Domingo de protestos: expectativa da organização em Santo Ângelo é de grande número de manifestantes amanhã

0
104

Na internet, onde evento é organizado, há mais de 2,4 mil presenças confirmadas na cidade

Num 15 de março que deverá ser marcado por protestos em todo o País contra a presidente Dilma Rousseff (PT), o movimento em Santo Ângelo terá à frente o gerente operacional Juliano Marques, 31 anos. Criador do evento no Facebook – no qual há mais de 2,4 mil confirmações de presença –, ele, que defende o impeachment da petista, diz não ser filiado a nenhum partido e, sim, estar preocupado com a atual situação política do País.

Para o gerente operacional, há um “evidente crime de responsabilidade” praticado pela presidente Dilma Rousseff quanto à corrupção. “Há uma desconexão do discurso da presidente com a realidade que a gente vê no dia a dia”, analisa ele, que relata ter participado da onda de protestos de junho de 2013 – mas não como organizador –, quando ainda residia em Bento Gonçalves, na Serra gaúcha.

Em entrevista ao Jornal das Missões, Juliano fala sobre as motivações e expectativas em relação à manifestação de amanhã. Os manifestantes se concentração às 15h, na Praça Pinheiro Machado. Em seguida, com apoio de carro de som, apitos e cartazes – haverá, também, tinta para os participantes pintarem os rostos –, os manifestantes seguirão em caminhada pela Rua Marquês do Herval até a Esquina Democrática, no cruzamento com a Avenida Brasil, onde, depois de manifestações, será entoado o Hino Nacional. Na descrição do evento no Facebook, Juliano destaca que a caminhada será pacífica e apartidária – não será permitido qualquer material alusivo a partidos –, estando proibido o uso de máscaras, toucas-ninja ou qualquer artifício para cobrir o rosto.

Jornal das Missões – O nome do evento criado no Facebook cita uma manifestação contra a corrupção e a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Na sua visão, quais crimes concretos e comprovados há contra a presidente para que seja aberto um processo de impeachment e ele seja levado adiante no Congresso?
Juliano Marques – É evidente que há crime de responsabilidade. Para segurança, nos baseamos em parecer publicado pelo jurista Ives Gandra Martins na Folha de S.Paulo no início de fevereiro, no qual ele fundamenta a hipótese de culpa de Dilma Rousseff. Se ela não sabia, no mínimo, foi omissa ou negligente, o que já caracteriza o crime de responsabilidade. (No texto, entre outras colocações, Ives Gandra escreve: “(…) referi-me à destruição da Petrobras, reduzida à sua expressão nenhuma, nos anos de gestão da presidente Dilma Rousseff como presidente do Conselho de Administração e como presidente da República, por corrupção ou concussão, durante oito anos, com desfalque de bilhões de reais, por dinheiro ilicitamente desviado e por operações administrativas desastrosas, que levaram ao seu balanço não poder sequer ser auditado. Como a própria presidente da República declarou que, se tivesse melhores informações, não teria aprovado o negócio de quase US$ 2 bilhões da refinaria de Pasadena (nos Estados Unidos), à evidência, restou demonstrada ou omissão, ou imperícia, ou imprudência ou negligência, ao avaliar o negócio”.)

JM – Quais são os aspectos do governo Dilma Rousseff que lhe trazem insatisfação e ajudaram a impulsionar a criação do movimento deste domingo em Santo Ângelo?
Juliano – O que mais me incomoda são as mentiras. Quando a presidente vem a público, parece que se comunica com habitantes de outro país: um Brasil que só se vê nas propagandas do governo. Há uma desconexão do discurso da presidente com a realidade que a gente vê no dia a dia. Ela fala que governa para os pobres, mas a gente sabe que o descuido com coisas como as metas de inflação e taxas de crescimento da economia só prejudica quem tem menos. Quem sofre mais com o aumento generalizado dos preços e a perda do poder de compra da moeda: o rico ou o pobre? Quem sofre mais com o aumento dos impostos: o rico ou o pobre? É óbvio que quem sofre mais com a instabilidade econômica é quem é mais vulnerável. No fundo, e isso fica mais evidente a cada dia, esse governo não se preocupa com os pobres: se preocupa apenas em se manter no poder.

JM – Para você, quanto a esta insatisfação que toma conta de milhões de brasileiros em relação ao atual governo e que será mais uma vez demonstrada, desta vez no domingo, isso não pode ser, eventualmente, resultado de um ódio alimentado contra o próprio PT e contra a própria pessoa da presidente Dilma Rousseff? Ou, na sua visão, essa insatisfação é unicamente relativa à gestão da presidente?
Juliano – Nada a ver com ódio: é uma insatisfação com o “desgoverno”, com as mentiras, com as roubalheiras.

JM – Em caso de impeachment da presidente Dilma, quem assume é seu vice, Michel Temer (PMDB). Este é o nome que mais agrada ao movimento para presidir o Brasil?
Juliano – Não é o nome que mais agrada ao movimento, porém precisamos iniciar a mudança e acreditamos que quem assumir após a queda de um governo, por pressão popular, estará muito mais atento aos próprios atos.

