Como será o Dia de Finados para quem teve um familiar cremado

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Elizabeth guarda em sua residência a urna hidro-ecológica com as cinzas do esposo Plínio, falecido em 2018

Às vésperas e no Dia de Finados, a tradição de visitar e cuidar dos túmulos é mantida por várias famílias. É um dia de lembranças e orações por aqueles que já não estão mais entre nós. Há os que estão ali para visitar os pais e os familiares que se foram, já idosos, mas, também há aqueles, que a vida inverteu a chamada ordem natural e vão visitar os filhos que partiram antes do tempo.

A tradição religiosa de ir ao cemitério é porque lá estão sepultados os seus entes queridos. Porém, o mundo moderno trouxe a possibilidade da cremação, que é uma técnica funerária que visa reduzir um corpo a cinzas através da incineração do cadáver. Neste caso, os familiares não realizam um sepultamento, mas guardam as cinzas em uma urna em casa ou lançam ao mar. Então como será a celebração de finados para quem teve um familiar cremado?

O corpo do engenheiro agrônomo Plínio Tarcísio Costi Pandolfo, que faleceu aos 58 anos, no dia 31 de agosto de 2018, após lutar contra um câncer no intestino, foi cremado. Para eternizar a memória, as cinzas estão guardadas em duas urnas – uma que está na casa de Elizabeth e outra na residência do irmão do falecido, o cirurgião dentista Ruy Costi Pandolfo. Segundo a esposa Elizabeth, a decisão pela cremação foi pessoal dela, mas também era um desejo do marido. “Nós nunca gostamos de ver o momento do fechamento de um jazigo ou túmulo no sepultamento de uma pessoa por isso optamos pela cremação”, explica.

A urna é hidro-ecológica, isto é, biodegradável cujos componentes não poluem o meio ambiente; pode ser imersa em água corrente ou poderá servir de vaso para o plantio, junto às cinzas, de uma árvore ou planta. Acompanha a urna, sementes de Pau Cigarra para o plantio.

Elizabeth adianta que o dia de penitência e recolhimento será feito com oração em casa ao lado do filho Lucas, de 24 anos. “O Plínio foi um grande companheiro e pai. Tinha facilidade em fazer amigos, gostava de andar de bicicleta e tinha um bom relacionamento com seus clientes. Era pura alegria, gostava de viver e era muito dedicado. Não deixava a tristeza invadir sua mente, era amoroso, gostava de uma boa comida e das coisas simples”, rememora.

O irmão Ruy Costi Pandolfo, 67 anos, também comenta sobre a cremação e o dia de finados. “A cremação é um ato em benefício do meio ambiente. Acredito que o Dia de Finados é uma questão cultural porque o corpo, a matéria, termina com a morte, mas o espírito não. Não costumo ir ao cemitério no Dia de Finados, mas quando vou a Passo Fundo faço uma oração no túmulo da família. Este ano, farei uma oração em casa em memória dos entes queridos que já partiram”, comenta.

Ruy diz que os filhos sempre desejaram ser sepultados junto aos restos mortais da mãe, no cemitério em Passo Fundo “e a urna com as cinzas que está em minha casa será depositada lá”, frisa.

Tanto Elizabeth como Ruy planejam enterrar a urna e plantar as sementes de Pau Cigarra na cidade natal de Plínio, em Passo Fundo.

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