Documentário apresentará valores e cultura da aldeia Yancã Ju

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Povos indígenas Kaingans e Guaranis participam da realização de filmagens e edição Mostrar, disseminar e valorizar a cultura indígena é o objetivo principal de inciativa que proporcionou curso de ferramentas audiovisuais para aldeia de Santo Ângelo e de comunidades da terra indígena do Guarita, Inhacorá, Iraí e Vicente Dutra. Esta semana, os povos Kaingang e Mbyá-Guarani participaram do segundo módulo da oficina, que contou com orientações sobre captação de imagens e edição. As atividades foram realizadas em Santo Ângelo, em espaço na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), através da parceria entre o Núcleo de Audiovisual da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), câmpus Cerro Largo, Unipampa, através do Observatório Missioneiro de Atividades Criativas e Culturais (OmiCult) e do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (Comin). As orientações da oficina foram ministradas pelo professor de Cinema da Unipampa, Joel Felipe Guindani. 
A professora da UFFS, Bedati Finokiet, explica que a iniciativa surgiu a partir de projeto de extensão realizado na universidade que resultou em documentário sobre o artesanato da Comunidade Mbya – Guarani da Tekoa Koenju, de São Miguel das Missões. Agora, novo documentário será lançado mostrando a cultura e os valores da aldeia Yancã Ju (que significa Rio Ijuí), localizada na Ressaca da Buriti, em Santo Ângelo. O material será lançado no dia 23 de novembro, na UFFS, em Cerro Largo. “A ideia é não parar por aqui e continuar realizando este trabalho no próximo ano em outras aldeias, mostrando essa imersão no espaço da comunidade”, destaca a professora, complementando que a primeira etapa da iniciativa ocorreu no mês de agosto, com a realização de filmagens na aldeia Yancã Ju, realizadas pelos participantes do curso. Bedati ressalta a utilização das ferramentas audiovisuais como uma oportunidade de divulgar a cultura indígena. “Hoje é importantíssimo saber lidar com essa linguagem audiovisual e utilizar esse recurso para mostrar sua cultura, para suas pautas de reivindicação, para registrar o movimento indígena e desmistificar essa cultura”. 
Para o representante do Comin, Sandro Luckmann, este trabalho ressalta o olhar indígena sobre a sua cultura, “uma característica muito forte do curso é a de trazer esse elemento, onde os próprios Kaingangs e Guaranis apresentam o seu ponto de vista, dominando uma ferramenta que é aberta, que eles já fazem uso nas mídias sociais. A ideia é aprimorar este processo para que de fato possam apresentar bons materiais e assim conquistar e mudar os nossos olhares sobre esta realidade que eles têm, tanto em termos de cultura quanto em situação social”.
A ideia de divulgar a cultura indígena para quem não a conhece também é reforçada pelo cacique Anildo Romeu, da aldeia Yancã Ju de Santo Ângelo, que ainda ressalta a importância da iniciativa para a preservação da cultura. “Assim, podemos mostrar para algumas pessoas que a cultura está viva, preservando e podendo mostrar futuramente para as crianças que vivemos dessa forma. Com este trabalho audiovisual poderemos mostrar como é a nossa realidade. O que fazemos será visto”, afirma, ressaltando que a cultura indígena segue bem preservada e em evolução, pois, “viver na sociedade dos brancos não é perder a minha cultura indígena, mas sim valorizá-la, pois convivendo com os brancos fazemos com que a nossa cultura seja mais valorizada entre os que não a conhecem”. 
Laisa Sales Ribeiro, que integra o povo Kaingang, destaca que ao divulgar uma cultura através da tecnologia ocorre a relação entre a evolução e a tradição. “Não há como a nossa cultura ficar estagnada, ela deve evoluir. Ao mesmo tempo que nos apropriamos da tecnologia, também não podemos esquecer que pertencemos a uma cultura. E divulgando uma cultura também a mantemos, pois, se ela não é divulgada, não é vista”, reforça. Laisa explica que a cultura Kaigang era muito fechada e que o projeto veio ao encontro a necessidade de divulgá-la para a sociedade de fora, seja através de filmes ou de outros meios. 
Através da inserção na comunidade e com a parceria entre instituições o professor da Unipampa, Joel  Guindani, ressalta a atuação da universidade na prática da extensão, “que diz respeito a produzir conhecimento, poder interferir, colaborar ou, de certa forma, construir conhecimento junto da comunidade. Este é o objetivo desse projeto, quando a universidade abre as portas, vai para a comunidade e estabelece estas parcerias com as instituições e com as comunidades”, finaliza.