Da França, antropólogo manifesta opinião sobre caso de homofobia em escola de Santo Ângelo

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O caso de homofobia registrado no Colégio Onofre Pires na última semana, que ganhou destaque nas páginas impressa e online do Jornal das Missões, bem como nas ondas sonoras e no site da Rádio Santo Ângelo, teve repercussão na manhã de ontem.

Durante o programa Rádio Visão, apresentado por Paulo Renato Ziembowicz, foi entrevistado o pós-doutorando em Antropologia Social, Felipe Bruno Martins, direto da cidade de Toulouse, na França.

O antropólogo, que realizou uma tese de doutorado sobre políticas do Ministério da Educação no Combate à Homofobia do governo Lula, fez contato com a Super ao ver a notícia do jovem de 15 anos vítima de bullying no Colégio Onofre Pires. O pesquisador pretende fazer contato com a família do adolescente para repassar informações a respeito desse tema.

Durante a entrevista, Martins disse que esse tipo de violência é comum, mas que o caso de Santo Ângelo é diferente, pois o jovem teve a coragem de denunciar o fato. “A atitude do estudante, que foi corajoso, coloca Santo Ângelo como exemplo no combate à homofobia já que, na maioria das vezes, a violência se esconde no silêncio das vítimas”, revela.

 

Antropólogo elogia atitude do estudante

O antropólogo explica que as medidas tomadas pelo estudante foram corretas. Conforme ele, tanto pela violência física quanto pela psicológica, a vítima precisar fazer um boletim de ocorrência. Outro aspecto abordado refere-se ao conceito de bullying, explicando que no passado a violência em sala de aula se referia apenas à vítima e o agressor. Agora, com esse termo novo, até as testemunhas presentes no local da agressão, quando não tomam uma atitude, acaba fazendo parte do ato de violência.

O entrevistado acredita que outro aspecto importante desse caso do estudante agredido no Colégio Onofre é de que a família se mostra esclarecida e apoia o menino. “Infelizmente, na maioria dos casos não é assim, e os jovens homossexuais não têm apoio da escola, dos serviços públicos, do Estado e da família. E o resultado dessa falta de solidariedade reflete nos números de estudantes cometendo suicídio”, disse Martins.

No Rádio Visão, Martins lamentou a atitude da presidenta Dilma Rousseff ao vetor a cartilha que seria trabalhada em sala de aula no combate à homofobia. Também apresentou um panorama do clima tenso da cidade de Toulouse onde ocorreu o massacre em uma escola judaica que deixou quatro mortos.