Dia Mundial de Combate ao AVC: ‘A cada seis segundos uma pessoa morre de AVC no mundo’, diz especialista

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Neurologista José Otávio Dworzecki, esclarece dúvidas sobre mal que atinge vários brasileiros

 

O Dia Mundial de Combate ao Acidente Vascular Cerebral (AVC) foi criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2006, em parceria com a Federação Mundial de Neurologia. A data, 29 de outubro, ficou definida especificadamente para alertar a população sobre os tratamentos e prevenções da doença, além de engajar os profissionais da saúde a melhor orientar os seus pacientes sobre estes cuidados.
O AVC também é conhecido popularmente por “derrame cerebral” e acontece quando há uma obstrução em um dos vasos sanguíneos presentes no cérebro. 
De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 100 mil pessoas morrem todos os anos de AVC no Brasil, um número superior ao total de mortes causadas por malária, tuberculose e Aids juntas. No mundo, segundo o neurologista José Otávio Dworzecki, a cada seis segundos uma pessoa morre de AVC.
“Cerca de 85% dos casos são isquêmicos, quando tem oclusão da artéria, ou seja, deixa de passar o sangue. Os outros 15% são relacionados a causas hemorrágicas, quando rompe a artéria e sangra para o parênquima cerebral”, declarou.
 
SINTOMAS DE UM AVC
O neurologista esclarece que os sintomas mais simples relacionados ao AVC são a perda de força de um braço ou até mesmo da perna, ou os dois ao mesmo tempo e geralmente do mesmo lado. Além disso, pode ocorrer a dificuldade de fala, fazendo com que a língua fique enrolada. Também pode haver um desvio da comissura labial, onde a boca fica torta pra um lado. 
“E além disso pode estar relacionado (o AVC) uma dor de cabeça muito intensa, súbita de uma hora para outra, considerada a pior dor da vida de uma pessoa que não é acostumada. Vômitos muito intensos, junto com essa dor de cabeça, podem ser sinais também de um AVC, junto com uma tontura. Mas essa questão da perda de força e desvio na boca, língua enrolada são sinais mais clássicos”, acrescenta José Otávio.
 
PREVENÇÃO
José Otávio explica que existem muitos fatores que podem ser controlados para que o indivíduo não venha a sofrer um AVC, como a regulação da hipertensão, diabetes, colesterol elevado, excesso de peso, fumo e sedentarismo. O histórico familiar de ataques de AVC também deve ser levado em consideração.
“Cuidar do estilo de vida, fazer atividades físicas. Quem é tabagista, está só na sua decisão de parar de fumar, decisão que interfere muito a longo prazo para não ter AVC. E quem é hipertenso e diabético, tem que manter a doença bem controlada, usar medicação contínua, porque são doenças crônicas, e tem que ter o acompanhamento do médico”, declarou José.
O médico também diz que o tabagismo é o principal fator de risco relacionado a isquemia, principalmente quando somados a esses outros fatores de pressão e diabetes. Isso acontece, pois o cigarro vai endurecendo a parede das artérias. “Como as artérias do cérebro são muito delicadas e muito fininhas, a medida que vai tendo o endurecimento, fica mais fácil de fechar a passagem do sangue. Então isso é um fator de risco bem importante e modificável”, acrescentou o neurologista.
 
SAMU, a sigla ajuda a indentificar se a pessoa está tendo um AVC
 
O “S” é de sorria, onde deve-se pedir para a pessoa dar um sorriso, para ver se a boca está torta ou não. O “A” é de abraço, momento em que deve-se abraçar a pessoa e nessa hora perceber se a ela está tendo dificuldade de levanta um dos braços ou está com menos força em algum deles. O “M” de música, para solicitar que a pessoa assovie ou cante uma música, para ver se a fala está enrolada. E identificando a alteração nessas primeiras letras o “U” de urgência. 
“Tendo essas alterações, eu percebo que meu familiar está com a boca torta para sorrir, não consegue abraçar, não consegue cantar porque está com a língua enrolada, aí eu tenho que levar para urgência para conseguir um atendimento o quanto antes”, declarou José Otávio.
 
AVC EM QUALQUER IDADE
José Otávio ressaltou que o AVC não tem idade para acontecer. 
“A gente tem a ideia e sempre lembra dos avós, de quem tem mais idade que aconteceu. Mas não, acontece com qualquer pessoa, em qualquer idade. Os jovens podem ter riscos genéticos ou outras doenças que vão levar também ao risco de ter AVC” destacou.

RECUPERAÇÃO E TRATAMENTO
Muitas pessoas quando sofrem um AVC acabam ficando com alguns membros do corpo paralisados. Porém existem os tratamentos de reabilitação que podem ser feitos para melhorar a área afetada.
“Isso (a recuperação de movimentos) é bem variado, depende da idade, do paciente que teve o AVC, dos fatores de riscos que estão envolvidos e também da questão do tratamento precoce ou não”, declara José Otávio.
A reabilitação, segundo o especialista, pode ter sucesso se feita de forma adequada. Uma delas é o tratamento de fisioterapia, onde são trabalhados os neurônios da região ao redor da que foi afetada, buscando recuperar aquela lesão.