Definidos delegados que representarão Santo Ângelo na Conferência Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência

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3ª Conferência Municipal foi realizada ontem, no auditório da Apae

O Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Comdef) realizou ontem (23), durante manhã e tarde, no auditório da Apae, na Rua 22 de Março, a 3ª Conferência Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

A manhã foi marcada pela palestra da doutora em educação e assessora parlamentar em inclusão e diversidade do Senado Loni Elisete Mânica. À tarde, além de outros trabalhos, foram eleitos os oito delegados – assim como os suplentes –, sendo quatro ligados a órgãos governamentais e quatro não ligados, que representarão Santo Ângelo na 5ª Conferência Estadual, em novembro.

Loni, de Santo Ângelo, mas que atua em Brasília, abordou o tema “A implementação das deliberações das Conferências Estaduais dos Direitos das Pessoas com Deficiência já realizadas no Rio Grande do Sul”, englobando seis eixos temáticos: inclusão social, educação, saúde, trabalho, comunicação e turismo, esporte e lazer. À tarde, ainda houve trabalho em grupos sobre os eixos temáticos, com cada eixo tendo um coordenador responsável, e, posteriormente, socialização, entre todo o público, das questões debatidas.

CONTINUIDADE
Um dos pontos destacados por Loni quanto a ações de inclusão da pessoa com deficiência foi a necessidade e importância da continuidade dessas ideias. “Essas ações precisam continuar independentemente de partido político. Não é porque uma administração cria uma iniciativa e depois não é reeleita que o governo seguinte não vai dar continuidade”, disse.

Ela também afirmou que a inclusão precisa ser uma “caminhada”, construída pouco a pouco. Mas, para isso, precisa que iniciativas sejam tomadas. “Os trabalhos de inclusão não exigem tanto dinheiro, apenas boa vontade. De nada adianta os governos divulgarem que as pessoas com deficiência têm direito à educação, têm direito à saúde, têm direito a outras questões, se não são oferecidas condições para que elas façam uso desse direito”, analisou.

MERCADO DE TRABALHO
Sobre a presença de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, a doutora em educação frisou que o acompanhamento constante que elas recebem nas empresas, no sentido de ajudá-las, é importante, mas que também é necessário lhes dar uma espécie de “direito ao erro”, para que possam progredir não só com os acertos, mas também corrigindo eventuais equívocos que cometam.

Ela usou uma metáfora para explicar a situação. “Deixemos que a pessoa com deficiência busque a panela, tropece com a panela, caia com ela e depois volte. Não precisamos dar tudo mastigadinho. A pessoa com deficiência também precisa quebrar a cara. Se um trabalhador sem deficiência também erra, também quebra a cara, por que não podemos deixar aquele com deficiência também quebrar?”, questionou.

Para a relatora da conferência, Janira Mânica, secretária do Comdef, a programação foi “além das expectativas”. “Tivemos casa cheia. Pela manhã, na palestra, 120 pessoas, e à tarde, nas discussões em grupos sobre os eixos temáticos, 80. Mas, além desses números, todas as pessoas foram bastante participativas, tudo foi muito bem discutido e trabalhado. A conferência superou nossas expectativas”, avaliou.