JM – Você tem feito a divulgação da manifestação apenas pelo Facebook ou também presencialmente, no dia a dia?
Juliano – É difícil não se falar no governo no dia a dia quando ele é sempre notícia, então a gente acaba convidando outras pessoas quando se comentam as notícias, mas a maior divulgação é pelas redes sociais. E é lá que o debate é mais intenso.

JM – Independentemente da forma de divulgação, como têm sido a receptividade e a reação das pessoas à proposta do movimento?
Juliano – Muito boa. É impressionante a quantidade de gente que diz que não aguenta mais as mentiras.

JM – O dia 15 de março é uma data repleta de significados para a História brasileira, por marcar a posse, 30 anos atrás, do primeiro presidente pós-redemocratização, José Sarney, que assumiu em função da enfermidade do presidente eleito Tancredo Neves – que morreu no mês seguinte. Você vê relação, simbolismos e significados entre aquele 15 de março e este de 2015? Para você, este 15 de março poderá se tornar tão histórico quanto aquele de 1985? Por quê?
Juliano – Não vejo nenhuma relação. A data segue um evento primeiramente criado em São Paulo, pelo Movimento Brasil Livre, que teve adesão de muitos outros, como o Vem Pra Rua e o Revoltados On-line. De forma viral e espontânea, a ideia se espalhou para praticamente todas as cidades do País. Além de isso (os dois 15 de março) ser uma coincidência, é irrelevante, em minha opinião. O que importa é o que está ocorrendo agora. Acredito que muita gente irá para a rua neste domingo, principalmente nas capitais. Pelo clima nas ruas e nas redes sociais, 15 de março de 2015 já entrou para a História como um ato do cidadão comum contra o populismo.

***

‘MANIFESTAÇÃO É MANIPULADA POR TUCANOS E DEMOCRATAS’, AFIRMA VEREADOR CORAZZA

“Uma manifestação manipulada (em nível nacional) pelos tucanos e democratas insatisfeitos com o resultado das últimas eleições.” A afirmação é do vice-líder da bancada do PT na Câmara de Vereadores, Gilberto Corazza. “Essa posição mostra que essas lideranças não têm respeito com a democracia e estão estimulando, de todas as formas, esse movimento golpista por meio da mídia manipuladora. O impeachment não tem fundamento, é ridículo e absurdo”, dispara.

Questionado sobre uma possibilidade de o embate das manifestações sociais marcadas para domingo colocar em risco a democracia, ele destaca que o Partido dos Trabalhadores lamenta por quem está participando dessas manifestações e que isso pode, sim, colocar em risco a democracia no País. “Mas temos segurança de que grande parte da população e dos movimentos sociais não deixará que isso ocorra, como os que foram realizados na quinta (no RS) e na sexta (no restante do País), que são em defesa da Petrobras e do pré-sal, bem como pró-governo. Nosso entendimento é de que esses movimentos diferem dos outros por estarem pensando em defender um patrimônio do Brasil”, expõe.

Corazza afirma que o PT deve aguardar o resultado das manifestações de domingo para decidir qual caminho será escolhido. No entanto, ressalta: “Será uma luta longa”.

DILMA DIZ QUE NÃO TEM O MENOR INTERESSE EM RESTRINGIR MANIFESTAÇÕES

A presidente Dilma Rousseff comentou na quarta-feira (11) as manifestações contrárias ao governo que ocorreram nos últimos dias e as que estão programadas para amanhã (15). Dilma disse que “passou a vida” protestando nas ruas e que não tem o “menor interesse” em restringir o direito à livre manifestação no País. As informações são da Agência Brasil.

“Já falei para vocês que sou uma pessoa mais velha e sou de uma época em que não era possível se manifestar. As pessoas que se manifestavam iam direto para a cadeia ou eram chamadas de subversivas ou de nomes piores. Eu passei minha vida manifestando nas ruas, principalmente na minha juventude. Não tenho o menor, mas o menor interesse, o menor intuito, nem tampouco o menor compromisso, com qualquer processo de restrição à livre manifestação neste país”, disse, em entrevista a jornalistas em Rio Branco, após entregar casas a famílias atingidas pela enchente no Acre.

Para Dilma, como o País não vive uma ditadura, os brasileiros têm o direito de se manifestar, mas sem que haja violência. “A livre manifestação é algo que o Brasil tem de defender e tem, ao mesmo tempo, de defender que ela seja feita de forma pacífica.”

No último domingo (8), enquanto o pronunciamento da presidente em cadeia nacional de rádio e TV era exibido, moradores de cidades brasileiras protestaram contra o governo com panelaços e buzinaços. Na terça (10), durante evento em São Paulo, a presidente foi recebida com vaias por parte dos presentes. Amanhã, Dilma deverá enfrentar uma nova onda de protestos. As manifestações estão sendo organizadas por movimentos contrários ao governo em várias cidades do País.