Crianças enfrentam dificuldade e perigo para atravessar a rodovia

0
110

Alunos precisam se arriscar para passar por trevo perigoso

Atravessar uma rodovia perigosa todos os dias faz parte da rotina de várias crianças que estudam na Escola Municipal Marcelino José Bento Champagnat. Isso ocorre porque o educandário fica localizado no Bairro São João, quase às margens da ERS-344, e muitas das crianças que estudam no local residem do outro lado da rodovia, onde se localiza o Bairro Boa Esperança, ligando à Avenida Brasil. Existe um trevo de ligação entre os dois bairros, que são cortados pela rodovia estadual e, no local, não há sinalização para pedestres e nenhuma passarela que possa facilitar a travessia.
De acordo com a diretora da escola Champagnat, Marlene Rosane Kostulski Salapata, o educandário realiza constantes contatos com a Brigada Militar (BM), a fim de fiscalizar a travessia dos alunos. “Também já solicitamos à BM, ano passado e nesse ano, para fazerem uma passarela ou alguma coisa, já que não tem sinalização nenhuma. Pedimos também se pudessem colocar uma lombada eletrônica”, disse ela.
Os horários mais críticos são os de pico, em que os alunos saem da aula e a situação fica mais perigosa. O movimento se acentua na rodovia justamente no momento em que os alunos vão e voltam da aula. “Há alguns anos tivemos até casos de morte, se não me engano foram dois”, relata a diretora.
O colégio conta hoje com 100 alunos, mas tem capacidade para cerca de 200. “Existem muitos alunos que não vêm para a escola por causa dessa travessia. As mães ficam com medo de deixar os filhos passarem pela rodovia”, afirma Marlene.
Uma mãe que se identificou à redação como Andressa, conta que duas de suas filhas estudam na escola e que não atravessam a rodovia sozinhas. “É muito perigoso e ficamos preocupados. Quando elas saem mais cedo ficam na escola. A gente trabalha e não tem como vir antes buscar e nem elas atravessarem sozinhas. O ideal seria construir uma passarela. Já vi em outras cidades e fica muito bom e seguro, daí as crianças podem passar, porque desse jeito não tem condições”, declara a mãe.
Em contato com a Secretaria Municipal de Educação, a responsável pela pasta, Rosa Maria de Souza, afirmou que a área é de responsabilidade do Estado. “Já tentaram realizar vários projetos para construir uma passarela ou arrumar alguma solução, mas nenhum foi até o final”, disse.
A diretora da escola disse que a única segurança que os alunos têm é a polícia, mas que não podem depender só deles. “A polícia cuida às vezes, mas nem sempre. Quando tem ocorrências no mesmo horário eles não vão. Teria que ter ou um policial direto que cuida ou uma passarela, quebra mola ou pardal”, finaliza.

O QUE O ESTADO DIZ
Já a 14ª Superintendência Regional do DAER de Santa Rosa, que atende Santo Ângelo, através do superintendente Jader Barbosa Rodrigues, esclarece que nunca recebeu nenhuma solicitação formal de melhorias no local. “Até o presente momento não temos nada solicitado, não chegou nenhum projeto até nós e nada que exija alguma providência”, finaliza.