Doação: Equipe de médicos de Porto Alegre realiza captação de órgãos no HSA

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Paciente teve morte encefálica devido a um AVC hemorrágico. Processo cirúrgico aconteceu domingo

No último domingo (7), o Hospital de Caridade Santo Ângelo (HSA) recebeu médicos do Hospital Santa Casa de Misericórdia, de Porto Alegre, para realizar a captação de órgãos de uma santo-angelense de 42 que teve morte encefálica no sábado, após um AVC hemorrágico. A paciente Sandra Regina Carnelutti tinha o desejo de doar os órgãos, e havia comunicado sua vontade à família antes de falecer.

Foram responsáveis pelo processo cirúrgico os médicos cirurgiões Juliano Martini e Guillermo Kiss, da equipe de fígado e rins, e o médico Spencer Camargo, da equipe de pulmão. Também participaram do processo a enfermeira Ana Paula Ferreira Cielo, da Organização da Procura de Órgãos, e o chefe do Centro Cirúrgico do HSA, o médico Armando Maraschin. Foram captados o rim, o fígado e pulmão da paciente.

O CASO
Conforme a enfermeira e coordenadora da Comissão Intra Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (Cihdott) do Hospital Santo Ângelo, Denise Guerin, Sandra passou mal na noite da última sexta-feira, sendo conduzida ao HSA. Ela teve uma parada cardiorrespiratória e foi internada na UTI. “No sábado a noite o médico fez o primeiro teste para verificar a morte encefálica da paciente, e aí foi feita a abertura de protocolo de morte encefálica e comunicada a Central de Transplantes de Porto Alegre. No domingo pela manhã foram feitos os outros dois testes e ambos deram positivo. Depois teve início toda a parte burocrática, os médicos vieram de Porto Alegre e a captação foi finalizada até a meia-noite de domingo, após cerca de duas horas de procedimento”, explicou.

CONHEÇA O CIHDOTT
A coordenadora do Cihdott garante que este é apenas o terceiro caso de captação de órgãos que acontece no HSA. “O Cihdott foi implementado aqui em Santo Ângelo há quatro anos, então este é um número bem pequeno. Antes as pessoas que tinham interesse em doar seus órgãos deviam colocar a informação na sua identidade, hoje é preciso comunicar alguém da família, que deverá permitir que isso aconteça”, destaca a enfermeira.

No caso de Sandra, o procedimento aconteceu de forma tranquila, já que era uma vontade compartilhada entre ela e a família. “A família da paciente foi muito acessível. A mãe dela nos contou de sua vontade de salvar outras vidas e um de seus filhos também garantiu que isso era um desejo que a Sandra sempre teve e que dividia com eles”, acrescenta Denise.

Antes de iniciar todo o processo de captação é realizada uma entrevista entre os integrantes do Cihdott e familiares do paciente sobre o direito da doação de órgãos. “Neste momento que a família fala se tem o desejo de doar ou não. Por isso é tão importante que a pessoa comunique em vida a sua vontade”, completa a coordenadora.

Registro Brasileiro de Transplantes revela queda no 1º trimestre
A Associação Brasileira de Transplante de Órgãos divulgou as informações do Registro Brasileiro de Transplantes do 1º trimestre de 2015, que faz parte do acompanhamento de transplantes do País. Foi registrado queda de 1,4% na notificação de potenciais doadores e 0,8% em doadores efetivos.
Uma das explicação para a queda do número de transplantes é por conta de uma queda da notificação dos potenciais doadores de órgãos. Ela caiu de 49 para 45, praticamente 10% em relação ao ano passado.

Os números mostram, em comparação com o ano de 2014, há uma queda de 1,4% na notificação de potenciais doadores e 0,8% em doadores efetivos. A recusa familiar é de 43% das famílias brasileiras.

O número de transplantes renais caiu 7,6%, sendo a queda de 20,3% com doador vivo e de 3,4% com doador falecido. De transplantes hepáticos caiu 0,7%, mas diferente do transplante renal, os transplantes com doador vivo aumentaram 9,0% e os com doador falecido caíram 1,6%. No número de transplante cardíaco houve uma queda de 1.0%; de transplante de pâncreas uma queda de 24% e de transplante de pulmão, um aumento de 19%