comea), a produtividade média foi de 14 sacas por hectare. Conforme os dados, houve uma quebra de 68,8% em relação à estimativa inicial deste ano, que era de 45 sacas por hectare. Em relação ao ano passado, a quebra chega a 77%.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) divulgou na quarta-feira (19) que a busca pela boa qualidade do trigo está valorizando o cereal. No acumulado do mês (até o dia 18), o produto com origem no Rio Grande do Sul acumulava valorização de 4,9%. Entretanto, conforme aponta Álvaro, os triticultores de Santo Ângelo não têm conseguido se beneficiar desta possível valorização devido à qualidade do grão.

“Não estamos observando essa situação aqui no município. Nos preocupa é que grande parte do trigo colhido em Santo Ângelo e região não atingiu um bom padrão de qualidade. Já com a colheita encerrada podemos dizer que em grande parte, além da baixa produtividade se observa a baixa qualidade do grão. Não todo, mas uma grande parte foi enquadrada como triguilho e, não alcançando um bom padrão, com certeza a remuneração será menor”, apontou Álvaro.

O engenheiro agrônomo destaca que os dados em relação ao trigo não são definitivos. Ele informou que no próximo dia 2 de dezembro será realizada uma reunião da Comea para se chegar a uma conclusão com dados finais sobre a safra deste ano.

RINCÃO DO SOSSEGO
O agricultor Edson Forgiarini, que neste ano cultivou 70 hectares de soja em sua propriedade na localidade de Rincão do Sossego, no interior do município, colheu entre 12 e 14 sacas por hectare. Forgiarini informou que ainda não comercializou o trigo colhido e que provavelmente não haverá lucro com a safra deste ano.

“A maioria das lavouras foram financiadas, então o Proagro cobre os custos da produção, mas lucro não acredito. O PH considerado ideal é 78, aqui foi colhido trigo com PH entre 70 e 74. O preço com PH 74 fui informado que está em média R$ 18 a saca e o trigo com PH 70 chega a R$ 15. Abaixo de PH 72 já é considerado triguilho”, disse Forgiarini.

O produtor informou ainda que a média de sua propriedade ficou com 73 de PH, que pode ser vendido como trigo. “Mas teve uma parte da produção que ficou com o PH 70, e é vendido como triguilho”, contou.