Corpo de Bombeiros: defasagem ultrapassa 50% do efetivo

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Existe a necessidade de 40 homens no setor operacional, que funciona atualmente com apenas 14

Quando o assunto é segurança pública, o Estado vem sofrendo com a defasagem em efetivos não só quando diz respeito ao policiamento. A reportagem do Jornal das Missões visitou o Corpo de Bombeiros de Santo Ângelo e conversou com o comandante operacional dos bombeiros, major Luiz Augusto Chagas, que garante nunca ter visto tamanha precariedade de efetivo no setor.

EFETIVO DEFASADO
Conforme o comandante, é previsto pelo quadro da Brigada Militar a necessidade de 40 homens na parte operacional do Corpo de Bombeiros, “mas hoje trabalhamos com 18, sendo que 14 estão disponíveis. Este número varia dependendo o dia, pois tem dias que tem gente baixada com atestado de saúde, varia de 12 a, no máximo ,16. Efetivamente, temos 14 pessoas trabalhando no operacional”, destaca.
A defasagem, de acordo com Chagas, ocorre por conta da não inclusão de efetivo nos últimos três anos e pelo decreto de contenção de gastos baixado pelo governador José Ivo Sartori. “Somente neste ano, perdemos quatro homens que foram embora para reserva devido às mudanças na legislação. Por medo de que possam perder algum tipo de vantagem, assim que fecha o tempo de serviço, a maioria está preferindo ir embora e fugir dessa crise pela qual passa o Estado”.
O que tem amenizado a falta de efetivo são as horas extras previstas pelo governo, mas o Corpo de Bombeiros cobra uma resolução mais efetiva sobre o problema. “Entendemos essa situação de crise, mas é uma questão de sensibilidade incluir efetivo tanto no Corpo de Bombeiros quanto no policiamento, que também está bem defasado, para que possamos gerir melhor essas questões de dar um atendimento mais adequado, com mais qualidade, porque acho que a comunidade merece”.

BOMBEIROS NO AEROPORTO
A possibilidade de reabertura do Aeroporto Regional de Santo Ângelo no próximo ano é outro tema que gera preocupações quanto à segurança, já que estima-se a necessidade de 20 homens do Corpo de Bombeiros para atender a demanda no local. “Não há a possibilidade de vir efetivo de fora, por está em falta em todo o Estado. O comando já informou que estamos sem condições de atender mais essa demanda, pois teríamos que tirar o pessoal que temos para atender os 80 mil habitantes, e estes ficariam desassistidos”, garante. Quando o Aeroporto estava em funcionamento, Chagas explica que era deslocado o efetivo do Corpo de Bombeiros nos momentos de pouso, mas que hoje essa realidade não é mais viável. “O ideal seria uma equipe específica, mas como isso extrapola nossas condições, não vejo qual solução será dada pelo governo para resolver essa situação”.

OPERAÇÃO GOLFINHO
Este ano o Comando Regional de Santo Ângelo informou que não indicará pessoas para as atividades da Operação Golfinho, também devido à falta de efetivo. “Quem é salva-vidas não temos como segurar, o Comando chama e eles precisam ir, então só aí já podemos perder cerca de quatro homens durante o verão, ficando com uma guarnição longe do ideal”, acrescenta.

BEM EQUIPADO
Por outro lado, o Corpo de Bombeiros santo-angelense está bem servido em termos de equipamentos e viaturas. “Nós temos uma viatura resgate nova, estamos com um auto bomba tanque também novo, temos EPIs novos para cada elemento da guarnição de serviço, que são roupas individuais de combate à incêndio. Quanto a este fator está tudo ok”, completa.