Cultivo de morangos representa alternativa de produção para agricultora de Ilha Grande

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Líria Fonseca espera colher de 3,5 a 5 toneladas da fruta em área de menos de meio hectare

 Após uma experiência com cinco variedades de morango em 2013, a produtora Líria Fonseca, de Ilha Grande, aumentou a área plantada e, em menos de meio hectare, espera colher de 3,5 a 5 toneladas da fruta. Em canteiros cobertos com estufa e irrigados, e com acompanhamento da Emater, ela plantou mais de 6 mil mudas. Cada pé deve produzir de 500 a 700 gramas da fruta, cujo mercado é garantido em Santo Ângelo, estima a produtora.

Líria, que também produz milho, melão e farináceos para comercialização, começou a plantar morangos a partir do projeto “Vitrines da Embrapa”, em que recebeu mil mudas das variedades Albion, Aromas, Camarosa, Camino Real e San Andreas. A intenção era ver qual se adaptava e produzia mais nessa região.

Em 2014, da variedade Camarosa, a que mais deu frutos, Líria plantou 3 mil mudas; da Albion e Aromas, plantou 500 mudas de cada; da Camino, plantou 1,5 mil; e de uma nova variedade, a Benicia, plantou mil mudas. As plantas são oriundas da Patagônia, na Argentina, onde o clima permite criar mudas de qualidade e livres de doenças.

As primeiras mudas foram plantadas em 14 de maio, e nos próximos dias Líria Fonseca deve começar a colher. O pico de produção do morango deverá ser em setembro, porém é possível obter frutos até dezembro. “O excesso de chuvas prejudicou um pouco e atrasou os tratos culturais, então é preciso ver a partir de agora até que ponto esse excesso de umidade pode prejudicar a produção”, afirma a engenheira agrônoma Márcia Dezen, da Emater, que dá assistência à produção através de chamada pública.

Foram plantados sete canteiros de 84 metros e dez canteiros de 40 metros, cada um com duas fileiras de plantas. A agricultora, ao lado do marido Luis Carlos Christofari e do filho Luis Fernando Fonseca Christofari, produz em uma área de 15 hectares, dos quais nove próprios e seis arrendados, incluindo a moradia e a área ocupada para o leite. Para o morango, é destinado menos de meio hectare próximo à casa da família.

ASSISTÊNCIA
Antes de Líria plantar as milhares de mudas de morangos, a agricultora enviou à Emater uma amostra de solo. A empresa fez análise, em que avaliou a qualidade e oferta de nutrientes e orientou para a correção da acidez e do volume de nutrientes, com adubos químicos e orgânicos. Também orientou para que a produtora escolhesse a melhor área dentro da propriedade para plantar.

Conforme explica a agrônoma Márcia Dezen, as mudas foram plantadas com linha de gotejo, junto a uma lona preta, que deixa o solo com temperatura mais alta e induz a floração. Sobre as plantas, há uma estufa branca, que diminui a umidade, protegendo da chuva e das doenças. Assim, a umidade do solo é controlada com a fertirrigação.

No município, apenas três agricultores – Líria em Ilha Grande, outro no Bairro Haller e outro em Buriti – produzem morangos para comercialização. Outros receberam mudas, através da Emater, e estão experimentando em suas propriedades. “O interesse da Emater é que mais pessoas produzam, para diversificar a produção”, destaca Márcia Dezen.

Agroindústria auxiliará no aproveitamento das frutas

A expectativa, também, é utilizar a agroindústria de processamento de frutas que está em fase de instalação na comunidade de Ilha Grande. O espaço irá beneficiar produtores da Associação de Produtores de Melão de Ilha Grande, e deve ser inaugurado ainda em 2014. “Com a agroindústria deixaremos de perder produção, pois o produto industrializado se conserva por mais tempo e pode se aproveitar aqueles produtos que não são tão bonitos para venda in natura”, explica Líria.
A produção Líria espera comercializar toda no mercado santo-angelense. “Para as frutas de qualidade há mercado garantido. Já com as frutas menores se faz geleia, schmier, polpa de fruta, e dá para vender inclusive para o Programa de Aquisição de Alimentos”, afirma a agricultora.
Além do morango, Líria Fonseca espera processar o melão, com a produção de suco e polpa, e o milho, fazendo conservas, na agroindústria. Só com o melão, por exemplo, foram produzidas entre 27 e 30 toneladas na safra 2013-2014, porém com bastantes perdas por causa do sol intenso. “Quero que o nosso produto vá para a prateleira do supermercado”, diz ela.