Delegacia da Mulher é inaugurada oficialmente

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Solenidade de inauguração contou com a presença de autoridades locais e estaduais

Foi inaugurada no final da tarde de quinta-feira (18) a unidade provisória da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), localizada junto à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), na Rua Antunes Ribas. Sob o comando da delegada Luciana Cunha da Silva, a Delegacia da Mulher é fruto de uma longa luta realizada de forma conjunta pela comunidade, Poder Executivo, Polícia Civil e governo do Estado.

A solenidade contou com a presença do chefe da Polícia Civil do Estado, Guilherme Wondracek, do diretor da Polícia Civil no Interior, Mário Wagner, do prefeito Valdir Andres, do presidente da Câmara Vinícius Makvitz e de demais autoridades locais e regionais.

O delegado regional de Polícia Civil, Fernando Sodré, afirmou que a luta pela Delegacia da Mulher vem sendo desenvolvida há mais de quatro anos. “Foi um projeto no qual insistimos, porque achamos extremamente importante conter a violência doméstica, aplacar a violência doméstica no município de Santo Ângelo. Nós precisamos criar uma cultura de paz e isso passa pela conscientização de seus autores”, afirmou.

A partir de agora, segundo o delegado, a Delegacia já começa a atuar de uma forma mais centralizada e específica, focada no combate à violência contra mulher. O investimento realizado na primeira fase da Delegacia da Mulher e também da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente foi da ordem de R$ 45 mil, entre compra do mobiliário, pintura, reformas e adaptações.

De acordo com o chefe da Polícia Civil Guilherme Wondracek, a instalação dessa delegacia no município é uma grande alegria, tendo em vista que a função de reprimir a criminalidade é a principal atividade da polícia. “Santo Ângelo vinha demonstrando a necessidade de ter uma delegacia especializada no atendimento à mulher vítima de violência doméstica, que é algo que vem crescendo muito nos últimos anos, e, para que a mulher seja mais bem atendida, se optou por abrir aqui uma delegacia especializada”, afirmou.

Em seu pronunciamento, Guilherme ressaltou ainda que uma das carências da Polícia Civil no Estado é referente à falta de efetivo. “Hoje temos o mesmo efetivo que tínhamos em 1980 e, mesmo assim, conseguimos qualificar nosso trabalho com os bons profissionais que temos para atender a comunidade”, frisou.

QUALIFICAÇÃO DO TRABALHO
Conforme Sodré, havia problemas operacionais com rotinas confundidas na DPCA, entre a parte de atendimento à violência doméstica e o atendimento à criança e ao adolescente, ambas prioridades. “Para nós, era muito importante separar essas duas rotinas com equipes próprias, cada uma com seu viés operacional específico. Isso será possível com a nova delegacia e temos certeza de que isso qualificará e facilitará os contatos com as redes de atendimento que nós estamos constituindo na cidade, junto com a Prefeitura e outros órgãos”, esclareceu.

DESAFIO, SEGUNDO DELEGADA, É ROMPER COM O CICLO DA VIOLÊNCIA
A delegada titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Santo Ângelo, Luciana Cunha da Silva, ressaltou que desempenhar essa função é uma grande satisfação, tendo em vista que a implantação de uma delegacia especializada ao atendimento das mulheres vítimas de violência era um sonho antigo de toda a região de abrangência do município.

“Esperamos que, com o funcionamento, o atendimento às mulheres seja qualificado, embora, por enquanto, ainda continuemos a fazer os registros na Delegacia de Polícia de Pronto-Atendimento. Nós temos ainda um prédio a sofrer reformas e a partir de então a delegacia vai funcionar naquele imóvel para então podermos efetuar, inclusive, os registros de ocorrência, que é tudo o que se espera de um atendimento qualificado a essas mulheres que já vêm de uma realidade de violência e chegam à polícia frágeis, precisando de um tratamento especial”, esclareceu.

QUADRO PREOCUPANTE
A Delegacia da Mulher atende, em média, a 80 registros de violência doméstica contra a mulher mensalmente. “Esse é um quadro que preocupa, pois são solicitadas em média de 45 a 50 medidas protetivas pelas mulheres ao Poder Judiciário por mês”, destaca.

Os crimes mais comuns registrados na delegacia são os de ameaça, injúria e ofensa moral às mulheres, o que traz, conforme Luciana, todo um abalo psicológico. “Além, é claro, dos crimes mais graves, como lesão e homicídio, que existem em menor escala”, salientou.

A ideia, conforme a delegada titular, é desenvolver nesse novo espaço um trabalho melhor junto às mulheres, estendendo esse atendimento às famílias das mulheres agredidas e mesmo aos próprios agressores. “Sabemos que a violência não é um problema policial, ele acaba na polícia, mas é um problema social que vem de toda uma conjuntura de fatores que precisam ser tratados pela sociedade. Por isso, o interesse é de que possamos também prestar esse atendimento mais humanizado à mulher para que ela possa romper esse ciclo de violência”, explicou.

COMBATE AO MEDO
Luciana disse ainda que muitas mulheres registram a ocorrência, mas acabam desistindo em função do medo de levar adiante. “Nós já temos trabalhado com um grupo de apoio de profissionais da URI que presta um atendimento psicológico às mulheres, no interesse de que elas possam dar continuidade aos procedimentos policiais, aos processos, e que possam, encorajadas, romper com esse ciclo de violência”, concluiu a delegada, que já atua como titular desde a noite de quinta-feira.

NÚMERO DE PROFISSIONAIS
Atuarão na nova delegacia 11 profissionais, junto com a delegada titular e um agente administrativo. O atendimento será realizado 24h, em regime de plantão, com equipes de investigação e registro atuando no atendimento dessas mulheres vítimas de violência.

O atendimento será feito a todas as mulheres com encaminhamento destas à rede municipal de atendimento, em departamentos como o Centro de Referência de Assistência Social (Cras) e o Centro de Atenção Psicossocial (Caps), além de hospitais.

FASE 2
Essa foi a primeira fase dos trabalhos referentes ao atendimento especializado às mulheres vítimas de violência doméstica. A partir do início de 2015, se inicia a fase 2, que consiste no novo prédio da Delegacia da Mulher, no antigo prédio do IPE, localizado no cruzamento entre a Avenida Venâncio Aires e a Rua Tiradentes. “A licitação com a Prefeitura deve ser expedida até a semana que vem. Esse novo espaço será maior e disponibilizará na própria delegacia o registro de ocorrências e encaminhamentos dessas questões da violência”, destacou Sodré.

Outro trabalho importante a ser realizado é o da Patrulha Maria da Penha, instituído pela Brigada Militar, que também faz o acompanhamento das medidas protetivas expedidas pelo Judiciário. “Entendemos que temos tudo para conseguir baixar esses índices de violência e deixar essas mulheres se sentindo mais seguras, diminuindo a violência e melhorando a qualidade de vida das famílias em geral”, afirmou.

CASA DE ABRIGAMENTO
Há um contato entre a Polícia Civil e o Executivo com o objetivo de construir uma Casa de Abrigamento para as mulheres vítimas de violência doméstica. Conforme o delegado regional, esse espaço é importante para prestar um atendimento às vítimas, tendo em vista a necessidade de oferecer a essas mulheres um acompanhamento psicológico e de uma assistente social.