Corte de mais de 40 árvores na Avenida Venâncio Aires gera amplo debate e divide opiniões

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Prefeitura diz que retirada faz parte de projeto de revitalização do Centro e de mobilidade urbana

A partir do último fim de semana, a Avenida Venâncio Aires, no Centro da cidade, passou a apresentar à população um aspecto visual diferente daquele que existia há décadas. Com isso, gerou-se estranheza. Com isso, gerou-se um impacto. Com isso, geraram-se as mais diversas manifestações de opiniões, contrárias ou a favor.

E, com as manifestações, gerou-se uma certeza – a de que esse debate não terminará tão cedo. Mesmo assim, o fato gerador de toda essa explosão de ideias e opiniões – algo verificado, por exemplo, na grande repercussão que tudo isso tem gerado nas redes sociais desde o fim de semana – já está consumado. Mais de 40 árvores, a maioria ligustros (Ligustrum lucidum), foram cortadas pela administração municipal na avenida – os trabalhos de limpeza do que sobrou delas continuam. Em sinal de protesto, moradores colocaram flores artificiais em árvores cortadas. O secretário de Turismo e Esporte, Marcos Mattos, frisa que o corte e retirada das árvores, aprovados pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente (Consema), fazem parte de um projeto de revitalização da área central e de mobilidade urbana. Será na mesma Avenida Venâncio Aires, também, que ocorrerá o desfile do Carnaval de Rua, em fevereiro, em meia pista.

“Sabemos que arrancar árvores não é um ato tão nobre, mas tem uma justificativa forte. Isso passou por um estudo, é um amplo projeto de mobilidade urbana, é a revitalização do Centro da cidade. E a rede elétrica, num segundo momento, em março ou no máximo em abril, vai ser removida para as calçadas”, declarou o secretário em entrevista ao programa Rádio Visão, da Rádio Santo Ângelo, na manhã de hoje (6). Ele acrescentou que haverá uma compensação ambiental por parte da administração municipal, com o plantio, no leito do rio Itaquarinchim, de 15 a 20 mudas por árvore cortada, o que, segundo ele, deverá ser iniciado em breve. O presidente do Consema, engenheiro agrônomo Álvaro Uggeri Rodrigues, chefe do escritório municipal da Emater, relatou no Rádio Visão que o projeto de corte das árvores enviado pelo Executivo ao conselho foi aprovado durante reunião realizada em novembro. “Analisamos todos os aspectos de melhoria de infraestrutura, da mobilidade urbana, e se decidiu naquela reunião que seriam autorizados os cortes mediante uma compensação ambiental.”

Já o presidente da Câmara de Vereadores, Diomar Formenton (PT), disse que o Legislativo não foi consultado sobre o assunto. A opinião do vereador é de que, antes de qualquer decisão sobre a retirada das árvores, o melhor caminho seria a realização de uma audiência pública. “Precisamos ouvir a população. Mobilizá-la e depois ouvi-la. A partir daí, então, se toma uma decisão”, expôs. Embora os cortes já tenham sido efetuados, a Câmara proporá a realização de uma audiência pública. O assunto, bem como uma possível data, será discutido na manhã desta terça, durante reunião da Comissão Representativa. Diomar diz que o objetivo da audiência seria o de pedir esclarecimentos mais detalhados sobre o projeto de mobilidade urbana e de revitalização e sugerir outros critérios para possíveis cortes futuros de árvores.

Em relação a alguma atitude a ser tomada pelo Ministério Público, procurado pelo JM, o promotor Hélder Estivalete afirmou que está analisando a situação do corte das árvores e disse que no momento não vai se manifestar.