Cozinha Comunitária do Bairro Sepé está de portas fechadas

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Cerca de 200 refeições diárias deixaram de ser servidas a famílias de baixa renda

Há várias semanas, a Cozinha Comunitária, também conhecida por Restaurante Popular, localizada no Bairro Sepé, zona Sul de Santo Ângelo, está fechada. Com a parada das atividades cerca de 200 refeições deixaram de ser servidas a famílias de baixa renda dos bairros Sepé, Harmonia, União, Ipiranga, Pró-Morar, Centro Sul e adjacentes.

Na sessão da Câmara desta segunda-feira (14), o vereador Gilberto Corazza (PT), apresentou moção em defesa da reabertura da Cozinha e solicitou o encaminhamento de um documento ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome para que cobre da atual administração a retomada do funcionamento do Restaurante.

GERAÇÃO DE RENDA
 
Mulheres chefes de família que trabalhavam na Cozinha lamentam a parada das atividades. “Trabalhei por mais de dois anos e meio na Cozinha e o dinheiro que eu ganhava dava para ajudar a sustentar os meus filhos”,  disse Rosemeri da Silva Rodrigues.
 
Maria Santina Toniasso Pinto que desde a inauguração da Cozinha, há três anos, trabalhava no local, ficou surpresa com o fechamento. “Lamentamos a atitude, principalmente por aquelas pessoas que ganhavam comida gratuitamente. Hoje, algumas dessas pessoas vem aqui em casa pedir comida”, relata.
 
Ivone Martins está desempregada e com esperança de retornar as atividades o mais breve possível. “Sou pai e mãe e como não estou mais trabalhando, o dinheiro acabou e a comida está terminando também”, falou.
 
A Cozinha era coordenada por Isabel Garcia Dias, que também lamentou o fechamento. “Eu já sabia que não iria continuar porque trabalhava como cargo de confiança, mas minha preocupação recai sobre aquelas mulheres que trabalhavam lá e as famílias que eram beneficiadas com a comida servida”, observa.
 
O vereador Corazza contou que seis mulheres trabalhavam na Cozinha e recebiam de ajuda financeira apenas o lucro da venda de marmitex (para levar para casa). Cada marmita custava R$ 3,00. O valor do almoço era de R$ 2,00 (servido no local). “Além do fornecimento de alimentos a preços acessíveis para a população, o Restaurante Popular disponibilizava refeições, gratuitamente, para pessoas em situação de risco social, desde que estivessem devidamente  cadastradas na Secretaria de Assistência Social”, enfatiza.
 
REFEIÇÃO DIÁRIA
 
Pai de cinco filhos, o desempregado Júlio César Souza conta que uma das únicas refeições do dia de toda a família era a que buscava na Cozinha Comunitária. “A comida era boa. Todos nós gostávamos. Agora estou desempregado e está difícil para sustentar a família”, frisa.
Já Elisângela Marques, mãe de quatro filhos, recorreu à ajuda da mãe. “Peguei comida no Restaurante por mais de um ano. Agora é minha mãe quem está ajudando a sustentar a família”.
 
Por telefone, o prefeito Valdir Andres, que cumpre agenda em Porto Alegre, afirmou que as funcionárias da Cozinha Comunitária estão em férias coletivas e que as atividades serão retomadas em fevereiro.
 
COZINHA COMUNITÁRIA
 
A Cozinha Comunitária é um projeto vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS). Nesse sentido, o vereador Corazza disse que foi criada uma estrutura que recebeu o nome de Sistema Municipal de Segurança Alimentar, que envolve ainda as estruturas básicas do Banco de Alimentos e o Programa que Aquisição de Alimentos (PAA).