Cuidado e bem coletivo: o Natal de quem trabalha

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Em algumas profissões o Natal não é sinônimo de folga, mas sim, de muito trabalho ao próximo

 Tradicionalmente, o Natal e o Ano Novo são momentos para se passar com a família. Porém, em algumas profissões isso muitas vezes não é possível e as festas de final de ano acabam sendo períodos em que diversas pessoas trabalham. Entre elas, aquelas que visam garantir o bem coletivo: não estão com suas famílias, mas desempenham a essência de suas profissões, que é cuidar do próximo. 

“Bombeiros, Polícia Militar e órgãos ligados à saúde, são trabalhos que não podem parar. A situação nos chama sem horário e nem dia”, afirma o comandante do 11º Comando Regional de Bombeiros (CRB), major Nilton Roberto de Souza Camargo. Nos dias 24 e 25 e 31 e 1º, a corporação terá em média um efetivo de seis homens, com trocas e com servidores trabalhando 24 horas diretas. 
“Então o nosso ânimo em ser Bombeiro, nossa paixão por trabalhar e a paixão por ser útil para alguém, não tem dia, nem horário. Fazemos com orgulho, com prazer, não é castigo para ninguém. Onde as pessoas estão se divertindo, nós estamos preocupados com o risco que existe, seja em alguma ocorrência com fogo, no trânsito, estamos prontos, pois, o primeiro socorro que geralmente é chamado são os Bombeiros”, reforça o major.
Ele destaca que na região existe algo diferenciado de outros locais no Estado, onde, quando ocorre alguma ocorrência, até mesmo aqueles servidores que estão de folga no momento, vão até o local buscando auxiliar no atendimento às pessoas. Como exemplo, cita dois fatos nos últimos dias: o acidente com ônibus de argentinos, próximo de São Luiz Gonzaga e o desabamento de prédio em Santo Ângelo. “Quando ocorreu o acidente com o ônibus, estávamos em uma festa de encerramento de ano aqui no quartel, com presença de pessoas de São Luiz Gonzaga. No horário em que elas estavam retornando para a casa, foram os primeiros a encontrar o ônibus tombado. Então, os profissionais, embora após terem saído de uma confraternização, foram realizar o atendimento para salvar pessoas, agindo até que chegassem as equipes de saúde e bombeiros de São Luiz Gonzaga”
Ele conta que no desabamento do prédio na cidade, também em um feriado, bombeiros de folga foram até o local pensando em ser úteis. “A atuação mútua, a vontade de ser útil ao colega e à comunidade é comum na região. Quase todos os bombeiros que trabalham aqui moram no município, então têm familiares e amigos, e estão preocupados com a segurança da comunidade”, salienta o comandante. 
Entre as pessoas que trabalharão neste Natal também estão cerca de 70 colaboradores do Hospital Santo Ângelo (HSA), entre servidores que trabalham na portaria, higienização, técnicos de enfermagem e enfermeiros. Os funcionários estarão de plantão para garantir o cuidado e a segurança dos pacientes e também participarão de programação especial com ceia. 
A gerente da enfermagem do HSA, Maristane Bechorner Almeida destaca que as famílias de quem trabalha em regime de plantão já estão acostumadas. “Quando escolhemos essa profissão, já sabíamos que não teríamos mais noite de Natal, final de ano, domingos. A família acaba entendendo  e esperando para comemorar em outro dia. E no trabalho no plantão, tentamos sempre fazer o melhor e cabe o agradecimento a todos os funcionários pelo trabalho nestes dias, com muita dedicação”. A enfermeira explica que na casa de saúde, quem trabalha no Natal não trabalha no Ano Novo e vice-versa, para que todos possam comemorar pelo menos uma das datas. 
Sobre a data, ressalta que a diferença entre as condições de passar o Natal no hospital. “Aprendemos a lidar com o momento, pois também temos que pensar que nós estamos trabalhando pois queremos, pois é nossa fonte de renda. Temos que nos colocar no lugar das pessoas que estão no leito do hospital, que não poderão passar a data em casa com suas famílias. Assim, temos que ter mais carinho ainda, mais cuidado, pois eles também estão longe de suas famílias por uma coisa que não é da vontade deles”. 
Há três anos trabalhando no Hospital, o técnico de enfermagem Zaqueu dos Santos, conta que trabalhar no Natal ou em qualquer feriado é um motivo de muito orgulho. “Cuidar das pessoas é o que eu escolhi fazer e a gratidão dos pacientes, ver eles felizes neste dia é o que importa pra mim, assim como é gratificante vê-los falar conosco e dizer que estão se sentindo bem quando estamos cuidando deles”. Com o cuidado como essência de sua profissão, o técnico de enfermagem afirma que seu trabalho não é somente medicar e verificar sinais, “é dar carinho, conversar, pedir como estão. Isso que me motiva a trabalhar. Muitas vezes nos perguntam sobre dificuldades em trabalhar no Natal, no feriado, Ano Novo. Mas, o que nos motiva a cada vez mais seguir em frente é chegar aqui e ver o sorriso deles”.