Depois do temporal, corrida contra o tempo para tentar recuperar o que dá

0
102

Moradores calculam os prejuízos com bens materiais atingidos pela água

 Na tarde de quinta e durante a sexta-feira, os moradores que sofreram com os prejuízos causados pela forte chuva viram no sol que se abria uma oportunidade de pelo menos deixar secarem bens materiais que foram atingidos pela água.

A cozinheira Adriana Maciel Pereira, de 33 anos, mora com suas filhas, de 15 e 10 anos, na Rua Miguel Couto, no Bairro Harmonia, que foi um dos mais afetados pelo temporal. Em frente à sua residência há um riacho, que teve seu nível elevado por conta da grande quantidade de água que caiu. Desta forma, as casas foram invadidas. Adriana estava na pastelaria onde trabalha e foi informada por vizinhos, por telefone, de que sua casa estava sendo atingida. “Consegui chegar aqui pouco depois das 9h, mas não tinha mais o que fazer”, lamenta. “Minhas filhas estavam na aula, a casa estava sozinha, senão eu teria erguido alguma coisa pra tentar salvar”, resigna-se.

Algumas roupas, lavando com esforço depois, ela conseguiu salvar, mas outras, que ficaram tomadas pelo barro, não – teve de jogá-las fora. Um aparelho de som, com duas caixas, adquirido há seis meses e cujas parcelas a cozinheira ainda está pagando, foi molhado, não abre o compartimento de CDs e foi enviado, na sexta, para a assistência técnica, numa tentativa de não perdê-lo. E, no próximo dia 10, Adriana começará a pagar a primeira das 12 parcelas de um sofá vermelho, comprado há três meses, que na sexta-feira ainda conservava as marcas da água – Adriana não havia tido tempo de colocá-lo ao sol.

CAMAS E FOGÃO AO SOL

Próximo à residência de Adriana, no mesmo bairro, mora Sônia Laurici dos Santos, que tem na sua casa a companhia de um filho de 14 anos e de uma filha de 8. Como seu filho mais velho, de 27, ainda vive a fase de construção de sua casa, Sônia ainda tem, provisoriamente, a presença dele, da nora e de três netos no lar.

Sônia, 48 anos, portadora do vírus HIV, trabalhou nos últimos 14 anos como catadora de papelão e há dois meses conseguiu o auxílio-doença. Ela mora há 22 anos na casa. Na quinta, um sofá foi bastante molhado, assim como camas, que depois foram colocadas no pátio de casa para secar – mesmo caminho seguido por um fogão. Por conta da força da água, um armário da cozinha teve os pés de sustentação derrubados, e o móvel ficou desequilibrado. Alimentos empacotados que estavam nos compartimentos de baixo, como arroz, feijão e açúcar, foram todos perdidos. “Não deu tempo de salvar nada deles. Em questão de minutos, tudo foi invadido. Pra mim, acontecem essas coisas de tanto que largam lixo no riacho”, diz Sônia, que também teve um eletrodoméstico prejudicado. “Ele liga, funciona e para; liga, funciona e para. Ainda bem que está dentro da garantia, graças a Deus”, expõe ela, que não se conforma com o fato de ter sofrido prejuízos com bens que tanto batalhou para conquistar. “Era dia e noite juntando papelão pra adquirir minhas coisinhas pra colocar dentro de casa.”