Comércio sente a greve dos bancários na capital das Missões

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Santo-angelenses começam a ter dificuldades em transações bancárias e conseguir troco

Os bancários em greve decidiram rejeitar, em assembleias realizadas na segunda-feira (7), a proposta de reajuste de 7,1% oferecida pela Fenaban (Federação Nacional dos Bancos). Com isso, está mantida em todo o país a paralisação, que completa mais de 20 dias. A proposta dos bancos, de elevar de 6,1% para 7,1% (ganho real de 0,97%), foi apresentada na sexta-feira (4).

Apesar do auxílio dos caixas automáticos, das lotéricas e de operações bancárias que podem ser efetuadas pela internet, o efeito da paralisação começa a afetar o comércio santo-angelense, tanto na renegociação de títulos, como no pagamento de contas e no troco para clientes.

MAIOR MOVIMENTO NAS LOTÉRICAS

O movimento em locais credenciados aumentou significativamente. Para a proprietária da Lotérica Cardoso, credenciada pelo Banrisul, Marinês Cardoso, as filas têm sido constantes, assim como as reclamações. “Sempre ouvimos queixa, pois temos um limite no valor das transações; se excede o sistema tranca”, diz Marinês. Segundo o proprietário da Lotérica Saci, habilitada pela Caixa Econômica Federal, Michael Contri, o fluxo de clientes teve um aumento de 30%. “A maior dificuldade é no troco, mas apesar de efetuarmos mais operações nosso sistema está operando bem”, afirma Michael.

COMÉRCIO SENTE A GREVE

Já os comerciantes e empresários sentem dificuldades em fornecer troco ao cliente e fazer transações bancárias, como pagamentos. “As lotéricas não aceitam boletos vencidos. Já fiquei sem conseguir pagar, porque confundi as datas. Eu acho que não deveriam colocar em protesto enquanto estão em greve”, ressalta o proprietário da Ótica Marfim, Luis Simões Pires.

No Restaurante Quick, o problema é conseguir dinheiro trocado e efetuar transações bancárias. “Estamos com bastante dificuldade por conta dos valores que as lotéricas aceitam e pela falta de troco no comércio”, comenta o gerente, Felipe Minetto.

Porém as lojas credenciadas com bancos comemoram a movimentação. Na Colombo, correspondente do Banco Bradesco, o fluxo de clientes aumentou, segundo o gerente da loja, Alexandre Michielin. “Para nós foi bom, mas ouvimos reclamações em todos os lugares, porque de certa forma nos tornamos reféns dos bancos. Quando as pessoas entendem de informática o processo pode ser facilitado, através de caixas eletrônicos e internet. Contudo acredito que para os idosos os problemas são maiores”, salienta.

Proposta rejeitada

Reajuste: 7,1% (0,97% de aumento real).

Pisos: Reajuste de 7,5% (ganho real de 1,34%).

– Piso de portaria após 90 dias: R$ 1.138,38.

– Piso de escriturário após 90 dias: R$ 1.632,93.

– Piso de caixa após 90 dias: R$ 2.209,01 (que inclui R$ 391,13 de gratificação de caixa e R$ 184,95 de outras verbas).

PLR regra básica: 90% do salário mais valor fixo de R$ 1.694,00 (reajuste de 10%), limitado a R$ 9.011,76.

PLR parcela adicional: 2% do lucro líquido distribuídos linearmente, limitado a R$ 3.388,00 (10% de reajuste).

Adiantamento emergencial – Não devolução do adiantamento emergencial de salário para os afastados que recebem alta do INSS e são considerados inaptos pelo médico do trabalho em caso de recurso administrativo não aceito pelo INSS.

Prevenção de conflitos no ambiente de trabalho – Redução do prazo de 60 para 45 dias para resposta dos bancos às denúncias encaminhadas pelos sindicatos, além de reunião específica com a Fenaban para discutir aprimoramento do programa.

Adoecimento de bancários – Constituição de grupo de trabalho, com nível político e técnico, para analisar as causas dos afastamentos.