De portas fechadas, salvo muita criatividade, vendas caíram 90%

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Foto: Daniele Angnes/JM

Em março, algo que dificilmente se veria na área central da cidade aconteceu: comércio de portas fechadas, em pleno horário comercial. Primeiro foram as grandes redes, depois os empreendimentos locais, em seguida veio o decreto do governo municipal e, por mais de duas semanas, um dos principais setores responsáveis pelo PIB de Santo Ângelo parou de funcionar.

De 23 de março até 16 de abril, o documento norteador orientava que comerciantes mantivessem seus estabelecimentos fechados para evitar a transmissão do coronavírus. Na segunda quinzena de abril, um novo decreto permitiu a reabertura, porém, com ressalvas (como acesso de menos pessoas no interior da loja, uso de máscara e álcool gel).

Maira Sehn, proprietária da Óptica Sehn, localizada na Avenida Brasil, conta que abril foi um mês de venda fraca. “Funcionamos só por 15 dias e acredito que as pessoas estavam com medo de sair e consumir”, relata. Maio, mesmo com o Dia das Mães (segunda melhor data para o comércio), em sua loja, teve uma queda de 26% nas vendas em comparação com 2019. “Agora, em junho espero que melhore, as pessoas estão menos receosas”, destaca. “Espero que as vendas, gradativamente, melhorem”, acrescenta.

De acordo com o presidente do Sindilojas Missões, Gilberto Aiolfi, existem várias leituras que podem ser feitas sobre o comércio, neste momento de pandemia, a depender do segmento.

“Os lojistas são o segmento de maior número CNPJ e empregos representados pelo Sindilojas nos 16 municípios. Foi este que teve um período com as portas fechadas e no retorno, com permissão limitada de trabalhar, apenas com 50 % de seus colaboradores, os empresários saíram do impedimento de abrir as portas para buscar manter empregos, reinventar suas atividades e ao mesmo tempo reconquistar clientes”, detalha.

Uma das formas encontradas pela equipe de Maira foi investir nas redes sociais (Instagram e WhatsApp). “O cliente não está vindo tanto na loja, mas vê pelo Insta e pelo Whats, se interessa e acaba comprando”, destaca. “Isso tem ajudado bastante nas vendas.”

Perdas no período

Aiolfi diz que “cada empresa deve adequar-se, replanejar seus negócios com o novo patamar de faturamento, no entanto, para que esta manobra seja efetiva, liberar o comércio é importante, no mais curto possível.”

Segundo Aiolfi, em comparação ao ano passado, o percentual de vendas no período, foi significativamente menor. “Com as portas de seus estabelecimentos fechadas, a não ser via muita criatividade no contato com seus clientes, as vendas caíram no geral 90%”, diz.

Depois da abertura das lojas, com restrições atendendo e exigência de cuidados de proteção individual, consumidores pagarem seus carnês, “aí lojistas conseguiram efetivar algumas vendas de produtos de necessidades mais urgentes do dia a dia.

Pós-pandemia

Aiolfi diz que sem prever uma data do pós-pandemia não é possível planejar estratégias de recuperação, “até porque estamos a cada semana andando no fio da navalha, ou seja, alguns agravos nas regras de isolamento, caso haja a troca de cor laranja para vermelho, o comércio segundo as regras volta a ser obrigado a fechar”, diz ele referindo-se ao cronograma de Distanciamento Controlado do Governo do Estado, que delimitou as regiões por bandeiras. “Não concordamos com isso, mais sim com mais restrições e cuidados de prevenção e continuar o comércio funcionando.”

O presidente do Sindilojas diz, ainda, que neste momento, a preocupação com a recuperação primeiro deverá passar para se avançar da cor laranja para a amarela, depois sair dela para liberar total as atividades de comércio. “Este tempo que vai nos indicar se ainda muitas empresas vão continuar na UTI de seus CNPJs. É o mesmo com o Coronavírus, muito tempo na UTI dificilmente vai dar tempo de pensar em recuperação.”

Retorno ao ritmo normal

“Todos empresários, são acostumados de superar crises, desde que não sejam engessados para buscar soluções”, destaca Aiolfi. Em 2020, porém, segundo avalia, “não existe luze suficiente para dar esta liberdade de empreender e fazer de um problema a solução.”

Outro desafio que ele cita é manter a negociação, “o comportamento deste novo normal, tanto para os empresários como dos colaboradores e consumidores, certamente não será o mesmo. Este é o momento de nos reconquistarmos entre um e ao outro.”

 

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