Comunidade escolar denuncia falta de professores e funcionários nas escolas da rede estadual

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Educadores, alunos e familiares estiveram na Rádio Santo Ângelo, na quinta-feira (11)

"Não dá mais para continuar como está". Esse é o desabafo de representantes de várias escolas estaduais de Santo Ângelo diante da falta de professores e funcionários, que estaria afetando o desenvolvimento normal das aulas, a elaboração da merenda escolar e outras atividades cotidianas dos educandários da rede estadual. Professores, pais e estudantes estiveram na quinta-feira (11), no Programa Linha Aberta, da Rádio Santo Ângelo, denunciando as carências das escolas e o suposto descaso do Governo do Estado com a Educação. Uma série de reclamações foi enumerada aos apresentadores Jota Miguel e Luis Otávio Zysko.

O Colégio Estadual Pedro II, por exemplo, falta merendeira e os recursos do Programa Mais Educação não estão sendo utilizados. Conforme a professora Rosane Lubini, a diretora da escola pensa em até devolver o dinheiro ao Governo do Estado. “Na nossa escola também falta funcionária para o serviço de limpeza, sem falar nos problemas estruturais do ginásio que não é fechado e os alunos, em dias de chuva, não podem desenvolver atividades físicas. Eles acabam tendo que ficar em sala de aula. A nossa coordenadora faz o possível para resolver esse problema, mas infelizmente dependemos da sensibilidade da 14ª Coordenadoria de Educação”, revela.

A professora Lúcia da Rosa, da Escola Estadual Esther Schröder, também reclama da desatenção do Estado. “Na escola faltam agentes educacionais, temos problemas de infraestrutura e o mais preocupante, carecemos de intérprete de Libras justamente em uma escola que se dedica ao ensino especial e à educação inclusiva. A atual realidade dificulta o trabalho educativo”, observa.

Quem também lamenta o atual quadro do ensino é a funcionária Maria Celeste Paiva, da Escola Estadual Sparta de Souza. “É triste ver colegas professores e funcionários trabalhando doentes por não terem quem os substitua. Desde 2012 estamos nessa luta. Não sei dizer quantas vezes reclamamos, mas até agora nenhuma solução foi dada”, completa.

O QUE DIZ A COORDENADORIA DE EDUCAÇÃO

O coordenador da 14ª coordenadoria Regional de Educação, Adelino Seibt, explica que a prioridade do momento são os contratos emergenciais de professores em sala de aula. Segundo Seibt, os pedidos já foram encaminhados e aprovados pela Secretaria Estadual de Educação. “Acreditamos que nas próximas semanas esse problema será solucionado. Ao todo serão 140 contratos emergências para atender as demandas dos 11 municípios que fazem parte da área de atuação da Coordenadoria”, frisa.

Em relação à contratação de funcionários, o coordenador diz que esse processo será mais demorado. “Teremos que contratar cerca de 50 funcionários. Encaminharemos pedidos para contratação emergencial de profissionais às 40 escolas que integram a 14ª Coordenadoria Regional de Educação”, frisa.

A respeito do Colégio Pedro II, o coordenador se comprometeu em resolver essa questão o mais breve possível. Segundo ele, a Coordenadoria fará um remanejamento de uma merendeira de outra escola para esse educandário.

Adelino considera normal o aumento da demanda de funcionários, neste momento, com a implantação dos programas Mais Educação e o Escola Aberta, assim como a colocação em funcionamento das escolas politécnicas. "Estamos enfrentando esse desafio”, afirma.